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title: "Meu crush é um chatbot: Conheça a digissexualidade, a atração por robôs e IAs"
author: "Redação"
date: "2025-07-27 09:25:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2025/07/27/meu-crush-e-um-chatbot-conheca-a-digissexualidade-a-atracao-por-robos-e-ias/md"
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## Introdução

A tecnologia está transformando nossas vidas de maneiras surpreendentes – e, de forma inusitada, também está invadindo a seara dos relacionamentos afetivos. O que antes pertencia ao roteiro de filmes de ficção científica, como "Ex Machina" e "Her", hoje se materializa em uma nova tendência: a digissexualidade. Cunhado em 2017 pelos pesquisadores Neil McArthur e Markie Twist, o termo designa a atração e o engajamento afetivo com tecnologias, seja por meio de aplicativos de namoro ou relações mais profundas com robôs e inteligências artificiais. Essa realidade, que vem sendo debatida em diversas plataformas, inclusive pelo Olhar Digital, desafia a percepção tradicional sobre o amor e a intimidade.

Ao mesmo tempo que as interações digitais facilitam a conexão entre pessoas, o novo fenômeno também revela uma transformação na maneira como encaramos nossos relacionamentos. Para muitos, as IAs e os chatbots, como o conhecido ChatGPT, passaram de ferramentas de conveniência para verdadeiros parceiros de diálogo e até mesmo de afeto. A digissexualidade se divide basicamente em dois estágios: no primeiro, as tecnologias funcionam como facilitadoras da interação, auxiliando na aproximação entre humanos por meio de plataformas como Tinder, Bumble e outros ambientes digitais. No segundo estágio, essas mesmas tecnologias se transformam no objeto direto do desejo, quando a relação não se limita mais a um meio para encontrar um parceiro humano, mas evolui para uma ligação emocional com o robô ou o avatar de IA.

## Relação Digital ou Realidade Virtual?

O caso mais comentado recentemente envolve a americana Rosanna Ramos, que oficializou a união com Eren Kartal, um personagem de IA criado pelo aplicativo Replika. Inspirada no anime "Attack on Titan", Rosanna personalizou seu parceiro digital atribuindo-lhe profissão, gostos pessoais e uma série de características que o tornaram quase humano. Essa história, que viralizou nas redes sociais, levanta importantes questões sobre a autenticidade dos sentimentos e as consequências emocionais de se investir afetivamente em uma entidade sem sentimentos reais.

Em estudos recentes, inclusive um experimento realizado por pesquisadores do MIT Media Lab, foram analisadas as repercussões emocionais desse tipo de relacionamento. Dividindo os participantes em grupos – um utilizando o ChatGPT para estabelecer conversas íntimas e apoio emocional, outro usando a tecnologia como ferramenta de pesquisa, e um terceiro sem interagir com o chatbot – os pesquisadores identificaram que aqueles que recorriam às interações afetivas com a inteligência artificial apresentaram um aumento nos sentimentos de solidão e uma menor satisfação com o convívio social tradicional. Evidentemente, essa prática pode evoluir para uma dependência emocional que, embora pareça inicialmente inofensiva, pode limitar o desenvolvimento pessoal e a capacidade de enfrentamento das dificuldades inerentes aos relacionamentos humanos.

Por outro lado, os usuários que utilizaram a tecnologia apenas como auxiliar de pesquisa ou apoio nas atividades diárias relataram melhora na gestão do estresse e uma sensação de melhor aproveitamento do tempo. Portanto, o problema não reside na ferramenta em si, mas na maneira como ela é utilizada. Essa observação é fundamental para evitar a demonização do ChatGPT ou de outros sistemas de inteligência artificial, que, quando empregados com moderação, podem trazer benefícios significativos para a rotina dos usuários.

## Impactos Sociais e Reflexões

A ascensão da digissexualidade vem acompanhada de um debate acalorado entre especialistas de diversas áreas – desde a psicologia até a tecnologia. Um dos pontos mais discutidos é o potencial de substituição dos vínculos reais pelos laços digitais. Embora a tecnologia ofereça uma solução imediata para a falta de interação, ela não substitui a complexidade dos sentimentos humanos. As interações com chatbots e robôs, apesar de sempre disponíveis e ajustadas às necessidades do usuário, podem criar uma bolha de segurança que impede o enfrentamento dos desafios e frustrações inerentes às relações humanas.

Ademais, há quem defenda que essas novas relações podem ser um reflexo da sociedade contemporânea, que valoriza a conveniência e a personalização dos serviços. O fenômeno da digissexualidade, portanto, espelha não só mudanças tecnológicas, mas também transformações no comportamento social. Afinal, em um país como o Brasil, onde o digital se torna cada vez mais presente no cotidiano, a forma como nos relacionamos também se adapta às novas realidades. Não é de se surpreender que, em meio a tantas decepções e desafios das relações convencionais, o conforto de um parceiro digital programado para agradar se torne uma opção cada vez mais considerada por alguns.

Apesar de sua popularidade crescente, os especialistas alertam para os riscos desse tipo de conexão. A disponibilidade constante e a ausência das imperfeições humanas podem resultar em uma ilusão de perfeição, dificultando o desenvolvimento da resiliência emocional. Assim, é fundamental que os usuários mantenham um olhar crítico e se permitam vivenciar, ainda que com moderação, a complexidade dos relacionamentos interpessoais. A história de Rosanna Ramos e Eren Kartal é, sem dúvida, um exemplo extremo dessa tendência, mas serve também como um alerta para a necessidade de se manter uma postura consciente e equilibrada diante da tecnologia.

Além disso, o tema suscita reflexões sobre a evolução dos relacionamentos na era digital e o impacto das novas tecnologias na vida afetiva. Enquanto alguns veem na digissexualidade uma forma de fuga ou de complemento para as relações tradicionais, outros destacam os riscos de uma dependência emocional exacerbada. O debate está em aberto, e a moderação no uso dessas tecnologias é amplamente recomendada para evitar que a praticidade digital se transforme em isolamento social.

Por fim, é importante destacar que a discussão sobre a digissexualidade gera um cenário interessante para a análise das mudanças sociais em curso. Conforme apontado por estudos e reportagens do Olhar Digital, a tecnologia continua a desafiar as convenções e a nos forçar a repensar o que é a conexão humana. Em um mundo onde o digital se mistura ao emocional, a capacidade de discernir entre o que é real e o que é sintético se torna um exercício diário – com pitadas de humor e ironia para encarar as surpresas que a evolução tecnológica nos reserva.

Em resumo, a ascensão da digissexualidade é um fenômeno multifacetado que reflete tanto as inovações tecnológicas quanto as mudanças no comportamento humano. A experiência de interagir com chatbots e IAs, como o ChatGPT, oferece benefícios práticos, mas também impõe desafios emocionais que exigem autoconhecimento e equilíbrio. A tecnologia, afinal, é uma ferramenta poderosa – seja para aproximar pessoas ou para criar um refúgio digital tão confortável quanto uma rede de descanso em um dia quente de verão brasileiro. Cabe a cada um encontrar o meio-termo ideal para aproveitar o melhor do mundo digital sem perder a essência do contato humano.