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title: "Supercomputador japonês FugakuNEXT vai ganhar um upgrade da Nvidia para virar 'Zetta-scale'"
author: "André Iglesias"
date: "2025-08-22 10:16:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2025/08/22/supercomputador-japones-fugakunext-vai-ganhar-um-upgrade-da-nvidia-para-virar-zetta-scale/md"
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## O Despertar de um Titã Computacional

Esqueça as distopias de Hollywood por um momento. O futuro da computação, aquele que parece saído diretamente de um roteiro de ficção científica, está sendo construído agora, no Japão. A instituição de pesquisa RIKEN, guardiã do lendário supercomputador Fugaku — que já ostentou o título de mais rápido do mundo —, acaba de anunciar um plano que redefine as fronteiras do possível. Seu sucessor, batizado de **FugakuNEXT**, não será apenas uma evolução, mas um salto quântico em poder de processamento, graças a uma nova e poderosa aliança com a Nvidia.

O Fugaku, que de meados de 2020 a 2022 reinou absoluto no topo da lista TOP500 e hoje ainda figura em um respeitável sétimo lugar, está prestes a passar o bastão. Mas a corrida para o próximo nível exigiu uma mudança de estratégia. O plano inicial, focado na CPU customizada baseada em Arm da Fujitsu, a "MONAKA-X", foi turbinado. Conforme anunciado pelo RIKEN, a Nvidia não apenas fornecerá suas GPUs, mas também será responsável por projetar os sistemas que farão a mágica acontecer, integrando seus aceleradores de forma simbiótica com a arquitetura do supercomputador.

## Uma Aliança Inesperada Rumo à Escala Zetta

A notícia pegou muitos de surpresa. Em um mundo onde a especialização domina, a parceria entre a Fujitsu, com sua expertise em CPUs Arm, e a Nvidia, líder incontestável em GPUs para IA, sinaliza um novo paradigma para a supercomputação. O RIKEN declarou que essa colaboração explorará "tecnologias de conexão de ponta entre a CPU e a GPU", além de considerar a "incorporação de tecnologias de memória avançadas". Em outras palavras, não se trata apenas de colocar mais peças na caixa; trata-se de redesenhar a própria arquitetura do cérebro digital.

E o objetivo é audacioso. A meta, segundo o comunicado oficial, é criar o primeiro sistema 'zetta-scale' do mundo. Mas o que isso significa em números? Prepare-se: o FugakuNEXT almeja exceder **600 exaFLOPS (EFLOPS)** em precisão FP8, uma métrica otimizada para tarefas de inteligência artificial. Para colocar em perspectiva, o RIKEN espera um aumento de mais de cinco vezes no desempenho de hardware em comparação com o Fugaku atual. O verdadeiro game-changer, no entanto, está no software: a meta é um aumento de cem vezes no desempenho das aplicações. É o tipo de poder que pode simular sistemas complexos com uma fidelidade que hoje apenas imaginamos.

## O Cérebro Digital para a Inteligência Artificial do Futuro

Com tanto poder, a pergunta inevitável é: para quê? A resposta do RIKEN é clara: o FugakuNEXT será uma potência para "treinamento de IA e aplicações de HPC (Computação de Alto Desempenho) otimizadas para GPU". Isso não é apenas uma declaração de intenções. Os pesquisadores japoneses já usaram o Fugaku atual para treinar seu próprio modelo de linguagem, o Fugaku-LLM de 13 bilhões de parâmetros. Agora, imagine o que será possível com uma máquina com um desempenho de aplicação 100 vezes superior.

Estamos falando da capacidade de treinar modelos de IA generativa em uma escala e velocidade sem precedentes, acelerar a descoberta de novos medicamentos, criar materiais revolucionários átomo por átomo ou talvez, quem sabe, dar os primeiros passos em direção a uma inteligência artificial geral (AGI). O FugakuNEXT não é apenas um supercomputador; é um laboratório para o futuro, uma ferramenta para responder perguntas que ainda nem sabemos formular.

## Contagem Regressiva para 2030

Embora a Fujitsu ainda esteja desenvolvendo a CPU MONAKA-X e a Nvidia não tenha revelado qual modelo de acelerador será usado, o cronograma já está traçado. O RIKEN pretende que o FugakuNEXT entre em operação "por volta de 2030". A adição das GPUs da Nvidia ao projeto pode tanto acelerar quanto complexificar esse cronograma, mas uma coisa é certa: a corrida pela supremacia computacional ganhou um novo e empolgante capítulo. O Japão não está apenas construindo uma máquina mais rápida; está montando as peças para uma nova era de descobertas, onde os limites entre o digital e o real se tornarão cada vez mais tênues.