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title: "Exército dos EUA Reinicia Projeto de Headset de Realidade Aumentada com a Anduril de Palmer Luckey"
author: "Gabriela P. Torres"
date: "2025-09-10 11:28:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2025/09/10/exercito-dos-eua-reinicia-projeto-de-headset-de-realidade-aumentada-com-a-anduril-de-palmer-luckey/md"
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# O Exército dos EUA Tenta Desbugar a Realidade Aumentada

Em uma reviravolta digna de um roteiro de ficção científica que deu errado, o Exército dos EUA decidiu apertar o botão de reset em seu ambicioso projeto de equipar soldados com headsets de realidade mista. Após o programa IVAS, uma parceria de US$ 22 bilhões com a Microsoft, resultar em mais dores de cabeça e náuseas do que vantagens táticas, o Pentágono agora aposta em novos protagonistas: a Anduril, do fundador do Oculus, Palmer Luckey, e a Rivet Industries. O novo programa, batizado de Soldier Borne Mission Command (SBMC), chega com um orçamento de US$ 354 milhões e a missão de, desta vez, acertar a mão.

## Do Fracasso Bilionário ao Recomeço Modesto

Vamos dissecar a lógica dos fatos. **Se** você investe US$ 22 bilhões em uma tecnologia baseada no Microsoft HoloLens para dar aos seus soldados uma visão de campo de batalha digna de um game, **então** você espera, no mínimo, que eles consigam usá-la sem passar mal. Acontece que a realidade foi bem diferente. O programa Integrated Visual Augmentation System (IVAS) da Microsoft, iniciado em 2021, foi atormentado por atrasos e problemas técnicos graves.

De acordo com relatos e testes de campo, os soldados que utilizaram os protótipos sofreram com o que foi oficialmente descrito como "deficiências físicas que afetam a missão". Em português claro: dores de cabeça, cansaço visual e náuseas. A situação se tornou tão insustentável que o Congresso dos EUA congelou o financiamento do programa em 2023, pedindo ao Exército que focasse em consertar os problemas existentes em vez de seguir em frente com um design falho. A lógica é implacável: um soldado enjoado é um soldado menos eficaz. A Microsoft acabou passando a gestão do IVAS para a Palantir em fevereiro de 2025, pouco antes do projeto ser oficialmente descontinuado em abril para dar lugar ao SBMC.

## Entra em Cena a Tropa de Elite de Palmer Luckey

Com a página do HoloLens militar virada, o Exército dos EUA agora aposta em uma abordagem diferente. O programa SBMC distribuirá seus US$ 354 milhões entre duas empresas de tecnologia de defesa. A Anduril, de Palmer Luckey, receberá US$ 159 milhões para prototipar um headset completamente novo que integra visão noturna, realidade aumentada e inteligência artificial. A Rivet Industries, uma startup fundada em 2024 por ex-executivos da Palantir, ficará com US$ 195 milhões para testar, desenvolver e ajudar a implementar a melhor solução.

O objetivo, segundo o comunicado do Exército, é fornecer aos soldados uma ferramenta que melhore a consciência situacional e a capacidade de comando no campo de batalha. A ideia é que o headset processe dados de múltiplos sensores para cortar o que Anduril chama de "névoa da guerra", um problema que, segundo a empresa, existe porque a inteligência fica "presa em silos" tecnológicos. Em outras palavras, eles querem que o soldado tenha um HUD (Heads-Up Display) que mostre informações relevantes em tempo real, evitando que percam segundos preciosos tentando entender o cenário de combate.

## Duas Empresas, Uma Missão e Zero Microsoft

A nova estratégia do Exército parece ter aprendido uma lição importante: não colocar todos os ovos na mesma cesta, especialmente se a cesta pertence a uma gigante de tecnologia sem foco principal em defesa. Ao contratar Anduril e Rivet como empreiteiras principais separadas, que não trabalharão diretamente juntas no projeto, o Exército está diversificando suas apostas.

A Rivet Industries, em particular, não poupou palavras para alfinetar a antecessora. Em um comunicado, um porta-voz da empresa afirmou: "Nossa solução de folha limpa foi moldada diretamente pela opinião dos soldados e não carrega nenhum legado de compromissos de Big Techs ou dispositivos de consumo fracassados". Uma análise forense dessa frase aponta diretamente para a Microsoft e seu HoloLens. A mensagem é clara: o problema não era a ideia, mas a execução vinda de uma cultura corporativa diferente.

Enquanto a Anduril, conforme um porta-voz informou ao The Register, desenvolverá um hardware totalmente novo, a Rivet está focada em criar uma arquitetura modular e abrangente. Isso inclui displays em formato de óculos, módulos de computação e sensores corporais, todos conectados por uma camada de software extensível. A modularidade é um ponto-chave, permitindo atualizações e adaptações que o sistema monolítico anterior não facilitava.

## O Futuro da Guerra Aumentada: Tentativa e Erro?

A decisão de recomeçar com um orçamento que representa menos de 2% do contrato original da Microsoft é, no mínimo, um atestado de humildade forçada. O Exército dos EUA aprendeu da maneira mais cara que promessas de marketing não se traduzem automaticamente em equipamento militar eficaz. A aposta agora é em empresas mais ágeis e especializadas no setor de defesa, que, teoricamente, entendem melhor as necessidades e as duras condições do campo de batalha.

Resta saber se a Anduril e a Rivet conseguirão entregar os "superpoderes" prometidos onde a Microsoft falhou. A jornada para criar um soldado tecnologicamente aumentado continua, provando que, mesmo com todo o avanço da tecnologia, a implementação prática no mundo real ainda é um processo complexo de tentativa, erro e, neste caso, muitos bilhões de dólares jogados fora.