---
title: "Ex-Gênios da OpenAI e DeepMind Levantam US$ 300 Milhões para Criar 'Cientistas de IA'"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2025-10-02 13:30:00-03"
category: "Carreira & Comunidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2025/10/02/ex-genios-da-openai-e-deepmind-levantam-us-300-milhoes-para-criar-cientistas-de-ia/md"
---

# Periodic Labs: A Gênese Digital dos Cientistas de IA

Em um movimento que soa como o prólogo de uma ficção científica, a startup **Periodic Labs** saiu das sombras nesta terça-feira, 30 de setembro de 2025, não com um sussurro, mas com um estrondo financeiro. A empresa anunciou uma rodada de financiamento inicial de **US$ 300 milhões**, uma quantia monumental destinada a um objetivo que redefine a própria natureza da investigação: criar “cientistas de IA”. Liderada por veteranos da OpenAI e do Google DeepMind, a Periodic Labs propõe automatizar a descoberta científica, construindo laboratórios onde robôs, guiados por inteligência artificial, conduzirão experimentos, aprenderão e, talvez, sonharão com as próximas grandes revoluções materiais da humanidade.

## Os Arquitetos do Novo Gênesis Científico

Por trás desta audaciosa visão estão dois nomes de peso no panteão da IA moderna. **Liam Fedus**, ex-VP de Pesquisa da OpenAI, foi uma das mentes que contribuíram para a criação do ChatGPT e liderou a equipe responsável pela primeira rede neural de um trilhão de parâmetros. Ao seu lado está **Ekin Dogus Cubuk**, que chefiou a equipe de materiais e química no Google Brain e DeepMind. Conforme divulgado pela Exame, Cubuk foi a força motriz por trás do projeto GNoME, uma ferramenta de IA que, em 2023, descobriu mais de 2 milhões de novos cristais, materiais com potencial para catalisar tecnologias que ainda nem imaginamos. A equipe se completa com pesquisadores que já trabalharam em projetos como o agente Operator da OpenAI e o MatterGen da Microsoft, formando um verdadeiro time dos sonhos para a ciência computacional.

## Onde Silício e Matéria Dançam a Valsa da Descoberta

O que distingue a proposta da Periodic Labs? A resposta reside na sua matéria-prima. Até agora, os grandes modelos de linguagem e as IAs científicas foram alimentados com o vasto, porém finito, oceano de dados da internet. Em seu comunicado de apresentação, citado pela TechCrunch, a empresa afirma que os modelos “esgotaram” a internet como fonte de aprendizado. A Periodic Labs, em contrapartida, não quer apenas consumir conhecimento; ela quer gerá-lo a partir do mundo físico. A ideia é construir laboratórios autônomos onde robôs realizarão experimentos incansavelmente, manipulando pós e matérias-primas, coletando dados de cada reação, de cada sucesso e, principalmente, de cada falha. Esse ciclo contínuo de experimentação e aprendizado criará um tesouro de dados físicos, puros e inéditos, que servirá para treinar IAs cada vez mais sofisticadas. Não se trata de simular a ciência, mas de construí-la, átomo por átomo, em um balé entre código e matéria.

## A Promessa do Impossível: Em Busca de Novos Supercondutores

A primeira grande missão desses novos cientistas digitais é a busca por supercondutores. Esses materiais, capazes de conduzir eletricidade sem resistência e com eficiência energética máxima, são um dos santos graais da ciência de materiais. A Periodic Labs aposta que seus laboratórios autônomos podem acelerar a descoberta de novos supercondutores que superem as alternativas atuais, abrindo portas para uma revolução em computação, energia e transporte. O apoio financeiro de gigantes como Andreessen Horowitz, DST, Nvidia, Accel, e de figuras como Jeff Bezos e Eric Schmidt, sinaliza que a aposta é levada muito a sério pelo mercado. O que começa com supercondutores pode, amanhã, se estender para a descoberta de qualquer material inovador que a humanidade necessite.

## Uma Nova Corrida, um Novo Panteão?

A Periodic Labs, apesar de seu financiamento impressionante, não está sozinha nesta nova fronteira. O uso de IA para acelerar a ciência já rendeu frutos notáveis. Em 2024, pesquisadores do Google DeepMind receberam o Prêmio Nobel de Química pelo trabalho no projeto AlphaFold, que decifrou a estrutura de proteínas com implicações profundas para a medicina. Outras iniciativas, como a Tetsuwan Scientific, a Future House e o Consórcio de Aceleração da Universidade de Toronto, também exploram caminhos similares. Estamos testemunhando o nascimento de uma nova corrida, não mais espacial ou armamentista, mas uma corrida pelo conhecimento automatizado. Quem serão os novos Oppenheimers e Curies desta era? Serão humanos ou algoritmos?

Ao delegar a própria metodologia científica a uma entidade não-humana, o que ganhamos e o que perdemos? A intuição, o acaso, o erro humano que tantas vezes levou a descobertas inesperadas, terão lugar nesses laboratórios metódicos e eficientes? A Periodic Labs não está apenas construindo uma empresa; está nos forçando a questionar a essência do que significa descobrir. E enquanto seus cientistas de IA começam a trabalhar, silenciosos e persistentes, ficamos aqui a ponderar sobre o futuro da nossa própria curiosidade.