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title: "Foguete não tem ré, mas tem aposentadoria: SpaceX lança Starship pela 11ª vez antes do upgrade"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2025-10-14 08:49:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2025/10/14/foguete-nao-tem-re-mas-tem-aposentadoria-spacex-lanca-starship-pela-11a-vez-antes-do-upgrade/md"
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## Um Voo Para a História: A Despedida da Starship V2

Nesta segunda-feira, 13 de outubro, os céus do sul do Texas testemunharam mais do que um lançamento; presenciaram o fim de uma era. A SpaceX enviou seu megafoguete Starship ao espaço pela 11ª vez, em uma missão que, segundo a própria empresa, serviu como a cerimônia de aposentadoria para a Versão 2 do veículo. Decolando de sua base em Starbase, o foguete de 123 metros de altura cumpriu uma jornada de aproximadamente 66 minutos, finalizando com um mergulho controlado no Oceano Índico.

Este voo não foi apenas mais um item na longa lista de testes da companhia de Elon Musk. Ele representa um ponto de virada, o encerramento do que o portal *Ars Technica* chamou de “era elementar” da Starship. Cada dado coletado, cada manobra executada, foi pensada para pavimentar o caminho para seu sucessor, a Starship Versão 3, prometida para 2026. A missão foi um sucesso, com o propulsor Super Heavy e a nave Starship completando suas trajetórias e realizando os testes programados antes de seus respectivos mergulhos planejados no Golfo do México e no Oceano Índico.

## Objetivos de Museu: Estressando o Antigo Para Melhorar o Novo

Como um bom arqueólogo digital, sei que para entender o futuro, é preciso escavar o passado — ou, neste caso, testar o presente até seu limite. A SpaceX levou essa filosofia a sério, usando este último voo para coletar dados valiosos para a próxima geração. Os principais objetivos, conforme detalhado nas publicações *The Register* e *Ars Technica*, foram:

**Teste de Pouso do Super Heavy:** O propulsor, um veterano que já havia voado na missão 8, executou uma nova sequência de queima de motores para o pouso. Batizada de "13-5-3", a manobra aciona 13 motores, depois reduz para cinco e finaliza com três. A SpaceX afirma que essa configuração oferece maior redundância contra falhas de motor, um passo importante para a reutilização segura. O booster não foi capturado, mas realizou um pouso suave na água do Golfo do México.**Estresse Máximo no Escudo Térmico:** A equipe da SpaceX decidiu, intencionalmente, estressar a proteção da nave Starship. Segundo o *Ars Technica*, algumas placas do escudo térmico foram removidas de áreas vulneráveis, incluindo locais sem uma camada de proteção secundária. O objetivo era observar o comportamento do veículo durante a reentrada, quando as temperaturas atingem escaldantes 1.430° Celsius, e encontrar o design ideal para a rápida reutilização.**Manobras em Órbita e na Reentrada:** Durante sua trajetória suborbital, a Starship liberou oito simuladores de satélites Starlink e, de forma bem-sucedida, reacendeu um de seus motores Raptor no vácuo. Na fase final, testou algoritmos de orientação subsônica e realizou uma "manobra de inclinação dinâmica" para se preparar para futuros pousos precisos na base de lançamento.## Foguete não tem ré, mas tem aposentadoria

Com este voo, não é apenas a Starship V2 que se despede. A plataforma de lançamento, que já foi parcialmente destruída em 2023 e fez história ao realizar a primeira captura de um booster Super Heavy em 2024, também será aposentada, de acordo com o *The Register*. Uma nova plataforma, já preparada com melhorias como um fosso para desviar as chamas, será inaugurada com a Versão 3. Parece que até as tecnologias mais avançadas chegam ao ponto em que ouvem um "Ok, Boomer" e precisam dar espaço para os mais novos.

A aposentadoria da V2, que segundo o *Ars Technica* encerra sua carreira com uma taxa de sucesso de 40% na melhor das hipóteses, não significa um fracasso. Pelo contrário, cada falha e cada sucesso foram peças fundamentais no quebra-cabeça que a SpaceX está montando. Este voo consolida o aprendizado e fecha um capítulo para que outro, mais ambicioso, possa começar.

## O Futuro se Chama Versão 3 e a Lua Está na Mira

O foco agora se volta inteiramente para a Starship Versão 3. Prevista para o início de 2026, esta nova geração promete ser um salto tecnológico. Contará com motores Raptor atualizados, tanques de propelente maiores e, o mais importante, a capacidade de reabastecimento em órbita. Essa funcionalidade é a espinha dorsal dos planos da SpaceX e da NASA, que depende do megafoguete para seu programa Artemis de retorno à Lua. A agência espacial americana possui contratos de mais de 4 bilhões de dólares com a empresa para desenvolver uma versão do Starship que possa pousar astronautas na superfície lunar.

Para viabilizar esses planos, a SpaceX está acelerando sua infraestrutura, construindo uma segunda torre de lançamento em Starbase e novas instalações na Flórida, visando uma cadência de voos muito maior. O 11º voo da Starship, portanto, foi mais do que um teste bem-sucedido. Foi a passagem de bastão, a missão que oficialmente encerrou o prólogo e deu início ao primeiro capítulo da jornada que pode, finalmente, levar a humanidade de volta à Lua e, quem sabe um dia, a Marte.