A Meta anunciou em 14 de abril de 2026 uma parceria expandida com a Broadcom para desenvolver múltiplas gerações de seus próprios chips de inteligência artificial, a linha MTIA. Ao mesmo tempo, a companhia de Mark Zuckerberg começou a testar o WhatsApp Plus, uma assinatura premium do aplicativo de mensagens, em uma tentativa de gerar receita direta. O objetivo duplo é direto: cortar os altos custos de aluguel de infraestrutura de hardware e criar novas vias de lucro dentro de casa.

O fim do aluguel e a construção do MTIA

Para entender essa movimentação, precisamos olhar para os bastidores dos data centers. O MTIA, sigla para Meta Training and Inference Accelerator, é um acelerador focado especificamente em inferência e recomendação. Vamos desbugar o termo: enquanto o treinamento é o processo pesado de ensinar a IA, a inferência é a IA em ação, aplicando o que aprendeu para responder aos usuários e sugerir vídeos no Instagram em tempo real. Até agora, a empresa dependia fortemente do hardware da Nvidia para fazer essas duas tarefas.

Com a ajuda da plataforma XPU e da infraestrutura de rede da Broadcom, a Meta vai lançar quatro novas gerações desses chips nos próximos dois anos, com um compromisso inicial de consumo de energia que ultrapassa 1 gigawatt. Para liderar essa transição, Hock Tan, CEO da Broadcom, deixou o conselho administrativo da Meta e passou a atuar exclusivamente como conselheiro dedicado à infraestrutura e ao design de silício.

A diplomacia do silício e a interoperabilidade

Essa mudança de conselho revela uma nova fase na diplomacia técnica da empresa, que decidiu parar de ser uma inquilina na infraestrutura alheia para construir suas próprias pontes. A tática complementa movimentos recentes para diversificar fornecedores, como quando a Meta fechou acordos de fornecimento com a AMD. Agora, o foco é a interoperabilidade interna. A empresa quer desenhar um hardware que converse perfeitamente com os seus próprios modelos de IA, sem atritos ou desperdícios de processamento nas conexões de rede. Você já se perguntou o que acontece com a velocidade de resposta quando uma única empresa controla desde a placa física de processamento até o botão de curtir na sua tela?

WhatsApp Plus: cobrando pedágio nas vias digitais

Fazer seus próprios chips custa bilhões em pesquisa. Para fechar a conta da infraestrutura pesada, a Meta testa extrair mais valor dos serviços já consolidados. É aqui que entra o WhatsApp Plus. Trata-se de um pacote de assinatura em fase de avaliação que cobra por funções avançadas dentro do aplicativo.

Se as APIs e webhooks antes eram usados primariamente para fazer o WhatsApp conversar gratuitamente com sistemas de outras empresas e gerar dados de consumo, a versão Plus funciona como um pedágio direto. Em vez de focar apenas na venda de anúncios no feed das redes sociais, a companhia testa fazer o usuário pagar diretamente por conveniência e ferramentas extras na troca de mensagens.

Próximos passos na infraestrutura

A construção de processadores próprios e o teste de uma assinatura no WhatsApp operam em paralelo para alterar a engenharia financeira da companhia. A Meta instalará a primeira fase de 1 gigawatt de componentes customizados da Broadcom nos próximos vinte e quatro meses, conectando gradativamente o novo hardware aos seus data centers para rodar os sistemas de IA internos.