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title: "Portugal Vai Fabricar Chips do Futuro Com Ajuda da Space Forge e Tecnologia de Ponta"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-05-11 07:00:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/05/11/portugal-vai-fabricar-chips-do-futuro-com-ajuda-da-space-forge-e-tecnologia-de-ponta/md"
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A britânica Space Forge anunciou que vai investir cerca de 20 milhões de euros para construir uma fábrica de semicondutores em Portugal. A obra começa em 2027. A empresa, que já abriu uma filial em Santa Maria, nos Açores, quer usar o país europeu como base para processar componentes fabricados no espaço.

Não é de hoje que acompanhamos o crescimento do [mercado de tecnologia em Portugal](https://desbugados.com.br/post/2018/11/12/mercado-de-tecnologia-em-portugal-oportunidades-e-desafios-para-desenvolvedores), mas a proposta desta vez foge da rota tradicional de empresas de software e call centers. Nos meus 15 anos fuçando a infraestrutura invisível dos bancos, me acostumei a ver mainframes suando em salas refrigeradas no subsolo de São Paulo. A base de tudo isso é o silício. Fazer chips na Terra exige temperaturas altíssimas e um gasto de energia violento. A nossa gravidade puxa as impurezas para dentro da estrutura do cristal durante a fabricação. É um problema físico antigo que limita a eficiência dos componentes responsáveis por processar desde a sua fatura do cartão de crédito até os servidores modernos em nuvem.

## Desbugando a microgravidade

A Space Forge quer resolver esse limite físico tirando a fábrica da Terra. Eles usam satélites, como o Forgestar-1 lançado no ano passado em um foguete da SpaceX, para produzir cristais de semicondutores em órbita. Lá em cima, a microgravidade — o estado onde as coisas parecem não ter peso — impede que essas impurezas terrestres se misturem ao cristal em formação.

O resultado é um componente materialmente mais puro. A empresa calcula que essa pureza reduz em 60% a energia necessária para fabricar os componentes quando comparado aos métodos industriais terrestres. Enquanto gigantes como a [Intel aceleram a produção de chips de 2 nanômetros no Arizona](https://desbugados.com.br/post/2025/10/13/intel-aperta-o-play-producao-em-massa-de-chips-de-2nm-comeca-no-arizona) espremendo os limites da física aqui embaixo, a Space Forge aposta no vácuo espacial. É quase como trocar o tradicional fish and chips britânico por silicon chips com bacalhau. Eu avisei que as minhas piadas não iam melhorar.

## Como a mercadoria volta?

Fazer a peça no espaço é apenas uma parte do problema. A outra é trazer o material de volta sem derreter tudo na reentrada atmosférica. Para isso, a equipe de engenharia desenvolveu um escudo protetor chamado Pridwen. Esse equipamento permite que os satélites atravessem a atmosfera sem queimar e pousem com segurança. A filial nos Açores serve exatamente para coordenar essa recuperação no meio do Oceano Atlântico.

Lewis D’Ambra, diretor de comunicação da empresa, explicou que o país tem o quadro regulatório e a posição geográfica exata para facilitar esse modelo de envio e resgate espacial. A operação toda custa caro. A empresa britânica levantou 27 milhões de euros em maio do ano passado com fundos como o NATO Innovation Fund, além de ter recebido um apoio de 9 milhões de euros da Agência Espacial Europeia.

## A caixa de ferramentas

A fase de testes com os satélites já está rodando e a montagem da estrutura física tem data marcada. A ideia da diretoria é iniciar a construção da fábrica em território português em 2027 para ganhar escala comercial. O próximo passo da Space Forge é planejar a produção de veículos espaciais inteiros diretamente no país, em vez de apenas processar os materiais que caem de volta no oceano.