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title: "Prefeitura do Rio lança IA open source e gera polêmica: o que o caso revela sobre modelos de pesos abertos"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-06-16 12:03:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/06/16/prefeitura-do-rio-lanca-ia-open-source-e-gera-polemica-o-que-o-caso-revela-sobre-modelos-de-pesos-abertos/md"
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## Resumo
- IplanRIO lançou Rio-3.5-Open-397B em 12/06/2026 como merge linear de 60% Nex-N2-Pro e 40% Qwen3.5 sem destilação adicional.
- Análises técnicas revelaram colinearidade de 0,993 nos tensores e que o modelo respondia como 'Nex' em 79% dos testes sem system prompt.
- Licença Apache 2.0 das bases originais exige atribuição e replicação da licença, diferentemente da MIT usada inicialmente.
- IplanRIO admitiu erro de upload, atualizou o model card e prepara reupload da versão final após críticas da Nex-AGI.
- O caso serve como exemplo prático de como funcionam merges de pesos abertos e da importância de transparência em projetos públicos de IA.
- Custo total reportado do projeto foi de R$ 500 mil, cobrindo basicamente infraestrutura e não treinamento original.

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A Prefeitura do Rio, por meio da IplanRIO, lançou em 12 de junho de 2026 o modelo **Rio-3.5-Open-397B** no Hugging Face com quase 400 bilhões de parâmetros e licença MIT. Horas depois, engenheiros da Nex-AGI apontaram que os pesos eram resultado de um merge linear simples entre 60% do Nex-N2-Pro e 40% do Qwen3.5-397B-A17B, sem qualquer destilação adicional que justificasse a criação de uma nova identidade. O caso expôs falhas de upload e de crédito, mas também oferece uma oportunidade rara de desbugar, de forma concreta, como funcionam na prática os modelos de pesos abertos que circulam hoje na comunidade.

## Como um merge linear de pesos realmente acontece

Quando falamos em merge linear, estamos descrevendo uma operação matemática simples: os parâmetros de dois modelos são combinados com pesos fixos, como 0,6 vezes os pesos do Nex-N2-Pro mais 0,4 vezes os pesos do Qwen3.5. Análises de tensores publicadas no GitHub da Nex-AGI mostraram colinearidade de 0,993 e valor de alpha em torno de 0,571, confirmando que não houve treinamento adicional significativo. O modelo inicial respondia como “Nex” em quase 80% das perguntas de identidade quando o system prompt forçado com o nome “Rio” era removido, revelando que a nova identidade existia apenas na superfície.

Esse tipo de merge é comum porque permite reutilizar trabalho já feito por outras equipes sem precisar treinar do zero, algo que custaria milhões de dólares. A versão preliminar carregada pela IplanRIO era exatamente esse merge cru, sem a etapa de On-Policy Distillation que apareceu depois na model card corrigida. O custo total declarado do projeto foi de R$ 500 mil, valor que cobre basicamente a infraestrutura de upload e ajustes de prompt, não um treinamento original.

## Por que a licença importa tanto quanto o código

A publicação inicial usou licença MIT, que é permissiva e não exige atribuição explícita de todos os componentes. Já a licença Apache 2.0, presente nas bases originais Nex-N2-Pro e Qwen, exige que qualquer trabalho derivado mantenha a atribuição clara e replique a mesma licença nas partes utilizadas. O merge de modelos treinados sobre bases Apache 2.0 herda essas obrigações, e a omissão inicial de créditos violou esse requisito prático. Depois da issue aberta no GitHub da Nex-AGI em 14 de junho, a IplanRIO atualizou o README reconhecendo as bases originais e prometeu o reupload da versão destilada correta.

Especialistas como Fábio Akita, Nikolas Kluge e Leo Candido destacaram que transparência não é apenas cortesia, mas condição para que a comunidade possa verificar, reproduzir e melhorar o trabalho. Sem crédito adequado, fica difícil rastrear o pedigree do modelo e entender quais comportamentos vêm de qual base original.

## O que o episódio ensina sobre o ecossistema real de open weights

O [artigo](https://aintuicao.scale.press/post/2026/06/15/o-que-o-caso-do-modelo-da-prefeitura-do-rio-revela-sobre-o-ecossistema-real-de-modelos-open-weights) de Ricardo Pupo Larguesa no blog A Intuição analisa exatamente esse caso e mostra que a maioria dos modelos “novos” de grande porte hoje são composições de bases já existentes, seguidas ou não de destilação. O upload incorreto da versão preliminar pela IplanRIO ilustrou como uma falha humana simples pode gerar controvérsia em horas, mas também como a comunidade técnica reage rapidamente com análises de pesos e testes de identidade. O prefeito Eduardo Cavaliere havia anunciado o modelo como “treinado no Rio com financiamento público”, o que contrastava com a realidade de um merge sem ganhos de performance adicionais.

Entender esses detalhes ajuda qualquer pessoa que queira usar ou contribuir com modelos abertos: verificar a model card completa, testar o comportamento sem system prompt e checar as licenças das bases originais são passos obrigatórios antes de adotar qualquer release.