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title: "Empresa chinesa 360 lança ferramentas de segurança de IA para competir com Mythos"
author: "Gabriela P. Torres"
date: "2026-06-25 07:30:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/06/25/empresa-chinesa-360-lanca-ferramentas-de-seguranca-de-ia-para-competir-com-mythos/md"
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## Resumo
- 360 Security Technology anunciou no ISC.AI 2026 as ferramentas Tulongfeng e Yitianzhen como equivalentes chineses ao Mythos da Anthropic.
- Tulongfeng teria encontrado 3.432 vulnerabilidades, com 105 confirmadas por autoridades chinesas, segundo a empresa.
- Reuters e outras fontes não conseguiram verificar independentemente os números apresentados.
- Zhou Hongyi reconheceu uma lacuna de 20-30% nos modelos base chineses e defendeu a estratégia de agentes combinando IA com expertise em segurança.
- O anúncio ocorre em contexto de relatos sobre uso de IA por atores chineses em operações cibernéticas.
- A análise mostra que alegações de equivalência dependem de verificação externa ausente até o momento.

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No dia 24 de junho de 2026, durante a conferência ISC.AI 2026 em Pequim, Zhou Hongyi, fundador da 360 Security Technology, apresentou as ferramentas Yitian Tulong: Tulongfeng, que automatiza a descoberta de vulnerabilidades em software, e Yitianzhen, voltada para defesa cibernética automatizada e resposta a incidentes. A empresa chinesa descreveu o Tulongfeng como a versão local do Mythos da Anthropic, modelo que a Anthropic manteve restrito por razões de segurança. Se a alegação de equivalência for verdadeira, então a China estaria fechando parte da lacuna tecnológica em cibersegurança baseada em IA; se não for, o anúncio se resume a uma estratégia de comunicação sem base verificável independente.

## Desmontando a alegação de equivalência técnica

A 360 Security Technology afirmou que o Tulongfeng encontrou 3.432 vulnerabilidades de software, das quais 105 foram confirmadas por autoridades chinesas. Reuters, Quartz, Cryptopolitan e outras publicações citam a mesma transcrição da empresa, mas todas registram que não foi possível verificar esses números de forma independente. Se 3.432 vulnerabilidades descobertas soam impressionantes, então é preciso perguntar quantas delas são novas, quantas são críticas e qual o critério de confirmação usado pelas autoridades locais; caso o critério seja opaco, o número perde força como prova de superioridade ou paridade com o Mythos.

Zhou Hongyi reconheceu uma diferença de 20% a 30% na capacidade base dos modelos domésticos chineses em relação aos ocidentais. Ele defendeu, portanto, a abordagem de agentes que combinam modelos de IA com expertise proprietária em segurança, bases de dados de vulnerabilidades e ferramentas automatizadas. Se a lacuna de 20-30% existe de fato, então a estratégia de agentes torna-se o caminho lógico para compensar; caso contrário, a menção à lacuna serve apenas para justificar o investimento em conhecimento em vez de puro poder computacional.

## Contexto da corrida por IA em cibersegurança

A apresentação ocorre em meio a relatos de que grupos ligados à China já utilizam IA para automatizar operações de ciberespionagem, conforme reportado anteriormente em relatórios e investigações conjuntas da Microsoft e da OpenAI. Se a 360 Security Technology agora oferece ferramentas que automatizam descoberta de falhas, então surge a pergunta sobre quem terá acesso a esses agentes e com que finalidades; se o uso for predominantemente defensivo, o impacto é positivo para a infraestrutura global, mas se for ofensivo, amplia-se o risco de escalada assimétrica.

Zhou também destacou o risco de transparência unidirecional, no qual modelos ocidentais avançados seriam acessíveis a atores chineses enquanto o inverso não ocorreria. Se essa assimetria for real, então a aposta em agentes locais com conhecimento proprietário é uma resposta racional; senão, a narrativa serve para pressionar por maior abertura ou subsídios governamentais.

## Caixa de ferramentas: como avaliar anúncios semelhantes no futuro

Primeiro, exija sempre a fonte primária da transcrição ou relatório técnico, como fez a Reuters ao citar o material da 360. Segundo, verifique se números de vulnerabilidades descobertas incluem confirmação independente por terceiros neutros ou apenas autoridades locais. Terceiro, compare a abordagem de agentes com o desempenho real em benchmarks públicos de cibersegurança, quando disponíveis. Ao aplicar esses três passos, você transforma comunicados corporativos em dados verificáveis e reduz o risco de tomar decisões baseadas em promessas não comprovadas.