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title: "Datafolha mostra aumento no uso de IA no trabalho e queda no medo de substituição no Brasil"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-06-29 06:30:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/06/29/datafolha-mostra-aumento-no-uso-de-ia-no-trabalho-e-queda-no-medo-de-substituicao-no-brasil/md"
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## Resumo
- Uso de IA no trabalho cresceu de 17% para 24% entre quem conhece a tecnologia, segundo Datafolha de junho de 2026.
- Medo de substituição caiu de 56% para 48%, enquanto a parcela sem medo subiu de 41% para 49%.
- 79% dos entrevistados rejeitam o uso de IA em contratações e demissões; 68% rejeitam em tratamentos médicos.
- Principais usos relatados incluem pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e criação de imagens ou vídeos (4%).
- Pesquisa ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
- Resultados indicam integração gradual da IA como ferramenta complementar, não substituta total.

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A pesquisa Datafolha realizada nos dias 17 e 18 de junho de 2026 trouxe números que ajudam a entender como a **inteligência artificial** — sistemas capazes de aprender padrões e executar tarefas que antes exigiam intervenção humana — está se inserindo no dia a dia profissional dos brasileiros. Entre quem já ouviu falar na tecnologia, o uso no trabalho subiu de 17% para **24%**, enquanto o medo de substituição caiu de **56%** para **48%**. Esses percentuais mostram que, apesar da transformação em curso, as pessoas estão encontrando formas de conviver com a ferramenta em vez de vê-la apenas como ameaça.

## O que os números da Datafolha revelam sobre o uso prático

Quando se olha para as aplicações relatadas, fica claro que a IA está atuando como uma ponte entre o conhecimento acumulado e a execução de tarefas cotidianas. Pesquisas na internet lideram com 25% das menções, seguidas por estudos com 17% e criação de imagens ou vídeos com apenas 4%. Essa distribuição sugere que a tecnologia funciona menos como substituta total e mais como extensão das capacidades humanas, permitindo que profissionais conectem dados de diferentes fontes para tomar decisões mais rápidas e fundamentadas.

Além disso, a rejeição ao uso de IA em contratações e demissões atinge **79%** dos entrevistados, enquanto 68% consideram inadequado seu emprego em tratamentos médicos e 67% em concessão de crédito. Esses percentuais indicam que, embora a adoção cresça, existe um consenso claro sobre os limites éticos: decisões que envolvem julgamento humano e responsabilidade direta ainda devem permanecer sob controle de pessoas, preservando o diálogo entre diferentes atores do ecossistema de trabalho.

## Como o medo de substituição está mudando de patamar

O recuo no medo — de 56% para 48% entre quem conhece IA — reflete uma adaptação gradual. Em vez de imaginar um cenário de substituição completa, muitos profissionais começam a enxergar a tecnologia como parte de uma rede maior, onde sistemas automatizados dialogam com habilidades humanas. A parcela sem medo subiu de 41% para 49%, sinalizando que a experiência prática está ajudando a construir pontes de confiança entre trabalhadores e ferramentas digitais.

Essa mudança de percepção não acontece no vazio. Ela se conecta ao aumento real do uso no ambiente laboral, que passou de 17% para 24% em apenas um ano. Quando as pessoas testam a IA em tarefas específicas, percebem que ela complementa em vez de anular suas competências, criando um ecossistema onde diferentes plataformas trocam informações para gerar valor maior do que cada uma entregaria isoladamente.

## Por que esses dados importam para quem trabalha com tecnologia

Para o profissional que busca usar a tecnologia a seu favor, os números da Datafolha funcionam como um termômetro. Eles mostram que a integração entre humanos e IA já está em andamento e que resistir completamente pode significar perder oportunidades de colaboração. Ao mesmo tempo, a forte rejeição ao uso em decisões de vida e carreira reforça a importância de manter o controle humano em pontos críticos, preservando o equilíbrio entre eficiência e dignidade.

Quando se pensa em interoperabilidade, fica evidente que a IA funciona melhor quando conectada a sistemas já existentes no dia a dia, como ferramentas de pesquisa, plataformas de estudo ou editores de conteúdo. Essa conexão transforma serviços isolados em experiências mais fluidas, onde o profissional atua como mediador entre o que a máquina processa e o que o cliente ou colega precisa entender.

## Caixa de ferramentas: próximos passos práticos

Comece identificando uma única tarefa repetitiva no seu fluxo de trabalho — como pesquisa de informações ou organização de dados — e teste uma ferramenta de IA acessível para automatizar parte dela. Observe os resultados após uma semana e ajuste o uso, mantendo sempre o julgamento final em suas mãos. Compartilhe aprendizados com colegas para construir, coletivamente, pontes de conhecimento que beneficiem todo o time. Por fim, acompanhe novas pesquisas como a Datafolha para ajustar expectativas e estratégias conforme o ecossistema evolui.