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title: "Bibliotecários organizam workshops virais para evitar IA para pessoas cansadas das Big Techs"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-07-26 09:00:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/07/26/bibliotecarios-organizam-workshops-virais-para-evitar-ia-para-pessoas-cansadas-das-big-techs/md"
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## Resumo
- Bibliotecários Hannah Cyrus e Charlie Bailey lideram workshops 'Avoiding AI' lotados devido à frustração com IA forçada.
- Sessões atraem cerca de 70 participantes contra 12 em aulas tradicionais, com lista de espera e transmissões ao vivo.
- Preocupações incluem privacidade, data centers, impacto ambiental e pressão no trabalho, mas com nuance para usos benéficos como medicina.
- Dicas práticas incluem desativar Apple Intelligence e Gemini, e usar '&udm=14' em buscas do Google.
- Artigo de Cyrus de março de 2026 inspirou dezenas de bibliotecários globais a replicar o modelo.
- Foco em controle, agência e liberdade, alinhado a valores de privacidade e liberdade intelectual das bibliotecas.
- Movimento reflete resistência maior à adoção forçada por Big Techs, com conexões a protestos por governança.

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Em uma época em que as grandes empresas de tecnologia parecem determinar não apenas o que usamos, mas como pensamos e nos comunicamos, uma revolução silenciosa está acontecendo nas bibliotecas públicas dos Estados Unidos. Bibliotecários como **Hannah Cyrus**, da Bangor Public Library no Maine, e **Charlie Bailey**, em South Philadelphia, estão organizando workshops intitulados 'Avoiding AI' que estão lotando salas e gerando listas de espera, atraindo dezenas de pessoas que buscam recuperar o controle sobre suas vidas digitais. Esses encontros, que começaram com perguntas recorrentes de frequentadores sobre como desativar recursos de inteligência artificial que aparecem sem serem solicitados, agora se espalham pelo mundo, refletindo um cansaço coletivo com a adoção forçada de ferramentas como o Apple Intelligence e o Gemini do Google. O que está em jogo não é apenas tecnologia, mas a própria noção de autonomia em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos que antecipam desejos e reescrevem comunicações antes mesmo de as formularmos. Ao oferecer passos práticos para desativar essas funcionalidades e entender por que elas podem ser problemáticas, esses workshops prometem empoderar os participantes a fazer escolhas informadas, transformando a frustração em ação concreta e questionando até onde estamos dispostos a ceder o volante da nossa existência digital.

## O problema da IA imposta sem consentimento

Imagine acordar e descobrir que seu telefone já está reescrevendo seus e-mails ou resumindo suas buscas na internet com resumos gerados por IA, mesmo que você nunca tenha pedido por isso, uma realidade que muitos usuários enfrentam hoje e que motivou **Hannah Cyrus** a criar os workshops após receber inúmeras perguntas de patronos frustrados com a intrusão de chatbots e ferramentas de IA em seus dispositivos. A **Big Tech** tem forçado a adoção dessas tecnologias, integrando-as por padrão em sistemas operacionais e aplicativos, o que levanta questões profundas sobre privacidade e consentimento em um cenário onde a conveniência parece vir acompanhada de uma perda sutil de agência individual. Não se trata de rejeitar a tecnologia por completo, mas de questionar quem decide o que entra em nossas vidas digitais e com que velocidade, pois a IA generativa, quando não solicitada, pode se tornar uma presença invasiva que molda interações cotidianas sem que percebamos. Os workshops começam explicando de forma simples como funciona a IA generativa, por que ela pode ser não confiável como fonte de informação e quais são as preocupações com privacidade associadas ao compartilhamento de dados com grandes empresas, permitindo que os participantes compreendam o bug por trás da aparente facilidade e vejam a tecnologia como uma ferramenta que deve servir ao usuário, e não o contrário, em um diálogo que conecta o prático ao ético.

## Por que o movimento está crescendo agora

As sessões de **Hannah Cyrus** atraíram cerca de **70 participantes** cada, incluindo transmissões ao vivo pelo Zoom, em contraste com as cerca de **12 pessoas** que costumam comparecer às aulas tradicionais de introdução à computação, revelando um interesse crescente por parte do público em entender e resistir às pressões das grandes corporações tecnológicas que invadem dispositivos sem aviso prévio. **Charlie Bailey**, inspirado pelo trabalho de Cyrus, realizou workshops de cerca de uma hora em uma sala de crianças na biblioteca de South Philadelphia, onde explicou passo a passo como desativar o Apple Intelligence e o Gemini em telefones, usando um projetor para demonstrar as configurações e encorajando os participantes a praticar em tempo real com seus próprios aparelhos. O post no Instagram da biblioteca sul-filadelfiana sobre o evento recebeu mais de **2.000 curtidas** e **220 compartilhamentos**, levando à organização de uma segunda sessão e demonstrando como a mensagem ressoa em comunidades que compartilham preocupações como a expansão de data centers perto de suas casas, o impacto ambiental da IA e a pressão no local de trabalho para adotar essas ferramentas, embora muitos reconheçam o potencial positivo em áreas como pesquisas médicas e notem a utilidade de tecnologias como OCR para documentos de biblioteca. Uma dica prática compartilhada foi adicionar '&udm=14' à URL de busca do Google para ocultar resultados gerados por IA, e tudo isso aponta para um momento em que a adoção forçada pode ser o ponto de ruptura para muitos, como observou Cyrus, mostrando que a recusa não é absoluta, mas seletiva e informada por dados concretos sobre exploração digital e valores de privacidade.

## Passos práticos para desativar a IA e recuperar a agência

Nos workshops, o foco está em equipar os participantes com conhecimento e ações concretas, alinhando-se aos valores bibliotecários de privacidade e liberdade intelectual, conforme descrito no artigo de **Hannah Cyrus** publicado em março de 2026 na revista Information Technology and Libraries, que explora como os trabalhadores de bibliotecas podem promover a recusa de tecnologias conflitantes. O programa inclui uma visão geral dos chatbots de IA e ferramentas de consumo, razões para usar ou abster-se, e tutoriais detalhados para desabilitar funcionalidades em dispositivos, ensinando os participantes a navegar nas configurações de seus smartphones para desligar o Apple Intelligence da Apple ou o Gemini do Google, evitando que essas ferramentas acessem dados pessoais sem permissão explícita. Além disso, são encorajados a trazer seus próprios dispositivos ou usar os computadores da biblioteca para praticar em tempo real, com o evento específico de 8 de abril de 2026 na Bangor Public Library ocorrendo das 14h às 16h no Norman Minsky Lecture Hall, em formato presencial ou online via Zoom, gratuito e com registro obrigatório. Essa ênfase em recusar como forma de instrução transforma as bibliotecas em espaços de resistência informada, onde o mito de que a tecnologia é neutra é desafiado e os facilitadores apresentam ambos os lados para que os participantes tomem decisões baseadas em preocupações reais com data brokers e exploração digital, em vez de aceitarem passivamente o que é imposto pelas empresas.

## Reflexões sobre o futuro da autonomia humana na era digital

Quando observamos esse fenômeno nas bibliotecas, não podemos deixar de nos perguntar o que diz sobre nossa sociedade o fato de que pessoas estão buscando refúgio em espaços públicos para aprender a dizer não a tecnologias que prometem facilitar a vida, mas que muitas vezes invadem sem consentimento. Em um cenário onde visões distópicas de máquinas pensando por nós parecem se materializar, esses workshops oferecem um contraponto esperançoso que nos convida a refletir sobre os limites da autonomia humana em face de algoritmos que moldam não apenas recomendações, mas potencialmente decisões cotidianas, conectando o debate a movimentos maiores de protesto contra o avanço descontrolado da IA. [Esses protestos](https://desbugados.com.br/post/2026/07/15/protestos-cercam-openai-e-google-entenda-o-movimento-contra-o-avanco-da-ia) ecoam o desejo de pontes entre tecnologia e valores humanos, e os workshops em bibliotecas são uma manifestação prática desse anseio por governança e transparência, lembrando-nos de que a verdadeira inovação deve respeitar a liberdade de escolha e priorizar a agência individual sobre a conveniência imposta. Ao priorizar o controle do usuário, esses programas não rejeitam o progresso, mas questionam quem o define e para quem ele serve, em um diálogo que une o prático ao filosófico e estimula a reflexão sobre como queremos que a tecnologia molde nosso futuro coletivo.

Em conclusão, a caixa de ferramentas que esses workshops entregam inclui dicas acionáveis como usar parâmetros específicos em buscas para filtrar IA, desativar funcionalidades em configurações de dispositivos e buscar recursos em bibliotecas locais para aprender mais sobre privacidade e recusa informada. O próximo passo para o leitor curioso é verificar se sua biblioteca pública oferece eventos semelhantes ou entrar em contato com profissionais como **Hannah Cyrus** para materiais e slides, garantindo que você não apenas desbuga sua própria experiência digital, mas contribui para um diálogo maior sobre autonomia e ética na era da IA, fazendo com que o potencial humano continue no centro das decisões.