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title: "EUA proíbem robôs humanoides chineses. A guerra fria tech agora tem corpo (e pernas)"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-07-29 07:30:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/07/29/eua-proibem-robos-humanoides-chineses-a-guerra-fria-tech-agora-tem-corpo-e-pernas/md"
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## Resumo
- A FCC dos EUA baniu novas importações de robôs humanoides e quadrupedes chineses por razões de segurança nacional.
- China começou a fabricar suas próprias máquinas de litografia DUV por imersão liderada pela Shanghai Aishengna.
- A proibição não afeta robôs já em uso e visa proteger contra vulnerabilidades em supply chain e cibersegurança.
- A produção chinesa visa entregar 5 máquinas em 2026 e cerca de 20 em 2027 para SMIC e outras.
- Ações da ASML caíram 8,5% e de outras empresas de semicondutores também registraram quedas.
- A porta-voz chinesa Mao Ning criticou o abuso do conceito de segurança nacional e prometeu medidas de defesa.
- Empresas chinesas respondiam por 90% dos embarques globais de humanoides no ano anterior.

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Em 29 de julho de 2026, a **FCC** dos Estados Unidos anunciou a proibição de importações de novos robôs humanoides e quadrupedes fabricados no exterior, direcionando o foco principal para a China e justificando a medida com base em riscos inaceitáveis à segurança nacional que abrangem vulnerabilidades na cadeia de suprimentos, privacidade de dados e cibersegurança, o que representa um marco importante na evolução da guerra tecnológica global que agora alcança a robótica avançada com pernas e braços. Essa decisão surge justamente quando a China responde pela vasta maioria dos embarques mundiais de robôs humanoides no ano anterior, com empresas do país fornecendo cerca de **90%** do total global e os Estados Unidos servindo como o maior destino de exportação para essas máquinas avançadas. A proibição não se aplica aos modelos que já estão em uso, mas impede novas entradas no mercado americano, criando um cenário onde as empresas chinesas líderes no setor precisam buscar alternativas ou adaptar suas estratégias para continuar inovando em um ambiente de restrições crescentes.

## A Proibição e os Detalhes da Medida de Segurança Nacional

Além da proibição dos robôs, a medida da **FCC** também inclui a adição de conversores de energia conectados usados em projetos de energia renovável, baterias e data centers à lista de equipamentos considerados de risco, o que amplia o alcance da decisão para além da robótica e atinge diretamente a infraestrutura energética que depende de componentes estrangeiros. A determinação foi baseada em uma análise interagency convocada pela Casa Branca na segunda-feira anterior, refletindo preocupações com espionagem e possíveis apagões causados por equipamentos vulneráveis, conforme relatos de fontes como o Politico e a AP News. Essa abordagem amplia o conceito de segurança nacional para abranger não apenas o software e os chips, mas também os dispositivos físicos que incorporam inteligência artificial em formas humanoides, marcando uma evolução na forma como os países protegem suas infraestruturas críticas contra influências externas.

Enquanto a proibição americana se desenrola, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, **Mao Ning**, respondeu em coletiva de imprensa na quarta-feira criticando o que ela descreveu como abuso do conceito de segurança nacional para suprimir empresas chinesas e afirmou que o país tomará todas as medidas necessárias para defender seus interesses legítimos, caracterizando a ação como protecionismo que prejudica tanto empresas quanto consumidores americanos. Essa resposta oficial destaca o tom de confrontação que permeia as relações tecnológicas entre as duas potências, onde cada lado acusa o outro de práticas desleais e busca consolidar sua posição em áreas estratégicas como a robótica e a fabricação de semicondutores.

## O Domínio Chinês no Setor de Robôs Humanoides e as Empresas Envolvidas

Para entender a magnitude da proibição, é importante notar que seis de dez startups de humanoides entre as principais por força de patentes são chinesas, segundo dados da LexisNexis, e empresas como **Unitree**, **Agibot**, **UBTech** e **Galbot** são citadas como líderes nesse mercado emergente que combina corpos mecânicos avançados com cérebros de inteligência artificial. A China fornece a vasta maioria dos robôs humanoides mundiais, e o fato de os Estados Unidos serem o maior mercado de exportação torna a medida americana particularmente impactante para o crescimento futuro dessas companhias, que agora enfrentam barreiras para acessar um dos maiores consumidores globais de tecnologia robótica. Essa dominação não é recente e reflete investimentos significativos da China em pesquisa e desenvolvimento de robôs que podem realizar tarefas em ambientes humanos, desde assistência em fábricas até aplicações em serviços.

Em contraste com a restrição americana, é possível observar que algumas empresas chinesas como a **Unitree** já estão explorando parcerias internacionais, como detalhado em reportagens anteriores sobre expansões da **Nvidia** para além da China em projetos de robôs humanoides, o que sugere que o setor busca diversificação mesmo em meio às tensões. [Saiba mais sobre as parcerias da Nvidia com fabricantes de robôs humanoides além da China](https://desbugados.com.br/post/2026/06/01/nvidia-expande-parcerias-para-robos-humanoides-alem-da-china). Essa estratégia de diversificação pode se tornar essencial para as empresas afetadas pela proibição, permitindo que continuem a inovar e a fornecer soluções robóticas para outros mercados ao redor do mundo.

## A Produção Doméstica de Máquinas de Litografia DUV pela China

Paralelamente à proibição de robôs, a China deu um passo significativo em direção à autossuficiência tecnológica ao iniciar a produção em massa de máquinas de litografia ultravioleta profunda por imersão, conhecidas como **DUV immersion**, que são ferramentas fundamentais para a fabricação de chips avançados ao permitirem a gravação de circuitos extremamente pequenos em wafers de silício. A **Shanghai Aishengna Electronic Technology Group**, uma empresa estatal pouco conhecida fundada em agosto de 2023 com capital registrado de **7 bilhões de yuan** ou aproximadamente **1 bilhão de dólares**, lidera esse esforço após incorporar equipes de startups de litografia chinesas como a Yuliangsheng e a **SMEE**, que é afiliada à SiCarrier e apoiada pela Huawei, com respaldo de entidades como a Shanghai Electric Holding e uma subsidiária da Shanghai International Trust. As primeiras entregas estão planejadas para ainda em **2026** a empresas como **SMIC**, **Hua Hong Semiconductor** e **ChangXin Memory Technologies** ou **CXMT**, com a expectativa de que o número de máquinas disponíveis possa chegar a cerca de **20 unidades em 2027**, embora a tecnologia ainda exija testes adicionais e esteja longe de igualar os modelos mais avançados da **ASML** holandesa.

Essa iniciativa chinesa de produzir suas próprias máquinas de litografia representa uma resposta direta às sanções e restrições anteriores impostas pelos Estados Unidos no setor de chips, permitindo que o país avance na fabricação de semicondutores sem depender exclusivamente de equipamentos importados, o que fortalece toda a cadeia produtiva interna e reduz vulnerabilidades em um momento de intensas tensões geopolíticas, como visto em capítulos anteriores da guerra fria da IA onde a China proibiu compras de chips de IA da Nvidia por big techs chinesas. [Detalhes sobre a proibição chinesa de chips da Nvidia em nossa cobertura anterior](https://desbugados.com.br/post/2025/09/21/guerra-fria-20-china-proibe-suas-big-techs-de-comprarem-chips-de-ia-da-nvidia). O desenvolvimento dessas máquinas, que incorporam tecnologias de imersão para aumentar a precisão na litografia, marca um progresso notável para a indústria chinesa de equipamentos de fabricação de chips, que historicamente dependia de fornecedores estrangeiros para os processos mais sofisticados.

## Impactos Imediatos no Mercado de Ações e nas Empresas Ocidentais

A notícia da produção em massa chinesa de máquinas de litografia causou quedas imediatas nas ações de empresas ocidentais especializadas em equipamentos para semicondutores, com a **ASML** registrando uma queda de cerca de **8,5%**, a **Besi** cerca de **10%**, a **ASM International** cerca de **7%** e quedas similares de aproximadamente **7%** em companhias como **AMD**, **Lam Research**, **Applied Materials** e **KLA**, refletindo o receio do mercado de que a autossuficiência chinesa possa reduzir a demanda por produtos estrangeiros no futuro. Esses movimentos no mercado financeiro ilustram como as decisões em uma frente da guerra tecnológica, como a produção de equipamentos para chips, têm repercussões diretas em investidores e empresas que dependem do domínio histórico em litografia e processos de fabricação avançados.

## A Caixa de Ferramentas para Navegar a Disputa Tecnológica

Com esses desenvolvimentos, fica claro que a guerra tecnológica entre Estados Unidos e China agora abrange não apenas chips e inteligência artificial, mas também robôs humanoides e as máquinas que os produzem, exigindo que profissionais, empreendedores e estudantes acompanhem de perto as mudanças nas cadeias de suprimentos e as políticas de segurança nacional. A caixa de ferramentas inclui monitorar comunicados oficiais da **FCC** e do Ministério das Relações Exteriores chinês para atualizações, diversificar fornecedores de tecnologia para mitigar riscos de proibições, e explorar parcerias internacionais como as mencionadas em reportagens sobre expansões da Nvidia, além de investir em conhecimento sobre litografia e robótica para entender as implicações práticas em negócios e carreiras. O próximo passo concreto é analisar como essas medidas afetam projetos específicos de automação em sua área de atuação e buscar fontes confiáveis para se manter informado sobre os desdobramentos futuros dessa rivalidade em expansão.