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title: "COR, plataforma de IA argentina com chancela do Mercado Livre, levanta US$ 30 milhões para invadir o Brasil"
author: "André Iglesias"
date: "2026-07-31 08:30:00-03"
category: "Negócios & Inovação"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/07/31/cor-plataforma-de-ia-argentina-com-chancela-do-mercado-livre-levanta-us-30-milhoes-para-invadir-o-brasil/md"
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## Resumo
- A startup argentina COR, plataforma de IA para gestão de rentabilidade de projetos, captou US$ 30 milhões em rodada liderada pelo fundo americano FTV Capital, que administra mais de US$ 10,2 bilhões.
- O primeiro investidor da COR foi Marcos Galperin, fundador do Mercado Livre. Posteriormente, atraiu outros oito fundadores de 'unicórnios' e executivos de gigantes como Google, Walmart e Yahoo!, além dos fundos 500 Global e GFC.
- Fundada em 2017 em Buenos Aires, a COR encerrou 2025 com crescimento de 51% na receita e já atende milhares de equipes em 38 países, incluindo clientes como Globant GUT e agências do Publicis Groupe.
- Os recursos serão usados para acelerar as capacidades de IA da plataforma, especialmente na gestão de equipes híbridas de humanos e agentes de IA, e para expandir para novos setores como escritórios jurídicos, contabilidade e desenvolvimento de software.
- O Brasil é o mercado prioritário da COR na América Latina. Para liderar a expansão, a startup nomeou em julho de 2026 Birger Kamrath, ex-CEO da Skills Workflow, como Country Manager.
- Cerca de um terço das agências médias e grandes da América Latina já utilizam a plataforma da COR para integrar gestão de projetos, registro de horas e análise de rentabilidade em tempo real.
- A rodada de investimento representa a primeira captação pública da COR e valida seu modelo de negócio como um 'sistema operacional com IA nativa' para o setor de serviços profissionais global.

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Imagine que você é o piloto de um caça F-22 Raptor em uma missão complexa. Você tem dezenas de instrumentos, milhares de dados de radar, telemetria e comunicações chegando em tempo real, mas sua tarefa principal é uma só: neutralizar o alvo com a máxima eficiência e voltar para casa. No universo dos negócios de serviços profissionais, como agências de publicidade e consultorias, a situação não é muito diferente. Cada projeto é uma missão, e os recursos — tempo das equipes, dinheiro investido, ferramentas utilizadas — são seus combustível e munição. O grande 'bug' que atormenta esse mercado há décadas é a falta de clareza sobre quanto cada uma dessas missões realmente custa e, mais importante, quanto ela rende de lucro. É como voar à noite, em tempestade, sem instrumentos de navegação. A startup argentina **COR** surgiu para instalar o painel de controle definitivo nessa cabine de pilotagem, e acabou de receber **US$ 30 milhões** de combustível de alta octanagem para expandir essa revolução digital, com o Brasil firmemente no ponto de mira.

## Da garagem de Once ao radar global: a trajetória da COR

A história da COR começa em 2017, no bairro de Once, em Buenos Aires, quando **Santiago 'Santi' Bibiloni**, **José Gettas** e **Gabriel Marin** uniram suas expertises para resolver um problema que conheciam na pele. Bibiloni é o CEO, Gettas o COO e Marin o CTO — uma combinação clássica de visão de negócios, eficiência operacional e conhecimento técnico profundo. A solução que desenvolveram não é um mero software de gestão de projetos, que apenas lista tarefas e prazos. A plataforma da COR funciona como um **sistema operacional com inteligência artificial nativa**, que integra em uma única interface o registro automático de horas, o planejamento de recursos humanos e a análise de rentabilidade em tempo real. Isso significa que, à medida que uma equipe marca horas em uma tarefa, a IA da COR já está calculando o impacto no orçamento do projeto, comparando com o planejado e alertando gestores sobre possíveis desvios antes que eles se tornem prejuízos. O conceito de 'agentic capabilities', que a empresa destaca em seus comunicados, refere-se a agentes de IA que não apenas analisam dados, mas podem tomar ações autônomas, como sugerir realocação de recursos ou ajustes no escopo para otimizar a rentabilidade, transformando o software em um verdadeiro co-piloto estratégico.

## US$ 30 milhões e um elenco de estrelas: quem está por trás do investimento

Em 28 de julho de 2026, a COR oficializou uma rodada de investimento de **US$ 30 milhões**, liderada pela **FTV Capital**, um fundo de crescimento focado em tecnologia que administra mais de **US$ 10,2 bilhões** em ativos globalmente. A escolha da FTV Capital não é aleatória; o fundo é especialista em empresas de software como serviço (SaaS) que atendem setores específicos, e a COR se encaixa perfeitamente em seu mandato. Mas o que realmente chama a atenção nesta rodada é o pedigree dos investidores-anjo que aportaram capital nos estágios iniciais da startup. O primeiro cheque veio de **Marcos Galperin**, o fundador e CEO do Mercado Livre, o maior e-commerce da América Latina. A chancela de Galperin, um dos empresários mais respeitados e criteriosos da região, funcionou como um selo de aprovação de altíssimo nível para outros investidores de peso. Após ele, outros **oito fundadores de 'unicórnios'** (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) e executivos de empresas como **Google**, **Walmart** e **Yahoo!** entraram no capital da COR. Além disso, fundos institucionais como o **500 Global** e o **GFC** também participaram, consolidando uma base de acionistas que não traz apenas dinheiro, mas uma rede de contatos e experiência globais valiosíssima. A rodada de US$ 30 milhões da FTV Capital, portanto, não é um início, mas a validação massiva de um modelo de negócio que já havia conquistado o respeito dos insiders mais exigentes do Vale do Silício e da América Latina.

## Brasil: o campo de batalha prioritário

Com o cofre recheado, para onde a COR aponta suas baterias? A resposta é clara e inequívoca: o **Brasil**. O país é definido pela própria empresa como seu 'principal mercado da COR na América Latina'. Para liderar essa invasão estratégica, a startup nomeou, em 17 de julho de 2026, **Birger Kamrath** como Country Manager. Kamrath não é um nome qualquer; ele era o CEO da **Skills Workflow**, uma plataforma de gestão de projetos e recursos para agências que já tinha presença consolidada no mercado brasileiro. Sua contratação é um sinal claro de que a COR não veio para brincar. Ela busca acelerar a adoção de sua plataforma em um mercado que, segundo os próprios dados da empresa, já é imenso: **cerca de um terço das agências médias e grandes da América Latina** já operam com a COR. A nomeação de Kamrath, um executivo com trânsito e conhecimento profundo do ecossistema criativo e profissional brasileiro, é a jogada tática para converter essa fatia existente em uma posição dominante e, principalmente, para conquistar as outras duas fatias do mercado que ainda não conhecem a plataforma. A aposta é direta: com a inteligência artificial como diferencial, a COR quer se tornar a ferramenta indispensável para qualquer agência, consultoria ou escritório que queira deixar de voar no escuro e passar a gerir seus projetos com a precisão de um cirurgião.

## O futuro das agências: humanos e agentes de IA trabalhando juntos

A visão da COR para o futuro do trabalho em agências e consultoras é fascinantemente semelhante à dinâmica de um jogo de estratégia em tempo real, como **StarCraft**. Nesses jogos, o jogador humano define a estratégia, os objetivos de alto nível e as decisões críticas, enquanto as unidades de IA (os 'trabalhadores') executam tarefas repetitivas, coletam recursos e reportam dados em tempo real para que o líder tenha uma visão clara do 'campo de batalha'. É exatamente isso que a COR propõe com sua aposta em **'gestão de equipes híbridas de humanos e agentes'**. Os recursos do aporte de US$ 30 milhões serão usados para acelerar essas capacidades agentic da plataforma. Na prática, isso significa que, no futuro muito próximo, um gerente de projetos não precisará mais gastar horas compilando relatórios de horas ou calculando a margem de lucro. Um agente de IA dentro da COR fará isso automaticamente, e ainda poderá sugerir: 'Projeto X está consumindo 20% mais horas de design do que o planejado. Sugiro realocar o designer júnior da equipe Y para ajudar, o que manterá a margem de lucro dentro do objetivo'. Essa simbiose entre a criatividade e o julgamento humano e a eficiência processual da IA é o grande salto que a COR promete, e é o que seduz tanto investidores quanto clientes. A promessa é tirar os profissionais criativos e estratégicos da operação burocrática para que eles possam focar no que fazem de melhor: pensar, criar e inovar.

## Além das agências: a expansão para novos 'verticais'

A estratégia de crescimento da COR, no entanto, não se limita ao universo das agências de publicidade. Parte dos US$ 30 milhões será destinada à **expansão para novos verticais** — termo do mercado que significa setores específicos da economia. A startup já mira três frentes claras: **escritórios jurídicos**, **empresas de contabilidade** e **desenvolvedoras de software**. A escolha não poderia ser mais lógica. Todos esses setores compartilham a mesma estrutura operacional das agências: vendem o tempo e o conhecimento especializado de suas equipes em forma de projetos ou serviços. O 'bug' da falta de visibilidade sobre a rentabilidade real de cada projeto é igualmente crítico nessas indústrias. Um escritório de advocacia, por exemplo, que não sabe com precisão quanto custa uma hora de seu sócio júnior versus seu sócio sênior em determinado tipo de caso, está navegando às cegas. A COR quer ser o farol que ilumina esse caminho, replicando seu modelo bem-sucedido de gestão de rentabilidade para qualquer negócio baseado em projetos e serviços profissionais. Essa ambição de se tornar um 'sistema operacional' universal para o setor de serviços é o que justifica o valuation e o entusiasmo dos investidores ao redor do mundo.

A rodada de US$ 30 milhões liderada pela FTV Capital, com a benção de um titan como Marcos Galperin, não é apenas uma boa notícia para a COR. É um marco para todo o mercado de 'PropTech' ou, mais precisamente, 'Professional Services Technology' na América Latina. Sinaliza que a região está produzindo empresas de software sofisticadas, com tecnologia de ponta em IA, capazes de atrair capital global de primeiro mundo e competir de igual para igual com soluções de qualquer lugar do planeta. Com a nomeação de Birger Kamrath e o foco declarado no Brasil, o recado para agências, escritórios de advocacia e consultorias brasileiras é direto: a revolução da gestão inteligente e baseada em dados chegou. O próximo passo para essas empresas será avaliar se suas ferramentas de gestão atuais são aquelas 'velhas planilhas de Excel' que todos conhecem, ou se estão prontas para dar o salto para um sistema operacional com IA que não apenas organiza o trabalho, mas garante que cada projeto, cada missão, seja concluído com máxima eficiência e lucratividade. A era de voar no escuro está, oficialmente, chegando ao fim.