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title: "EUA propõem restrições a investimentos em tecnologia; China reage"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-10-25 06:10:10.392-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/10/25/eua-propoem-restricoes-a-investimentos-em-tecnologia-china-reage/md"
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## Resumo
- Os Estados Unidos propuseram ampliar restrições a investimentos em tecnologias sensíveis de países considerados adversários.
- A medida inclui China, Hong Kong, Macau, Coreia do Norte, Rússia, Irã e Cuba.
- Os setores citados abrangem semicondutores, microeletrônica, inteligência artificial e computação quântica.
- A proposta também menciona computação de alto desempenho, supercomputação, biotecnologia e sistemas hipersônicos.
- A China classificou a iniciativa como discriminatória e pediu que Washington interrompa a expansão.
- Pequim reservou o direito de adotar contramedidas, mas não informou quais seriam.
- A consulta pública americana ficará aberta até 7 de dezembro de 2026.

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Em **22 de outubro de 2026**, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos propôs ampliar as restrições a investimentos em tecnologias sensíveis de países considerados adversários, segundo a [proposta divulgada pelo governo americano](https://en.yna.co.kr/view/AEN20261024000200315). A medida transforma o capital privado em uma fronteira de segurança nacional: empresas e investidores terão de observar não apenas onde aplicam recursos, mas também quais capacidades tecnológicas esse dinheiro pode ajudar a desenvolver.


## O dinheiro como fronteira tecnológica


Baseada na **Comprehensive Outbound Investment National Security Act**, parte da Lei de Autorização de Defesa Nacional fiscal de 2026, a iniciativa busca impedir que adversários utilizem capital americano para desenvolver capacidades militares avançadas. O alcance previsto inclui a **China**, com Hong Kong e Macau, além de Coreia do Norte, Rússia, Irã e Cuba. A geografia da restrição, portanto, acompanha uma disputa sobre o destino do conhecimento financiado.


Na primeira camada tecnológica aparecem **semicondutores** e microeletrônica. A proposta também cita inteligência artificial e **computação quântica**, áreas em que o investimento pode sustentar pesquisa, infraestrutura e aplicações de uso militar. As fontes não detalham, neste momento, como cada categoria será aplicada a operações específicas, mas deixam claro que Washington pretende controlar a origem do capital antes que ele atravesse a fronteira.


## Uma lista que se amplia


A relação inclui ainda **computação de alto desempenho** e supercomputação, tecnologias associadas ao processamento de grandes volumes de dados e à execução de cálculos complexos. Outras informações da pauta mencionam biotecnologia e **sistemas hipersônicos**, ampliando o alcance da proposta para além dos componentes eletrônicos. É nesse ponto que uma regra financeira começa a adquirir a forma de um mapa estratégico sobre áreas inteiras de pesquisa.


O governo chinês reagiu pedindo que Washington interrompa a expansão. Segundo o [Ministério do Comércio da China](https://www.reuters.com/world/china/china-urges-us-halt-proposed-expansion-outbound-investment-curbs-2026-10-24/), a proposta é "discriminatória" e prejudica os laços comerciais entre os dois países. Pequim também afirmou que a iniciativa desestabiliza a ordem econômica internacional e ignora consensos anteriores entre os chefes de Estado, levando a disputa do terreno tecnológico para o diplomático.


## O próximo movimento ainda está aberto


A objeção chinesa não se limita ao impacto bilateral. Pequim acusou os Estados Unidos de usar de forma excessiva o conceito de **segurança nacional** para politizar questões econômicas e afirmou que as restrições prejudicam a cooperação e os interesses de empresas americanas. A China também destacou o potencial de seu mercado para investimentos e consumo, enquanto reservou o direito de tomar contramedidas sem especificar quais seriam.


O próximo prazo concreto está nos Estados Unidos: o público poderá enviar comentários até **7 de dezembro de 2026**. Até lá, a proposta seguirá entre a justificativa de impedir o financiamento de capacidades militares e a acusação chinesa de que Washington está redesenhando as relações econômicas por meio da segurança nacional. A fronteira permanece no papel, mas já separa quem pode financiar a tecnologia de quem poderá desenvolvê-la.