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title: "Carta e NewView criam liquidez para funcionários de startups"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-10-26 06:16:18.429-03"
category: "Negócios & Inovação"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/10/26/carta-e-newview-criam-liquidez-para-funcionarios-de-startups/md"
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## Resumo
- Carta e NewView Capital anunciaram uma parceria em outubro de 2026 para facilitar ofertas de recompra de ações.
- A Carta fornece infraestrutura para organizar tabelas de capital, enquanto a NewView contribui com experiência em transações secundárias.
- Funcionários de startups, especialmente entre as Séries B e D, poderão vender parte das ações investidas antes de um IPO ou aquisição.
- As ofertas devem movimentar no mínimo US$ 5 milhões e ser executadas em três a quatro semanas.
- A iniciativa responde ao fato de que startups podem permanecer privadas por 12 a 15 anos.
- Somente 44 transações desse tipo foram executadas no primeiro semestre de 2026.
- Carta e NewView projetam uma triplicação das ofertas para empresas de Série C em diante nos próximos três anos.

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Para quem recebe ações como parte da remuneração, o relógio de uma startup privada pode ser longo: a participação existe, mas não é comercializável. É para encurtar essa espera que a [**Carta** e a **NewView Capital** anunciaram, em outubro de 2026, uma parceria](https://techcrunch.com/2026/10/23/carta-and-newview-partner-hoping-to-entice-more-startups-to-let-employees-sell-shares-early/) para facilitar ofertas de recompra, conhecidas como tender offers. Nelas, funcionários podem vender parte das ações investidas antes de um IPO ou de uma aquisição, especialmente em empresas entre as Séries B e D.

<n## Da tabela de capital à venda parcial

A divisão de tarefas ajuda a entender a proposta. A **Carta** entra com a infraestrutura de sua plataforma, usada para administrar tabelas de capital, os registros que organizam as participações em uma empresa. A **NewView Capital** acrescenta experiência na estruturação de transações secundárias, nas quais participações já existentes mudam de mãos. A combinação foi desenhada para simplificar uma operação que conecta a startup, seus funcionários e os compradores das ações.

O programa prevê ofertas com valor mínimo de **US$ 5 milhões** e execução em três a quatro semanas. Em geral, os funcionários venderiam entre **10% e 20%** das cotas investidas, antes dos eventos tradicionais de liquidez. A proposta foi posicionada como uma estratégia de retenção e motivação de talentos, porque oferece uma forma de transformar parte da remuneração acionária em dinheiro sem exigir que a empresa já tenha chegado ao mercado público.

<n## Por que a espera ficou longa

Essa necessidade nasceu de uma mudança no tempo de vida das startups. Empresas têm levado de [**12 a 15 anos** para abrir o capital](https://en.hacks.gr/carta-kai-newview-synergazontai-gia-polisi-metochon-se-idioties-etaireies/), segundo a pesquisa citada pelas empresas. Durante esse período, funcionários podem acumular ações como parte da remuneração, mas permanecem sem um mercado regular para vendê-las. A oferta de recompra aparece, portanto, como uma ponte entre a promessa futura de valorização e uma necessidade financeira que acontece no presente.

Os números mostram por que a parceria ainda é uma aposta de expansão. Em **2026**, somente 44 transações desse tipo foram executadas no primeiro semestre, segundo dados das empresas; Decagon, Wayve e ElevenLabs fizeram ofertas recentes. A pesquisa da Carta e da NewView projeta que o volume de ofertas para companhias de Série C em diante triplique nos próximos três anos. A piada de sistema é inevitável: quando uma ação privada entra na fila do IPO, ela ganha liquidez? Não, ganha senha. É ruim, eu sei, mas o prazo de três a quatro semanas tenta tornar essa espera menos abstrata.