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title: "Data centers de IA transformam revestimentos em negócio estratégico"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-10-26 06:22:41.762-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/10/26/data-centers-de-ia-transformam-revestimentos-em-negocio-estrategico/md"
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## Resumo
- A PPG espera triplicar em 2026 as vendas de revestimentos para data centers.
- O custo de revestir uma única instalação pode variar entre US$ 3 milhões e US$ 8 milhões.
- Os produtos oferecem proteção contra fogo, ferrugem, eletricidade estática e interferências elétricas.
- O Steelguard 951 protege estruturas de aço contra calor extremo.
- Mais de 75 componentes de data centers utilizam revestimentos da PPG.
- A empresa criou equipes para trabalhar com arquitetos e engenheiros antes do início das obras.

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Uma camada cinza, quase invisível depois que a obra termina, tornou-se um dos sinais mais concretos da corrida pela inteligência artificial. A **PPG espera triplicar em 2026** as vendas de revestimentos destinados a data centers, segundo [informações sobre o avanço desse mercado](https://c-level.folha.uol.com.br/ia/2026/10/a-tinta-cinza-nunca-esteve-tao-em-alta-quanto-no-boom-da-inteligencia-artificial.shtml). O dado desloca a discussão sobre IA dos chips e dos modelos para as superfícies que precisam manter essas instalações funcionando. Afinal, que tipo de infraestrutura uma tecnologia invisível exige para existir?


## A camada que protege a máquina


Por trás da cor há uma função bastante concreta. Os revestimentos usados em data centers ajudam a proteger as estruturas contra **fogo e ferrugem**, enquanto outras aplicações lidam com eletricidade estática e interferências elétricas, que podem afetar equipamentos sensíveis. O custo dessa proteção também está longe de ser marginal: revestir um único data center pode custar entre **US$ 3 milhões e US$ 8 milhões**. A tinta, nesse caso, deixa de ser acabamento e passa a participar da engenharia do prédio, como uma pele técnica aplicada antes que a infraestrutura seja ocupada.


Essa função aparece em partes que raramente entram na imagem pública da IA. O produto **Steelguard 951**, por exemplo, protege o aço contra calor extremo, de acordo com a [reportagem sobre a estratégia da PPG para data centers](https://www.nwaonline.com/news/2026/oct/25/paintmaker-ppg-seeing-benefits-from-surge-in-data/?business). Mais de **75 componentes** dessas instalações utilizam revestimentos da marca, incluindo câmeras e equipamentos de refrigeração. O número sugere uma presença espalhada por diferentes pontos da obra, e não concentrada apenas na sala onde ficam os servidores.


## A obra começa antes dos servidores


Essa presença também muda o momento em que um fornecedor de materiais precisa entrar no projeto. A **PPG criou equipes dedicadas** para trabalhar com arquitetos e engenheiros antes do início das obras, buscando garantir que seus materiais sejam incluídos desde o planejamento. A estratégia faz sentido porque as exigências de segurança e funcionamento precisam ser incorporadas à construção, não acrescentadas como decoração no fim. Quando a inteligência artificial acelera a abertura de novos data centers, a disputa comercial chega à prancheta antes de chegar aos racks.


O crescimento específico desse mercado ajuda a medir a força da transformação. A companhia registrou alta de **7% no trimestre recente**, chegando a US$ 4,5 bilhões, mas o negócio de revestimentos para data centers cresce em ritmo muito superior. A diferença importa porque mostra onde a expansão da IA está pressionando a cadeia de fornecimento: em estruturas metálicas, pisos e carcaças técnicas, além dos componentes que o usuário final nunca vê. O próximo dado a acompanhar é se a previsão de triplicar as vendas em 2026 se confirma, enquanto novas instalações continuam convertendo superfícies cinzentas em parte silenciosa da capacidade computacional.