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title: "Protestos na França deixam mais de 1.300 presos em novo confronto"
author: "André Iglesias"
date: "2026-10-26 06:34:43.441-03"
category: "Modo Anônimo"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/10/26/protestos-na-franca-deixam-mais-de-1300-presos-em-novo-confronto/md"
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## Resumo
- Mais de 1.300 pessoas foram presas nos protestos de 24 de outubro de 2026 na França.
- O movimento começou em escolas do subúrbio de Paris por falta de professores e más condições.
- O governo estimou 410.000 manifestantes, contra 800.000 segundo os sindicatos.
- Confrontos ocorreram em Paris, Marselha, Bordeaux e Lyon, com 53 policiais feridos.
- O rendimento do título francês de dez anos passou de 5% pela primeira vez desde 2002.
- O fim de semana anterior teve cerca de 2.400 prisões e mais de 3.000 lojas danificadas.
- Sindicatos preveem uma nova greve para 5 de novembro.

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Mais de **1.300 pessoas foram presas** em 24 de outubro de 2026, durante uma nova rodada de protestos contra o custo de vida e as condições das escolas na França, segundo [a BBC](https://www.bbc.co.uk/news/articles/c95ynd587ynzo?at_medium=RSS&at_campaign=rss). A polícia mobilizou cerca de 70.000 agentes, e 53 policiais ficaram feridos. O tamanho da operação mostra por que a crise deixou de ser uma disputa localizada e passou a pressionar o governo francês em várias frentes.

## De escolas a confrontos nacionais

A mobilização começou com protestos em **escolas de ensino médio no subúrbio de Paris**, motivados pela falta de professores e pelas más condições dos prédios, antes de se espalhar pelo país. A pauta estudantil encontrou a insatisfação com os preços de energia, combustível e outros itens básicos. Quando reivindicações diferentes passam a ocupar as mesmas ruas, a resposta política fica mais difícil de organizar, e a tensão ganhou escala nacional.

Na nova jornada, o Ministério do Interior estimou **410.000 manifestantes**, enquanto sindicatos apontaram 800.000. Houve confrontos em Paris, Marselha, Bordeaux e Lyon, com uso de gás lacrimogêneo e canhões de água. Dois manifestantes ficaram gravemente feridos, incluindo um jovem de 20 anos em Toulouse que perdeu dedos de uma mão após uma explosão. A violência transformou uma disputa sobre serviços públicos em uma emergência de segurança.

## A pressão chegou à dívida francesa

Além dos confrontos, os mercados passaram a acompanhar o impacto econômico da instabilidade. O rendimento do título público francês de dez anos superou **5% pela primeira vez desde 2002**, em meio aos temores sobre a dívida do país dentro da zona do euro, segundo a [CNBC](https://www.cnbc.com/2026/10/25/france-protests-paris-cost-of-living-inequality.html). O número importa porque mostra que a crise social ocorre ao mesmo tempo em que o governo enfrenta maior pressão para financiar suas contas.

O fim de semana anterior, em 17 e 18 de outubro, já havia registrado cerca de **2.400 prisões**, incêndios e danos severos, incluindo o fogo na prefeitura de Limoges. Mais de 3.000 lojas foram danificadas, e o governo adotou medidas de socorro financeiro para empresas afetadas. O déficit público francês está estimado em 5,4% neste ano, com meta de 5% para 2027, enquanto a sobrevivência do governo minoritário no Parlamento continua ameaçada.

A dimensão política aparece também na avaliação de que **98% dos franceses estão insatisfeitos** com o estado atual do país. O governo liderado pelo primeiro-ministro Sebastien Lecornu enfrenta paralisia parlamentar desde as eleições de 2024, e mais de 6.000 prisões foram registradas desde o início do ano letivo em protestos estudantis. O próximo teste já tem data: sindicatos preveem uma greve em 5 de novembro, enquanto o governo tenta conter a escalada sem aliviar a pressão sobre suas contas.