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title: "AST SpaceMobile avança no Brasil para conectar 200 milhões de linhas"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-11-02 06:47:56.508-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/11/02/ast-spacemobile-avanca-no-brasil-para-conectar-200-milhoes-de-linhas/md"
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## Resumo
- A Anatel autorizou a AST SpaceMobile a usar 30 MHz na banda S e até 20 MHz na faixa de 700 MHz.
- A tecnologia Direct-to-Device conecta satélites diretamente a celulares comuns, sem alterações no hardware.
- A empresa mira mais de 200 milhões de linhas móveis no Brasil por meio de parcerias com operadoras regionais.
- Quatro gateways estão em construção para integrar os satélites BlueBird às redes locais.
- A constelação tem 13 satélites e deve chegar a cerca de 45 no início de 2027 e 243 até o fim de 2028.
- O serviço comercial ainda não tem data, preços ou planos definidos.

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Em outubro de 2026, a **AST SpaceMobile** recebeu autorização da Anatel para usar 30 MHz na banda S, em bloco de 15+15 MHz, e até 20 MHz em uso secundário na faixa de 700 MHz. A empresa quer levar conexão direta de satélites a celulares comuns no Brasil, mirando mais de 200 milhões de linhas móveis. O que muda para o leitor é a arquitetura: áreas sem rede terrestre entram no plano por meio do próprio aparelho, sem troca de hardware, embora a operação ainda dependa da infraestrutura que está sendo construída. [A autorização amplia os detalhes da expansão brasileira](https://exame.com/invest/mercados/rival-da-starlink-avanca-no-brasil-e-quer-levar-satelite-a-200-milhoes-de-celulares).


## Do aparelho ao satélite


Essa conexão tem um nome técnico, **Direct-to-Device**, ou D2D: o satélite se comunica diretamente com um smartphone que não foi modificado para isso. Na conexão convencional, o sinal passa primeiro por uma estação terrestre; na proposta da AST, o telefone pode alcançar o satélite quando a rede terrestre não chega. A combinação das duas faixas autorizadas foi apresentada como base para serviços de voz e dados, levando a cobertura para áreas hoje fora do alcance das operadoras.


Mas a ausência de uma antena terrestre próxima não significa que o sistema dispense o chão. A empresa está construindo **quatro gateways**, estações terrestres que farão a ligação entre os satélites BlueBird e as redes locais. É essa ponte que transforma a promessa orbital em serviço de telecomunicações: o aparelho permanece comum, enquanto a infraestrutura que o conecta ao restante da rede muda de lugar.


## A ponte com as operadoras brasileiras


A arquitetura também depende de acordos locais. A **Brisanet** e a **Unifique** estão entre as operadoras regionais que cederão espectro para a AST, permitindo que a conectividade via satélite seja integrada às redes já existentes. Para o consumidor, isso indica que a oferta não será apresentada como uma rede completamente separada, mas como uma extensão da cobertura das empresas parceiras.


A mesma lógica vale para a **Iez! Telecom** e a **Amazônia 5G**, também incluídas nos acordos anunciados. O modelo distribui responsabilidades: a AST fornece a camada espacial e a infraestrutura de integração, enquanto as operadoras participam com espectro e deverão definir a relação comercial com o cliente. A forma de contratação, portanto, ainda não está desenhada publicamente.


## Uma constelação em construção


Enquanto a rede brasileira toma forma, a constelação precisa crescer para sustentar a ambição anunciada. A AST tem hoje **13 satélites BlueBird** em operação e planeja chegar a cerca de 45 unidades no início de 2027, alcançando até 243 no fim de 2028. A disputa pelo espectro também envolve a **Starlink**, que recebeu uma parcela de 15+15 MHz da banda S em 9 de outubro.


Por enquanto, a operação comercial não tem data definida. O lançamento depende da conclusão dos quatro gateways e do aumento da constelação, enquanto a AST ainda não estabeleceu preços nem planos, tarefa atribuída às operadoras parceiras. [O próximo passo será acompanhar quando essa infraestrutura deixará de ser promessa e passará a atender celulares reais](https://www.developingtelecoms.com/telecom-technology/satellite-communications-networks/21027-ast-spacemobile-gains-s-band-authorisation-in-brazil.html), especialmente nas áreas em que a velha dependência de uma estação terrestre continua sendo o limite da conexão.