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title: "Foxconn quer fabricar computadores quânticos em escala industrial"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-11-02 06:30:29.02-03"
category: "Negócios & Inovação"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/11/02/foxconn-quer-fabricar-computadores-quanticos-em-escala-industrial/md"
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## Resumo
- Foxconn quer se tornar a maior fabricante mundial de computadores quânticos.
- A empresa pretende montar sistemas para desenvolvedores que detêm a tecnologia quântica central.
- Young Liu descreve os computadores quânticos como aceleradores especializados, complementares à computação tradicional.
- A comercialização ampla do setor ainda deve levar pelo menos dois anos.
- Cabos especializados podem superar US$ 1.000 por causa das exigências de temperatura.
- Pesquisas do Hon Hai Research Institute abordam circuitos quânticos e correção de erros.
- A Foxconn ainda não divulgou cronograma de produção nem clientes para a futura fabricação.

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Em **30 de outubro de 2026**, o presidente da Foxconn, Young Liu, declarou em [entrevista à CNBC](https://www.cnbc.com/video/2026/10/30/foxconn-quantum-computer-manufacturer.html) que a empresa quer se tornar a maior fabricante mundial de computadores quânticos. A proposta importa porque desloca a disputa quântica para uma etapa menos visível que a invenção do processador: a capacidade de montar sistemas em escala para quem domina a tecnologia. A Foxconn se apresenta, assim, como uma possível fábrica de uma indústria que ainda procura sua forma comercial.


## A fábrica antes da propriedade


A estratégia descrita por Liu não exige que a **Foxconn** seja dona da tecnologia central. A empresa pretende fabricar sistemas quânticos para terceiros, funcionando como fornecedora de manufatura para marcas que desenvolvem seus próprios métodos. É uma separação relevante: em vez de apostar tudo em uma arquitetura específica, a companhia busca ocupar o espaço de produção que pode servir a diferentes desenvolvedores. A ambição de liderança, portanto, está ligada à montagem dos equipamentos, não à posse de uma única solução tecnológica.


Essa escolha também muda o significado de "maior fabricante". O título não anuncia uma máquina da Foxconn nem um prazo para um produto próprio chegar ao mercado. Ele descreve uma intenção de construir a infraestrutura física de sistemas concebidos por outras empresas. Para uma tecnologia que ainda depende de pesquisa especializada, esse modelo reduz a necessidade de escolher previamente qual abordagem vencerá, mas mantém a empresa exposta aos custos e às exigências de fabricação de cada projeto.


## O gargalo está no frio e no tempo


O próprio Liu trata os computadores quânticos como **aceleradores** para cálculos específicos, incluindo problemas descritos como do tipo NP, e não como substitutos das máquinas convencionais. Na prática, a capacidade quântica seria acionada para determinadas tarefas, enquanto a infraestrutura tradicional continuaria executando as demais. Essa imagem é menos cinematográfica que a promessa de uma máquina que refaz toda a computação, mas ajuda a delimitar o mercado: a Foxconn está mirando sistemas especializados que trabalhem ao lado de CPUs e GPUs.


A fabricação, porém, começa por obstáculos muito concretos. Cabos especializados podem custar mais de **US$ 1.000** porque precisam operar sob exigências rigorosas de temperatura, segundo a análise do setor. O detalhe dá uma medida do desafio: antes de discutir escala, é preciso produzir e integrar componentes caros e sensíveis. A Foxconn estima que a viabilidade comercial da computação quântica para toda a indústria ainda leve **pelo menos dois anos**, o que coloca prazo e custo no centro da promessa.


## Pesquisa para sustentar a ambição


Enquanto a empresa fala em manufatura, seu instituto de pesquisa tenta resolver problemas que afetam a estabilidade das máquinas. Em [8 de outubro de 2026](https://www.foxconn.com/en-us/press-center/press-releases/latest-news), a Foxconn informou que dois estudos do Hon Hai Research Institute foram aceitos no FOCS 2026, simpósio do IEEE dedicado aos fundamentos da ciência da computação. Os trabalhos tratam da profundidade de circuitos quânticos rasos e de códigos de correção de erros quânticos que podem ser codificados e decodificados em tempo linear.


Essas pesquisas se conectam diretamente ao plano industrial porque a correção de erros busca lidar com a instabilidade dos **qubits**, as unidades de informação dos sistemas quânticos. Ainda não há, nas informações divulgadas, um cronograma de produção ou um cliente anunciado para a futura fabricação. O próximo teste da promessa será saber se a montagem para terceiros consegue atravessar os custos atuais e alcançar a viabilidade comercial estimada por Liu, sem que a fábrica precise decidir sozinha qual tecnologia deverá prevalecer.