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title: "Escassez de mão de obra qualificada acentua gargalo para cibersegurança no Brasil"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-06-30 06:00:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/06/30/escassez-de-mao-de-obra-qualificada-acentua-gargalo-para-ciberseguranca-no-brasil/md"
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## Resumo
- Mercado de cibersegurança no Brasil deve movimentar R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028.
- Déficit de 200,9 mil profissionais de TI entre 2019 e 2024 segundo análise da Brasscom.
- Empresas como Stefanini contrataram 40 especialistas em 2025 e mantêm 17 vagas abertas.
- Salários para cargos de gerência média variam de R$ 14 mil a R$ 29 mil mensais, conforme Fesa Group.
- Programa da UFMG já impactou 116 meninas e mulheres desde 2024.
- FIAP registra cerca de 1.750 alunos por ano em cursos de segurança digital.
- Gap global chega a 4,8 milhões de profissionais, com estimativas flutuantes 328 mil faltando na América Latina.

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O mercado brasileiro de cibersegurança projeta um movimento de **R$ 104,6 bilhões** entre 2025 e 2028, mas a escassez de profissionais qualificados está virando o principal obstáculo para que esse potencial se realize na prática. Entre 2019 e 2024, o segmento de TI precisou de **665,4 mil profissionais**, enquanto apenas **464,5 mil** se formaram na área, gerando um déficit de **200,9 mil vagas** que representa uma demanda 30,2% superior à oferta de novos talentos, conforme análise da Brasscom. Essa lacuna não é apenas um número abstrato: ela significa que empresas de todos os portes enfrentam atrasos em projetos de proteção de dados, resposta a incidentes e conformidade regulatória, enquanto o crime digital se industrializa e a inteligência artificial amplia tanto as ameaças quanto as ferramentas de defesa.

## O Tamanho do Problema e o Déficit Real

Para entender a gravidade do gargalo, basta olhar os números agregados que mostram como a expansão da economia digital no Brasil multiplicou a superfície de ataque sem que a formação de especialistas acompanhasse o ritmo. A pesquisa da ISC2 reforça que o déficit global de profissionais de cibersegurança chega a 4,8 milhões de trabalhadores, com a América Latina registrando falta de 328 mil especialistas; no Brasil, a situação se agrava porque a demanda por perfis de cibersegurança cresce mais rápido que o volume de capacitação disponível, conforme apontado por consultorias como a Robert Half. O resultado prático aparece no dia a dia das organizações: segundo a pesquisa "Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências", realizada pela Ford em parceria com o Datafolha, 98% das empresas brasileiras relatam dificuldade para preencher vagas de tecnologia, e o subsegmento de segurança digital é um dos mais afetados, transformando o que deveria ser vantagem competitiva em risco operacional permanente.

## Por Que a Demanda Supera Tanto a Oferta

Os fatores que explicam essa disparidade vão além da simples falta de cursos e incluem a velocidade com que o cenário de ameaças evolui. A industrialização do crime digital, combinada com o avanço da inteligência artificial em ataques automatizados e a expansão contínua da economia digital, exige profissionais que dominem tanto técnicas clássicas de proteção quanto novas abordagens baseadas em IA para detecção e resposta, algo que os currículos tradicionais de TI nem sempre cobrem em profundidade. Além disso, a remuneração elevada reflete a raridade do talento: embora posições de alta liderança (como diretores e CISOs) frequentemente superem as faixas de R$ 30 mil a R$ 40 mil mensais nos guias salariais de mercado, cargos de média gerência também demonstram forte valorização. Como reflexo disso, o Fesa Group movimentou três profissionais de gerência em 2025 com salários entre **R$ 14 mil e R$ 29 mil mensais**, enquanto a Stefanini contratou cerca de **40 especialistas** no mesmo ano e ainda mantém **17 vagas abertas** no Brasil, com tempo médio de 30 dias para preencher posições de gestão, demonstrando que nem o dinheiro sozinho resolve a carência de formação específica.

## O Que as Empresas Estão Fazendo na Prática

Empresas líderes não esperam a solução chegar apenas do sistema educacional e já adotam estratégias de atração e retenção que vão desde programas internos de capacitação até parcerias com universidades. A Stefanini, por exemplo, acelerou contratações em 2025 para suprir sua operação de cibersegurança, enquanto o Fesa Group foca em perfis gerenciais com pacotes salariais competitivos que visam compensar a escassez de experiência acumulada. Essas movimentações mostram que o mercado reconhece o valor de quem consegue traduzir ameaças complexas em controles concretos, mas também evidenciam que o tempo médio de preenchimento de vagas continua alto, indicando que a formação de novos profissionais precisa ganhar escala rapidamente para atender o crescimento projetado de **R$ 104,6 bilhões** até 2028.

## Iniciativas de Capacitação que Já Estão em Curso

Para reverter o déficit, várias iniciativas de formação vêm ganhando tração e oferecem caminhos concretos tanto para quem está começando quanto para profissionais que desejam migrar para a área. O programa Mulheres de Exatas em Cibersegurança da **UFMG** impactou **116 meninas e mulheres** desde 2024, buscando aumentar a diversidade e ampliar o pipeline de talentos em um campo historicamente masculino. Já a FIAP registra procura anual de cerca de **1.100 alunos** em graduação, **120 em MBA** e **530 em pós-graduação**, números que indicam interesse crescente, mas ainda insuficiente para fechar o gap de centenas de milhares de profissionais apontado pela Brasscom e pela ISC2. Quem busca entrar no setor pode começar por cursos práticos que combinem fundamentos de redes, criptografia e resposta a incidentes com ferramentas modernas de automação e inteligência artificial, transformando o gargalo em oportunidade de carreira de alto impacto.

## Caixa de Ferramentas: Próximos Passos para Você

Se você é estudante, profissional de TI ou empreendedor que precisa proteger sua operação, o primeiro passo é mapear as competências mais demandadas no momento, como análise de ameaças com IA, gestão de identidade e resposta a incidentes, e buscar formações que entreguem projetos práticos em vez de apenas teoria. Acompanhe programas como o da UFMG ou as pós-graduações da FIAP para entender o ritmo de novas turmas e considere certificações reconhecidas que aceleram a entrada no mercado. Empresas podem investir em parcerias com universidades e programas de trainee para reduzir o tempo de preenchimento de vagas, enquanto o poder público e o setor educacional precisam expandir a oferta de cursos alinhados às exigências reais de 2026 em diante. Com esses dados em mãos, o gargalo deixa de ser um problema invisível e passa a ser um desafio que pode ser atacado com planejamento e ação coordenada, garantindo que o mercado de **R$ 104,6 bilhões** encontre os profissionais necessários para se desenvolver com segurança.