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title: "China apresenta visão oficial sobre IA e já regulamenta Apple Intelligence"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-07-17 06:30:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/07/17/china-apresenta-visao-oficial-sobre-ia-e-ja-regulamenta-apple-intelligence/md"
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## Resumo
- Registro do Apple Intelligence pela Administração do Ciberespaço da China em 15 de julho de 2026
- Integração dos modelos Qwen da Alibaba e contribuições da Baidu no Apple Intelligence para o mercado chinês
- Assinatura do acordo para a Organização Mundial de Cooperação em IA (WAICO) por 29 países em 16 de julho de 2026
- Discurso de Xi Jinping na Conferência Mundial de IA (WAIC) com foco em governança global e open-source
- Anúncio de 5.000 oportunidades de pesquisa e treinamento em IA para países em desenvolvimento
- Debute do sistema de computação Atlas 950 SuperPoD da Huawei durante o evento
- Presença de líderes internacionais e laureados do Nobel e Turing na conferência

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No dia 15 de julho de 2026, o regulador chinês de ciberespaço deu um passo importante ao registrar o serviço **Apple Intelligence** da Apple para uso em iPhones no país, um movimento que coincide com a assinatura de um acordo por 29 países para a criação de uma organização mundial de cooperação em IA e com a preparação para o discurso do presidente **Xi Jinping** na conferência em Xangai, revelando como a China está ativamente definindo regras claras para o desenvolvimento e a governança da inteligência artificial que impactam até mesmo gigantes globais como a Apple.

## O Registro do Apple Intelligence: Abrindo Portas com Modelos Locais

Esse registro, realizado pela Administração do Ciberespaço da China, é obrigatório para serviços de IA generativa e modelos de linguagem de grande pore antes de sua disponibilização ao público, garantindo que eles atendam aos requisitos regulatórios locais antes de entrarem em operação. O Apple Intelligence incorporará capacidades de modelos de IA desenvolvidos pela Baidu e pela Alibaba, com a Alibaba confirmando que seu modelo Qwen será integrado às funções do Apple Intelligence em iOS, iPadOS, macOS e visionOS para usuários chineses, incluindo geração de texto e imagens. Um porta-voz da Baidu afirmou que a Apple está trabalhando com a empresa para desenvolver recursos específicos para usuários de iPhone na China, o que permite à Apple trazer suas funcionalidades de IA para o mercado chinês de forma compatível com as leis locais. Além disso, as remessas de iPhones na China subiram 24,4% em relação ao mesmo período do ano anterior no segundo trimestre, indicando um possível impulso no mercado com essas novas capacidades. O modelo de inteligência artificial Nubia Doubao para dispositivos móveis da ZTE também teve seu registro aprovado, mostrando que o movimento de aprovação de serviços de IA generativa está se ampliando no ecossistema chinês. Como já exploramos em análises anteriores sobre a estratégia da Apple de abrir portas para IAs de terceiros, esse registro representa um avanço concreto nessa direção. É como se a China dissesse que a IA pode ser global, mas as regras são locais - piada sem graça, eu sei, mas reflete a realidade dos marcos regulatórios que estamos vendo se formar.

## A Fundação da WAICO: 29 Países se Unem para Governança de IA

No dia 16 de julho de 2026, vinte e nove países assinaram em Xangai o acordo para o estabelecimento da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, ou **WAICO**, uma organização intergovernamental internacional independente com sede em Xangai. O ministro das Relações Exteriores da China, **Wang Yi**, assinou o acordo em nome do governo chinês, enquanto representantes dos países fundadores, incluindo Cazaquistão, Laos, Paquistão, Rússia e Indonésia, participaram da cerimônia, com o secretário-geral das Nações Unidas, **António Guterres**, presente entre os representantes. A organização se compromete a defender os propósitos da Carta da ONU, promover consulta extensiva e contribuição conjunta para benefício compartilhado, adotar uma abordagem centrada nas pessoas e promover a cooperação internacional e a governança global em IA, assegurando que a IA seja benéfica, segura e justa. Esse passo marca um esforço coordenado para criar um fórum dedicado à discussão de como a inteligência artificial deve ser desenvolvida e regulada em escala mundial, construindo sobre iniciativas anteriores como a proposta chinesa de 2023 para uma Iniciativa Global de Governança de IA. A presença de Guterres e de outros líderes internacionais sublinha a ambição de tornar esse organismo um espaço para diálogo inclusivo sobre os impactos da IA em áreas como cibersegurança, conflitos, emprego e economia mundial.

## Xi Jinping na WAIC: Apresentando a Visão Chinesa para o Futuro da IA

De 17 a 20 de julho de 2026, a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, ou WAIC, e a Reunião de Alto Nível sobre Governança Global de IA acontecem em Xangai, com o presidente Xi Jinping participando da cerimônia de abertura pela primeira vez desde o início do evento em 2018 e proferindo um discurso de abertura. Nesse pronunciamento, Xi delineia a visão ambiciosa da China para o papel do país na governança global de IA, promovendo os modelos de IA de código aberto como um 'bem público global' e anunciando que a China fornecerá 5.000 oportunidades de pesquisa, treinamento e cooperação em IA para parceiros de países em desenvolvimento ao longo de cinco anos. Durante o fórum, a Huawei fará a primeira demonstração física pública de seu sistema de computação em larga escala para IA, o Atlas 950 SuperPoD, que conecta milhares de processadores Ascend de IA da empresa, enquanto o modelo V4 mais recente da DeepSeek teve seu ecossistema de otimização nativa e pós-treinamento consolidados para rodar em chips Ascend da Huawei. Outros fabricantes de chips, como Biren e MetaX, devem lançar novos clusters de computação supernode, e o evento inclui lançamentos de produtos como smartphones com agentes de IA da Nubia, pertencente à ZTE, e da StepFun. Nove laureados do Prêmio Turing e do Nobel, incluindo Yoshua Bengio e Richard Sutton, estão entre os participantes, ao lado de líderes como o presidente do Cazaquistão, o primeiro-ministro do Camboja e o da Tailândia. Esses anúncios ocorrem em um contexto onde a China também tem discutido limites ao acesso internacional de seus modelos mais avançados, mostrando uma estratégia que combina abertura seletiva com proteção de ativos estratégicos. O evento reúne mais de mil empresas de tecnologia, oficiais, pesquisadores e figuras da indústria, com cerca de três mil produtos apresentados, destacando o foco em como a IA afeta a cibersegurança, os conflitos, o emprego e a economia global.

## O Que Esses Movimentos Representam para o Ecossistema de Tecnologia

Para quem acompanha o desenvolvimento da tecnologia ao longo dos anos, esses eventos em Xangai representam mais do que anúncios isolados: eles sinalizam a construção de uma estrutura regulatória e colaborativa que pode definir como a inteligência artificial será integrada em dispositivos e sistemas em todo o mundo. A aprovação do **Apple Intelligence** com modelos locais ilustra como empresas globais precisam adaptar suas inovações para atender a requisitos específicos de cada mercado, enquanto a **WAICO** oferece um mecanismo para que múltiplos países contribuam para normas comuns que priorizem benefícios compartilhados e segurança. O compromisso com o open-source como bem público e as oportunidades de capacitação para países em desenvolvimento apontam para um esforço de democratizar o acesso ao conhecimento em IA, embora o cenário exija atenção constante às implicações para a inovação e a competitividade global. Agora que esses marcos estão sendo estabelecidos, o próximo passo é observar como as discussões na conferência se traduzem em ações concretas e como profissionais e empresas podem se preparar para um ambiente de IA mais estruturado e governado internacionalmente.