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title: "Hackers exploram bug em carteiras de hardware offline e roubam mais de 130 milhões de dólares em criptomoedas"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-08-07 11:00:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/08/07/hackers-exploram-bug-em-carteiras-de-hardware-offline-e-roubam-mais-de-130-milhoes-de-dolares-em-criptomoedas/md"
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## Resumo
- Bug introduzido em commit de março de 2021 reduziu entropia em frases-semente de carteiras Coldcard.
- Perdas totais rastreadas em cerca de 2.000 BTC, equivalentes a 130 milhões de dólares.
- Primeira onda de ataques em 30 de julho de 2026 drenou mais de 1.000 BTC em 41 minutos.
- Coinkite liberou firmware corrigido como versão 4.2.0 para Mk2/Mk3 e recomenda migração.
- Vítima relatou perda de 1,6 milhão de dólares de dispositivo offline guardado em cofre.
- Atividade on-chain de Bitcoin atingiu recorde semanal de 890.000 BTC movidos em 2026.
- Usuários devem verificar firmware e migrar seeds para evitar perdas adicionais.

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Em julho de 2026, hackers exploraram uma falha em carteiras de hardware Coldcard da Coinkite para roubar mais de 130 milhões de dólares em Bitcoin, mesmo de dispositivos que nunca tocaram a internet e cujas frases-semente estavam guardadas em cofres. A vulnerabilidade, introduzida em uma atualização de firmware de março de 2021, afetou a geração de frases-semente ao reduzir drasticamente a entropia, tornando as chaves privadas previsíveis o suficiente para ataques de força bruta por parte de pelo menos 15 atacantes diferentes. Este incidente ilustra como até tecnologias projetadas para oferecer máxima segurança offline podem falhar devido a erros sutis no código, afetando milhares de usuários que confiavam na autocustódia de suas criptomoedas e levantando dúvidas sobre a verdadeira inviolabilidade de sistemas legados em hardware moderno.

## A Origem da Falha no Gerador de Números Aleatórios

A jornada dessa falha começa com um commit específico em 1 de março de 2021, que alterou a forma como o firmware integrava o gerador de números aleatórios, ou RNG, nas carteiras Coldcard fabricadas pela Coinkite. Em vez de utilizar o hardware RNG do microcontrolador STM32, o código passou a cair em um fallback determinístico chamado Yasmarang do MicroPython, porque a macro MICROPY_HW_ENABLE_RNG foi definida incorretamente como zero e a verificação na biblioteca libngu estava errada. Para os modelos Mk2 e Mk3 nas versões de 4.0.1 a 4.1.9, isso significou que nenhuma entropia criptográfica foi adicionada, resultando em seeds totalmente determinísticas baseadas em UID e timer conhecidos, com apenas cerca de 40 bits de aleatoriedade. Modelos mais recentes como Mk4, Mk5 e Q adicionaram entropia de elemento seguro, mas apenas um reseed de 32 bits foi mantido, reduzindo a entropia para cerca de 72 bits em vez dos 128 bits esperados para segurança adequada, e o hash resultante de 32 bytes não aumenta o número possível de seeds, deixando as carteiras vulneráveis desde a liberação da versão 4.0.0 em 17 de março de 2021. **Block** detalhou em seu relatório técnico que essa regressão no código permitiu a geração previsível de carteiras, algo que só foi identificado após relatos de usuários e colaboração com pesquisadores, sem afetar produtos da própria Block.

Além da origem técnica, é importante notar que essa alteração passou despercebida por cinco anos, até que pesquisadores da Block e usuários relataram o problema em julho de 2026, revelando como uma pequena linha de código pode comprometer anos de confiança em dispositivos offline. A **Coinkite** confirmou a regressão e liberou firmware corrigido, como a versão 4.2.0 para Mk2/Mk3 e 5.6.0 para Mk4/Mk5, com a recomendação de migração para novas frases-semente a menos que o usuário tenha usado pelo menos 50 rolagens independentes de dados ou uma passphrase BIP-39 forte e única. É como se o gerador de números aleatórios tivesse virado uma piada sem graça, repetindo padrões previsíveis em vez de criar verdadeira aleatoriedade, algo que só foi descoberto quando o prejuízo já era imenso e afetava a estabilidade de operações críticas de autocustódia digital.

## As Ondas de Exploração e o Impacto Financeiro

A exploração começou em 30 de julho de 2026 com a primeira onda que drenou 1.082,65 BTC de 1.196 endereços em apenas 41 minutos, segundo dados da Galaxy Research, marcando o início de uma série de ataques que se estenderam por três ondas confirmadas e uma quarta suspeita. No total, as perdas foram rastreadas em aproximadamente 2.055 BTC, equivalentes a cerca de 130 milhões de dólares, envolvendo mais de 5.200 endereços drenados, com pelo menos 15 atacantes diferentes e cerca de 90% dos bitcoins roubados permanecendo não gastos em análises iniciais. A **Galaxy Research** relatou que o CEO da Coinkite, Rodolfo Novak, sugeriu que o ataque pode ter sido auxiliado por revisão de código com IA, e um caso notável foi o de Jonathan Goodman, que perdeu 1,6 milhão de dólares de uma carteira mantida em cofre de segurança, nunca conectada à internet, destacando que a segurança offline não foi suficiente contra a falha na geração inicial da seed. Esse evento também impulsionou a atividade on-chain de Bitcoin para o maior nível semanal de 2026, com 890.000 BTC movidos em sete dias, conforme a K33, em grande parte devido a usuários transferindo fundos em resposta ao exploit.

Esse evento também impulsionou a atividade on-chain de Bitcoin para o maior nível semanal de 2026, com 890.000 BTC movidos em sete dias, conforme a K33, em grande parte devido a usuários transferindo fundos em resposta ao exploit, enquanto a **Coinkite** publicou um advisory em 1 de agosto de 2026 recomendando atualização imediata e migração, e dispositivos como TAPSIGNER, OPENDIME e SATSCARD não foram afetados. Para uma análise mais aprofundada sobre o que deu errado na Coldcard, você pode ler mais em [nosso artigo anterior sobre o tema](https://desbugados.com.br/post/2026/08/04/carteira-de-bitcoin-e-hackeada-e-usuarios-perdem-us-89-milhoes-o-que-deu-errado-na-coldcard). O ataque está em andamento, e pesquisadores alertam para mover fundos de carteiras single-sig Coldcard para locais seguros imediatamente, já que o exploit continua ativo e afeta a confiança em toda a autocustódia de criptomoedas em um ano que já viu mais de 200 hacks em empresas de cripto totalizando mais de 950 milhões de dólares.

## Lições para a Segurança em Carteiras de Hardware e o Próximo Passo

Este incidente serve como um lembrete de que a confiança em dispositivos offline depende inteiramente da integridade do processo de geração de seeds, que por sua vez repousa em um gerador de números aleatórios confiável, e a redução na entropia permitiu que hackers usassem força bruta para adivinhar as frases-semente, algo que não deveria ser possível em sistemas projetados para 128 bits de segurança. A **Coinkite** não oferece compensação, mas fornece passos detalhados para migração em seu blog oficial, enfatizando que a passphrase adiciona uma barreira mas não substitui a migração para firmware atualizado, enquanto outras empresas como Ledger e Trezor afirmaram que seus dispositivos não foram afetados por essa falha específica. O caso também levanta preocupações mais amplas sobre a fragilidade da autocustódia quando implementações falham, especialmente considerando que a descoberta pode ter sido facilitada por ferramentas modernas como inteligência artificial aplicada à revisão de código.

Para quem usa essas carteiras, a lição é clara: sempre verifique a versão do firmware e considere métodos alternativos de geração de entropia, como rolagens de dados, quando possível, pois o evento destaca a necessidade de modernizar processos legados em hardware para manter a confiabilidade em serviços essenciais de proteção digital. A **Coinkite** urge a migração imediata para novas seeds em firmware fixado, e o próximo passo para usuários afetados é atualizar o dispositivo e transferir fundos para carteiras geradas com entropia adequada, garantindo que o legado de segurança offline continue sustentando a sociedade contemporânea sem perder sua confiabilidade.