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title: "Brasil concentra ataques cibernéticos na América Latina com empresas adotando prevenção"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-08-08 08:00:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/08/08/brasil-concentra-ataques-ciberneticos-na-america-latina-com-empresas-adotando-prevencao/md"
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## Resumo
- Brasil concentra 84% das atividades maliciosas na América Latina e Canadá
- 314,8 bilhões de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025 e 753,8 bilhões no ano todo
- Transição de posturas reativas para preventivas com tendências como CTEM e Zero Trust
- Barreiras incluem mentalidade de custo em 50% das organizações e falta de profissionais
- Mercado de cibersegurança projeta crescimento para US$ 12 bilhões até 2034
- IA aumenta complexidade com phishing personalizado e modelo CaaS
- Iniciativas E-Ciber 2025 e CNCiber buscam coordenação entre setores

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O Brasil se tornou o principal alvo de ataques cibernéticos na América Latina ao registrar **314,8 bilhões** de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025, volume que corresponde a **84%** do total na região incluindo o Canadá segundo o **FortiGuard Labs**. Esse dado revela um "bug" significativo no ecossistema digital brasileiro onde a forte digitalização de serviços como o **Pix** e a expansão do **5G** criam mais pontos de conexão que podem ser explorados por criminosos. O que torna essa informação relevante agora é que as organizações estão começando a abandonar a postura reativa de apenas responder a incidentes para adotar estratégias preventivas que protegem o sistema antes que o ataque aconteça. Entender como essas ameaças se conectam em uma cadeia de eventos ajuda a ver a importância de construir defesas que funcionam como pontes diplomáticas entre diferentes ferramentas de segurança para manter o diálogo digital seguro.

## Explorando a cadeia de destruição cibernética e seus números

No Brasil os ataques se distribuem em fases distintas da cadeia de destruição cibernética que funciona como um diálogo malicioso entre o atacante e o sistema alvo onde cada etapa constrói sobre a anterior para alcançar o impacto final. Na fase inicial foram registradas **1 bilhão** de tentativas de força bruta que consistem em tentativas repetidas de adivinhação de senhas e **2,4 bilhões** de explorações de vulnerabilidades que são falhas em softwares ou sistemas que permitem entrada não autorizada. Na fase de entrega ocorreram **4 milhões** de tentativas de drive-by download que são downloads automáticos de malware ao visitar sites infectados e **662 mil** arquivos maliciosos do tipo Office. Já na instalação foram detectados **12 milhões** de trojans que são programas que se disfarçam de legítimos para roubar dados e **67 mil** tentativas de mineração não autorizada de criptomoedas conhecidas como CryptoMiner. Na fase final o volume explode com **309 bilhões** de tentativas de negação de serviço ou DDoS que inundam os servidores para torná-los indisponíveis e **28,1 mil** incidentes de ransomware que criptografam dados exigindo pagamento para recuperação. Esses números mostram que **98,11%** dos ataques estão ligados à fase de impacto final enquanto apenas **1,01%** ocorrem na etapa de acesso inicial o que indica que muitos sistemas são comprometidos rapidamente após a entrada inicial. Além disso foram identificadas **41,9 milhões** de atividades de distribuição de malwares e **52 milhões** de ações relacionadas a botnets que são redes de dispositivos infectados controlados remotamente. Para quem lida com sistemas conectados é como ver uma rede de pontes sendo atacada em múltiplos pontos ao mesmo tempo exigindo uma defesa coordenada.

Os dados completos do ano de 2025 mostram que o Brasil concentrou **753,8 bilhões** de tentativas de ataques cibernéticos o que representa novamente **84%** na América Latina e coloca o país entre os sete mais atacados do planeta com empresas enfrentando em média **3.520** ataques por semana número superior à média global. Outubro foi o mês mais visado com **198 bilhões** de tentativas especialmente contra órgãos públicos. Violações de dados geram prejuízos médios superiores a **R$ 7 milhões** por incidente. Esses volumes reforçam a necessidade de olhar para o ecossistema de ameaças como um todo onde cada vetor de ataque se conecta a outros para criar impactos maiores.

## A transição das organizações para defesas preventivas

Após anos concentrando esforços na resposta a incidentes as organizações brasileiras começam a adotar uma postura mais preventiva em relação à segurança digital conforme o estudo **ISG Provider Lens Cybersecurity Services and Solutions 2026** para o Brasil. Esse relatório destaca que o Brasil se tornou um epicentro de ameaças cibernéticas na América Latina e que o cenário aliado ao histórico de subinvestimento em segurança e às particularidades locais como o **Pix** e o **5G** exige uma rápida transição de defesas reativas para estratégias mais proativas e inovadoras. O mercado brasileiro de cibersegurança é avaliado em **US$ 5,5 bilhões** em 2025 e deve alcançar **US$ 12 bilhões** até 2034 impulsionado por investimentos de **US$ 18,6 bilhões** previstos entre 2025 e 2028. Segundo **João Carlo Mauro** distinguished analyst da **TGT ISG** metade das organizações considera a mentalidade de custo o maior obstáculo **30%** apontam limitações orçamentárias e falta de profissionais qualificados e **20%** atribuem a processos excessivamente manuais. Essa mudança representa uma forma de diplomacia digital onde diferentes plataformas de segurança precisam interoperar para criar um escudo coletivo contra as ameaças que exploram as conexões entre sistemas.

As tendências identificadas incluem o **Continuous Threat Exposure Management** ou CTEM que é a gestão contínua da exposição a ameaças permitindo identificar e corrigir vulnerabilidades de forma proativa o **Zero Trust** que é um modelo de segurança onde nenhuma entidade é confiável por padrão exigindo verificação constante a criptografia pós-quântica que prepara sistemas para ameaças de computadores quânticos a governança da inteligência artificial generativa para evitar abusos e o **XDR** que é detecção e resposta estendida integrando múltiplas fontes de dados para uma visão unificada. Essas abordagens ajudam a construir pontes entre diferentes ferramentas de segurança de forma que elas dialoguem entre si para proteger o ecossistema digital como um todo em vez de atuar de forma isolada.

## O papel da inteligência artificial e a necessidade de coordenação

A inteligência artificial tornou o ambiente de ameaças ainda mais complexo permitindo campanhas de phishing altamente personalizadas localização de vulnerabilidades com mais rapidez e automação de etapas das invasões o que exige que as defesas também usem tecnologias avançadas para acompanhar o ritmo. O Brasil reúne fatores que aumentam seu nível de exposição como a forte digitalização do sistema financeiro a ampla utilização do **Pix** e diferentes níveis de maturidade em segurança da informação. Iniciativas como a **Estratégia Nacional de Cibersegurança** ou E-Ciber 2025 e o **Comitê Nacional de Cibersegurança** ou CNCiber buscam criar um framework de governança que conecte esforços. Segundo **Luciano Simão** Chief Information Security Officer da **Claranet do Brasil** o modelo **Cybercrime as a Service** ou CaaS permite que criminosos contratem serviços de ataque como se fossem produtos o que aumenta a acessibilidade das ameaças e a necessidade de atuação coordenada entre setor privado governo academia e órgãos reguladores. O país opera de forma mais reativa do que preventiva e a segurança digital é um investimento estratégico que pode ser comparado a construir alianças diplomáticas para proteger as conexões entre plataformas e serviços.

Os dados do **CERT.br** mostram que entre janeiro e fevereiro de 2026 o país contabilizou **74.996** incidentes cibernéticos com **86%** classificados como varreduras de vulnerabilidades o que significa que grupos criminosos estão mapeando sistematicamente os pontos fracos de empresas brasileiras antes de atacar. Para entender melhor como esses ataques funcionam em conjunto com trojans bancários e phishing que lideraram em 2025 confira este artigo relacionado que explora o ecossistema do cibercrime. [Ameaças no Brasil: Trojans bancários e phishing lideraram ataques em 2025.](https://desbugados.com.br/post/2026/01/02/ameacas-no-brasil-trojans-bancarios-e-phishing-lideraram-ataques-em-2025) Essa visão integrada ajuda a ver que a interoperabilidade entre sistemas de defesa é essencial para quebrar a corrente de ataques que se conectam como diálogos em uma rede maior.

## Caixa de ferramentas para fortalecer sua defesa

Com base nos dados e tendências apresentadas o próximo passo é avaliar a maturidade da sua organização em relação às barreiras identificadas como a mentalidade de custo e investir em soluções que promovam a interoperabilidade entre ferramentas de segurança. Adote o modelo **Zero Trust** para verificar continuamente o acesso a sistemas e implemente o **CTEM** para monitorar exposições de forma contínua. Participe de iniciativas como a **E-Ciber 2025** para alinhar com estratégias nacionais e considere parcerias que integrem governo e setor privado. Monitore a dark web para credenciais expostas e treine equipes contra phishing personalizado por IA. Essas ações transformam a segurança em uma rede de pontes que protege o ecossistema digital permitindo que você navegue com mais confiança no mundo conectado.