---
title: "Google e Marvell fecham acordo bilionário de chips de IA com opção de US$ 12,2 bi"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-08-20 08:45:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/08/20/google-e-marvell-fecham-acordo-bilionario-de-chips-de-ia-com-opcao-de-us-122-bi/md"
---

## Resumo
- Google e Marvell firmaram um acordo para desenvolver chips personalizados conectados às TPUs do Google.
- A Marvell concedeu ao Google o direito de comprar até 58.970.907 ações por US$ 206,58 cada.
- O valor máximo de exercício do warrant é de aproximadamente US$ 12,18 bilhões.
- A liberação das ações será dividida entre parcelas baseadas em tempo e metas de receita com produtos personalizados.
- Os US$ 120 bilhões citados referem-se ao teto de receitas acumuladas da Marvell, não ao valor da compra de ações.
- Caso exerça o warrant integralmente, o Google poderá se tornar o quinto maior investidor da Marvell.
- A medição das metas comerciais se estende de agosto de 2026 até janeiro de 2033.

---

O **Google e a Marvell Technology** abriram, em agosto de 2026, uma nova frente na disputa por infraestrutura própria de inteligência artificial: a fabricante de chips informou à SEC um acordo para desenvolver componentes personalizados ligados às unidades TPU do Google, enquanto concedeu à empresa o direito de comprar até **58.970.907 ações** por US$ 206,58 cada, em uma operação de aproximadamente US$ 12,18 bilhões. O ponto que costuma causar confusão está na diferença entre o valor da opção de ações e as receitas que podem ser geradas pelo contrato. Neste texto, vamos separar esses números, explicar como o mecanismo funciona e mostrar por que a parceria importa para a forma como os sistemas de IA são construídos.

## O acordo une chips sob medida e participação acionária

A primeira camada da negociação é tecnológica. O contrato prevê o desenvolvimento de **chips personalizados** que se conectam às TPUs do Google, sigla em inglês para Tensor Processing Unit, unidades de processamento projetadas para operações de inteligência artificial. Entre os componentes citados estão aceleradores de inferência, controladores de armazenamento e de rede, além de controladores de memória. Inferência é a etapa em que um modelo já treinado produz uma resposta, classificação ou previsão, e a presença desses componentes mostra que o acordo não trata apenas de uma peça isolada, mas de partes que ajudam o sistema a movimentar dados e executar tarefas de IA.

Essa customização muda a pergunta que normalmente orienta a compra de hardware. Em vez de simplesmente adquirir um chip pronto e adaptar o software a ele, o Google passa a trabalhar com uma solução desenhada para conversar com sua própria linha de TPUs, enquanto a **Marvell** amplia sua participação no fornecimento de produtos feitos conforme as necessidades do cliente. A conexão entre processamento, memória, armazenamento e rede é especialmente relevante quando grandes volumes de dados precisam circular entre diferentes partes de uma infraestrutura computacional. O acordo, portanto, combina uma relação comercial de longo prazo com uma aposta em componentes ajustados à arquitetura de IA do Google.

## Como funciona a opção de US$ 12,2 bilhões

A segunda camada é financeira, mas seu funcionamento é mais parecido com um contrato de incentivo do que com uma compra imediata. O acordo comercial foi firmado em **29 de julho de 2026**, e o warrant, termo usado para designar o direito contratual de comprar ações por um preço previamente definido, foi emitido pela Marvell em 18 de agosto. O preço de exercício ficou fixado em **US$ 206,58 por ação**. Se o Google exercer todas as ações previstas, o desembolso calculado pelo preço contratado chegará a cerca de US$ 12,18 bilhões, embora a aquisição dependa das condições estabelecidas no próprio documento.

A liberação das ações ocorre em etapas, mecanismo conhecido no mercado como vesting, que significa a aquisição gradual do direito previsto no contrato. No primeiro ano, **1.360.867 ações**, chamadas de ações baseadas em tempo, serão disponibilizadas em parcelas trimestrais. A maior parte, porém, está vinculada ao desempenho comercial dos produtos personalizados: são tranches, ou blocos de ações, de 240.042 papéis para cada US$ 500 milhões em receita acumulada. A regra leva a distribuição até o fim do ano fiscal de 2033 e conecta diretamente a participação acionária do Google às compras que ele fizer da solução desenvolvida pela Marvell.

## US$ 120 bilhões não são o mesmo que US$ 12,2 bilhões

A diferença entre os dois valores é o ponto mais importante para interpretar a notícia sem transformar uma projeção contratual em dinheiro já movimentado. Os **US$ 12,2 bilhões** correspondem ao valor máximo de exercício do warrant, calculado pela multiplicação do número de ações pelo preço fixado. Já os **US$ 120 bilhões** representam o teto matemático das metas de receita da Marvell com as compras do Google: o cálculo considera 240 blocos de US$ 500 milhões cada. Em outras palavras, o primeiro número se refere à opção de aquisição de ações, enquanto o segundo descreve a receita acumulada que pode ser associada ao cumprimento das metas comerciais.

O período de medição dessas metas vai de **1º de agosto de 2026 a 29 de janeiro de 2033**, segundo a análise da estrutura do contrato. Há ainda uma fotografia financeira do acordo em 19 de agosto: com as ações da Marvell cotadas a US$ 237,27, o valor de mercado de todo o bloco de ações seria de aproximadamente US$ 13,99 bilhões, acima do preço de exercício contratado. Nessa mesma hipótese, caso todos os direitos já estivessem adquiridos naquele momento, o valor intrínseco do warrant seria de cerca de US$ 1,81 bilhão. A conta ajuda a entender a diferença entre o preço para exercer a opção e o valor de mercado dos papéis, mas não elimina as condições de tempo e receita previstas no contrato.

## Por que o Google quer mais controle sobre os chips de IA

A terceira camada da operação está na estratégia de infraestrutura. De acordo com a [Reuters](https://www.reuters.com/technology/marvell-grants-google-122-billion-stock-warrant-custom-ai-chip-deal-2026-08-19), o movimento faz parte de uma iniciativa das grandes empresas de tecnologia para reduzir a dependência dos chips da Nvidia por meio do desenvolvimento de silício próprio para cargas de trabalho de inteligência artificial. Para o Google, a parceria com a Marvell amplia a possibilidade de ajustar componentes ao funcionamento das TPUs, em vez de tratar toda a infraestrutura como uma coleção de peças genéricas. Para a Marvell, o contrato cria metas de receita que se estendem por vários anos e vinculam o relacionamento comercial ao crescimento das compras do cliente.

Essa relação também tem uma consequência societária. Caso o warrant seja exercido integralmente, o **Google se tornará o quinto maior investidor da Marvell**, segundo a cobertura da Reuters. O documento da empresa informa que o Google terá direitos habituais de registro sobre as ações, mas não poderá transferi-las sem o consentimento da Marvell, salvo em transferências para afiliadas controladas. O detalhe mostra que a negociação não se limita ao fornecimento de hardware: ela cria uma ligação entre quem projeta a infraestrutura de IA e quem fabrica parte dos componentes necessários para fazê-la funcionar, aproximando interesses tecnológicos, comerciais e financeiros.

## O que acompanhar até 2033

O calendário do contrato oferece uma forma concreta de acompanhar seus efeitos. A primeira referência são as parcelas trimestrais das ações baseadas em tempo durante o primeiro ano; depois, a atenção se desloca para as metas de receita, pois a maior parte dos papéis depende de blocos de US$ 500 milhões em compras acumuladas. Até o fim do ano fiscal de **2033**, será possível observar se a demanda do Google atingiu os níveis necessários para liberar as tranches previstas. O acordo também dá ao mercado uma medida mais precisa sobre quanto da expansão da Marvell está associado a produtos personalizados, em vez de misturar toda a atividade da companhia sob o rótulo genérico de chips de IA.

O próximo passo, portanto, não é tratar os US$ 12,2 bilhões como uma compra concluída, mas acompanhar a execução do warrant e o cumprimento das metas comerciais que condicionam sua liberação. A opção fixa o preço de exercício em **US$ 206,58**, enquanto o contrato estabelece um horizonte que chega a janeiro de 2033 para a medição das receitas. Se todas as etapas forem cumpridas e o Google exercer integralmente seus direitos, a empresa poderá ocupar a posição de quinto maior investidor da Marvell; até lá, a notícia deve ser lida como um compromisso de longo prazo entre uma companhia que desenha sua própria infraestrutura de IA e outra que pretende fornecer os componentes sob medida para essa arquitetura.