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title: "Cloudera lança Anywhere Cloud para levar dados e IA de volta ao on-premises"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-08-23 07:15:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/08/23/cloudera-lanca-anywhere-cloud-para-levar-dados-e-ia-de-volta-ao-on-premises/md"
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## Resumo
- A Cloudera oficializou o Anywhere Cloud em agosto de 2026, durante a programação do EVOLVE26 em Singapura.
- A plataforma administra dados e IA em nuvens públicas, datacenters privados e redes isoladas por meio de um plano de controle unificado.
- O Anywhere Cloud permite provisionar serviços sem mover os dados, respondendo a preocupações com soberania, custos e governança.
- A ExxonMobil participou do projeto de design e relatou uma redução no tempo de instalação de seis horas para cerca de 65 minutos.
- A solução funciona de forma autônoma ou complementar à Cloudera Data Platform, sem exigir atualização para versões específicas da CDP.
- O produto foi desenvolvido durante três anos, com quase US$ 1 bilhão em P&D, e incorpora tecnologias de aquisições da Cloudera.
- A estratégia será apresentada em outras etapas do EVOLVE26, incluindo São Paulo, Nova York e Dubai em 2026.

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A **Cloudera** oficializou o Anywhere Cloud em **19 de agosto de 2026** e apresentou a plataforma durante a conferência EVOLVE26, em Singapura, no dia seguinte. A solução foi criada para executar serviços de dados e inteligência artificial em nuvens públicas, datacenters privados e redes isoladas, mantendo o gerenciamento em um plano de controle unificado e sem exigir que os dados mudem de lugar. No projeto de design, a **ExxonMobil** relatou que reduziu o tempo de instalação de serviços de seis horas para cerca de 65 minutos. O anúncio chega no momento em que empresas reavaliam o custo e o controle de manter cargas de IA exclusivamente na nuvem, uma mudança que ajuda a entender por que o on-premises, expressão usada para indicar a infraestrutura local ou privada da organização, voltou ao centro da conversa.

## Por que a inteligência artificial está fazendo o caminho de volta

A mudança de direção nasce de um problema bastante concreto: colocar inteligência artificial em produção exige mais do que escolher um modelo e contratar capacidade computacional. Segundo a própria **Cloudera**, uma pesquisa recente apontou que **95% das organizações entrevistadas** atrasaram ou cancelaram iniciativas de IA por falhas de governança ou custos excessivos de infraestrutura. Governança, nesse caso, significa estabelecer regras para saber quem acessa os dados, como eles são usados e sob quais controles os sistemas operam. A estatística ajuda a explicar por que a discussão deixou de ser apenas sobre velocidade de processamento e passou a incluir a conta final, a localização das informações e a capacidade de supervisionar o uso da tecnologia.

Esse movimento também está ligado à soberania dos dados, isto é, à possibilidade de a empresa manter controle sobre informações que não podem ser deslocadas livremente para uma nuvem específica. A cobertura do EVOLVE26 descreveu a preocupação das organizações com custos elevados e riscos regulatórios associados à dependência exclusiva de nuvens públicas. O Anywhere Cloud responde a essa pressão ao permitir que a infraestrutura de IA permaneça distribuída entre diferentes locais, em vez de obrigar cada operação a seguir o mesmo caminho. A pergunta que a Cloudera tenta resolver não é apenas onde processar a IA, mas como administrar o conjunto sem perder visibilidade sobre cada parte.

## Uma camada de controle para dados que permanecem no lugar

O desenho do Anywhere Cloud parte de uma inversão simples, embora pouco trivial na prática: em vez de transportar os dados até o serviço, a plataforma leva os serviços até a infraestrutura onde as informações já estão. O produto permite provisionar serviços de dados e IA sem movimentar os dados, enquanto um **plano de controle unificado** coordena a operação em nuvens públicas, ambientes locais e redes isoladas. Plano de controle é a camada central usada para administrar recursos e serviços, funcionando como uma mesa de comando para instalações que podem estar fisicamente separadas. A piada de infraestrutura é ruim, mas inevitável: neste caso, quem viaja é o comando, não o arquivo.

Essa arquitetura modular foi organizada para que a empresa selecione os serviços necessários conforme a operação, sem transformar cada implantação em uma reconstrução completa da plataforma. Um dos módulos atende à **engenharia de dados**, área responsável por preparar e organizar informações para uso analítico, enquanto outro trabalha com streaming, ou processamento de dados à medida que eles chegam. A separação permite tratar fluxos contínuos de informação de maneira diferente de tarefas de preparação, mantendo ambos sob a mesma administração. Para organizações que já distribuíram seus dados por mais de uma infraestrutura, a proposta reduz a necessidade de escolher um único local antes mesmo de começar o trabalho.

A composição inclui ainda um motor de lakehouse baseado no **Trino** e recursos de orquestração de fluxos de trabalho. Lakehouse é o modelo que combina o armazenamento amplo de um lago de dados com recursos de consulta e organização usados em ambientes analíticos, enquanto a orquestração define a sequência em que as tarefas devem acontecer. Ao colocar essas capacidades dentro da mesma oferta, a Cloudera tenta aproximar a administração da informação, a execução das consultas e o acompanhamento das etapas operacionais. O ponto não é apenas reunir ferramentas, mas permitir que elas sejam provisionadas em locais diferentes sem romper a relação entre os dados e os processos que dependem deles.

Na camada voltada diretamente para inteligência artificial, a plataforma oferece o **Cloudera AI**, apresentado como um dos módulos do pacote. A organização também descreve o Anywhere Cloud como uma forma de disponibilizar serviços de dados e IA em ambientes de produção, isto é, em operações que precisam sair da demonstração controlada e atender processos reais. Essa combinação explica a ênfase no desenho modular: o cliente pode montar a capacidade necessária em sua própria infraestrutura, em uma nuvem pública ou em uma rede isolada, mantendo a administração concentrada. Foi essa promessa de implantação distribuída que ganhou um teste concreto no trabalho realizado com a ExxonMobil.

## ExxonMobil transforma a promessa em uma medida concreta

A participação da **ExxonMobil** no projeto de design deu à Cloudera um exemplo operacional para sustentar o anúncio. A empresa relatou que o tempo de instalação de serviços caiu de **seis horas para cerca de 65 minutos**, diferença que coloca a discussão sobre infraestrutura em uma medida compreensível para quem precisa colocar um ambiente em funcionamento. O número não descreve uma promessa abstrata de desempenho, mas o resultado informado por uma organização envolvida no desenvolvimento da solução. Também mostra onde a plataforma pretende atuar: na etapa de preparar e disponibilizar serviços, antes que as equipes possam usar os recursos de dados e IA em seus próprios processos.

O caso da ExxonMobil não elimina as perguntas que qualquer adoção corporativa precisa responder, mas estabelece um parâmetro para avaliá-las. Uma instalação mais rápida pode reduzir o tempo entre a decisão de usar um serviço e sua disponibilidade, porém o ganho só tem valor se vier acompanhado de controle sobre os dados e de compatibilidade com a infraestrutura existente. É justamente aí que o Anywhere Cloud tenta se diferenciar, porque a proposta não depende de concentrar as informações em um único destino. A experiência relatada pela ExxonMobil funciona, portanto, como uma demonstração da tese central da plataforma: velocidade de implantação sem abrir mão da localização escolhida para os dados.

## Uma plataforma independente da versão anterior

Outro ponto do lançamento está na independência em relação à **Cloudera Data Platform**, conhecida pela sigla CDP. Segundo a empresa, o Anywhere Cloud funciona como uma solução standalone, ou seja, pode ser implementado de forma autônoma, sem depender de uma atualização para versões específicas da CDP. A plataforma também pode operar de maneira independente ou complementar lagos de dados já existentes, preservando investimentos anteriores em armazenamento e informação. Na prática, essa escolha desloca a conversa da migração obrigatória para a integração gradual, uma diferença relevante para organizações que não podem interromper sistemas existentes para adotar uma nova camada de IA.

Essa independência também ajuda a explicar por que o produto foi apresentado como uma alternativa para ambientes heterogêneos. Em vez de exigir que todos os dados e serviços sigam a mesma configuração, a solução procura oferecer uma forma comum de administrar instalações que continuam separadas. O cliente não precisa interpretar standalone como ausência de integração, mas como a possibilidade de iniciar a implantação sem transformar a plataforma anterior em pré-requisito. Para empresas que estão puxando cargas de IA de volta para estruturas locais, essa distinção evita que o retorno ao on-premises seja apenas uma troca de endereço acompanhada por uma nova dependência.

## O desenho voltado à era da IA agentic

Abhas Ricky, Chief Business Officer da **Cloudera**, descreveu a Anywhere Cloud como uma plataforma “agentic-first”, modular e extensível. A expressão agentic-first indica que o produto foi pensado para a fase em que aplicações de IA precisam ser administradas como serviços operacionais, e não apenas testadas em projetos isolados. A empresa associa essa fase à chamada era da IA agentic, termo usado no lançamento para descrever sua prioridade em aplicações de inteligência artificial de nível de produção. A escolha da arquitetura modular permite ampliar a instalação conforme a necessidade, enquanto a operação distribuída mantém os dados nos ambientes definidos pela organização.

Leo Brunnick, Chief Product Officer da **Cloudera**, reforçou que o produto funciona como uma solução standalone e não exige atualização para versões específicas da CDP. Essa declaração coloca a compatibilidade no centro da estratégia, porque a adoção de IA passa a depender menos de uma troca completa da base instalada. Para o responsável pelo produto, a plataforma precisa chegar a estruturas diferentes sem impor um caminho único de modernização. A consequência prática é uma proposta menos parecida com uma mudança de prédio e mais próxima da instalação de uma nova sala de controle, capaz de administrar serviços que continuam espalhados por locais distintos.

## Três anos de desenvolvimento e quase US$ 1 bilhão

Por trás do lançamento há um ciclo de desenvolvimento de **três anos** e um investimento de quase **US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento**. Pesquisa e desenvolvimento, ou P&D, é a frente que transforma recursos técnicos e experimentos em um produto que pode ser distribuído aos clientes. O valor informado pela Cloudera mostra que o Anywhere Cloud não surgiu como uma simples mudança de embalagem para ferramentas já existentes, mas como um projeto de longo prazo voltado a uma forma diferente de organizar dados e IA. A participação da ExxonMobil no design complementa esse percurso ao aproximar a construção do produto de uma necessidade operacional específica.

O projeto também incorporou tecnologias de aquisições feitas pela empresa. A **Taikun** contribuiu com tecnologia relacionada ao Kubernetes, sistema usado na plataforma para organizar a execução de serviços em ambientes distribuídos. A incorporação não aparece como um detalhe isolado, porque ajuda a explicar como a Cloudera pretende sustentar uma oferta que pode ser instalada em mais de um tipo de infraestrutura. Ao combinar uma camada de administração comum com componentes voltados à operação distribuída, a empresa tenta esconder parte da complexidade que normalmente surge quando cada local possui sua própria configuração.

Outra aquisição, a **Octopai**, trouxe recursos de catálogo e lineage, termo que descreve o rastreamento da origem e do percurso dos dados. A empresa também incorporou tecnologia da Verta para gerenciamento de modelos, isto é, para acompanhar os modelos de IA usados pelas aplicações. Esses recursos atacam dois problemas diferentes: saber de onde veio a informação e controlar o modelo que trabalha sobre ela. A Cloudera apresenta essa combinação como parte da base do Anywhere Cloud, mas o valor para o cliente dependerá de como esses controles serão aplicados em cada ambiente, especialmente quando os dados permanecerem espalhados entre instalações locais, nuvens públicas e redes isoladas.

## O próximo passo depois de Singapura

O lançamento em Singapura é o primeiro ponto de uma agenda internacional da **EVOLVE26**. A conferência foi programada para passar por São Paulo em 10 de setembro, Nova York em 14 de outubro e Dubai em 5 de novembro de 2026, depois da etapa realizada em Singapura. A sequência oferece à Cloudera novas oportunidades para apresentar a estratégia Anywhere Cloud a organizações que lidam com diferentes exigências de infraestrutura, soberania e governança. Mais do que uma turnê de anúncios, a agenda mostra que a empresa pretende levar a discussão sobre dados no lugar de origem e IA distribuída a públicos corporativos distintos.

Para quem avalia uma implantação, a caixa de ferramentas deixada pelo anúncio começa por três perguntas práticas: os dados precisam realmente ser movidos, quem administrará os serviços em cada local e quanto tempo a instalação leva em uma operação semelhante à da ExxonMobil? O Anywhere Cloud pode funcionar de forma autônoma ou complementar lagos de dados existentes, e o caso divulgado reduziu a instalação de seis horas para cerca de 65 minutos. A Cloudera agora precisa transformar essa arquitetura em adoção repetível, enquanto as empresas precisam verificar se o controle prometido combina com suas regras de governança, seus custos e suas restrições de localização. A volta da IA ao on-premises, portanto, não é uma rejeição automática da nuvem, mas uma tentativa de escolher onde cada carga deve permanecer e como ela será administrada.