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title: "Seis em cada dez empresas brasileiras sofreram ataques cibernéticos no último ano"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-08-24 07:45:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/08/24/seis-em-cada-dez-empresas-brasileiras-sofreram-ataques-ciberneticos-no-ultimo-ano/md"
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## Resumo
- Brasil concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025.
- A distribuição de malwares cresceu 535% e as tentativas de DDoS aumentaram 119% no país.
- O tempo de exploração de vulnerabilidades críticas caiu de quatro dias para 24 horas.
- 67% das organizações globais sofreram pelo menos um ataque nos últimos 12 meses.
- Phishing respondeu por 83% das ameaças baseadas em e-mail no segundo semestre de 2025.
- Ataques avançados em aplicações de colaboração subiram de 12% para 31% entre 2024 e 2025.
- Empresas precisam testar correções, controle de acessos e recuperação de backups confiáveis.

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Em **2025**, o Brasil concentrou **753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos**, segundo os [dados do FortiGuard Labs](https://digital.futurecom.com.br/ciberseguranca/brasil-registra-7538-bilhoes-de-tentativas-de-ataques-ciberneticos-em-2025-aponta-relatorio/). No mesmo levantamento, foram registradas **187,5 milhões de atividades de distribuição de malwares**, alta de **535% ante 2024**, e **743 bilhões de tentativas de DDoS**, aumento de **119%**. A dimensão desses números transforma a segurança digital em uma questão de continuidade dos negócios, mas também revela um problema menos visível: muitas organizações ainda tentam proteger sistemas que mudam mais depressa do que seus processos internos. O desafio, portanto, não é apenas impedir a próxima invasão, mas compreender por onde ela pode chegar e quanto tempo a empresa teria para reagir.

## O volume de ataques já alterou a medida do risco

O número brasileiro inclui tentativas de diferentes naturezas, entre elas a distribuição de **malwares**, programas maliciosos usados para comprometer dispositivos ou abrir caminho para outras ações, e os ataques de **DDoS**, que pressionam um serviço digital com um volume artificial de acessos até dificultar sua operação. Em outubro de 2025, o país registrou o maior volume mensal, com **198 bilhões de tentativas**. A estatística não funciona como uma lista de empresas invadidas, mas serve como uma medida da pressão que redes, serviços públicos e negócios conectados enfrentam todos os dias, uma pressão que torna insuficiente a ideia de que segurança é apenas instalar uma barreira e esperar.

Essa concentração mensal também ajuda a localizar onde o impacto pode ser mais sensível. Os setores de **governo, educação e energia** foram os mais visados no levantamento, áreas que dependem de sistemas digitais para prestar serviços, armazenar informações e manter operações que não podem simplesmente parar por algumas horas. Quando uma vulnerabilidade aparece nesses ambientes, o problema ultrapassa a tela de um computador e alcança pessoas que dependem de um atendimento, de uma aula ou de uma infraestrutura funcionando. É por isso que o dado sobre volume precisa ser lido junto com o dado sobre velocidade, pois a quantidade amplia a superfície de exposição enquanto o tempo reduz o espaço para tomar decisões.

## A velocidade transformou a correção em uma corrida

O tempo de exploração de **vulnerabilidades críticas** caiu de **quatro dias para 24 horas** em 2025, de acordo com o levantamento citado. Vulnerabilidade é uma falha que pode ser aproveitada para acessar, alterar ou interromper um sistema, e a palavra crítica indica que o risco associado exige atenção imediata. Na prática, essa redução comprime o intervalo entre a descoberta de um problema e a tentativa de explorá-lo, deixando menos espaço para aprovações demoradas, agendas de manutenção inflexíveis ou equipes que só se mobilizam depois de perceber sinais claros de dano.

O efeito dessa janela curta não fica restrito aos profissionais que administram servidores. Uma empresa pode ter bons produtos, clientes fiéis e uma operação cuidadosamente planejada, mas ainda assim depender de um componente desatualizado, de um serviço terceirizado ou de uma credencial exposta. O dado de **24 horas** sugere uma mudança de ritmo: a proteção precisa acompanhar o funcionamento real da organização, com processos capazes de identificar falhas, decidir prioridades e aplicar correções antes que uma ameaça transforme uma brecha técnica em interrupção operacional. A tecnologia, nesse caso, não é uma fortaleza imóvel, mas uma cidade que precisa ser revisada enquanto continua habitada.

## O ataque pode estar dentro da rotina do escritório

Os números internacionais mostram que o problema também se esconde em ações aparentemente comuns. **67% das organizações globais** sofreram pelo menos um ataque cibernético nos 12 meses analisados, contra **53% no ano anterior**, segundo o relatório citado pela fonte. O comprometimento de e-mail corporativo, conhecido pela sigla **BEC**, foi o ponto de entrada mais comum pelo segundo ano consecutivo. Nesse tipo de fraude, o criminoso tenta se passar por uma pessoa ou empresa confiável para induzir alguém a enviar dinheiro, compartilhar informação ou executar uma ação, transformando uma mensagem cotidiana em uma porta de entrada para o ataque.

Essa dificuldade de perceber a invasão se torna maior quando a detecção demora. O relatório da **ACSC**, Agência Australiana de Cibersegurança, indica que a frequência de ataques aumentou cerca de **20%** em comparação ao período anterior, enquanto campanhas de ransomware passaram a usar mais automação e inteligência artificial. Ransomware é o tipo de ataque que bloqueia ou cifra dados para exigir alguma forma de pagamento, e a automação permite repetir etapas em maior escala. A mesma fonte afirma que muitas empresas levam semanas para identificar invasões, um intervalo no qual o invasor pode permanecer silencioso, observar processos e ampliar o alcance do acesso obtido.

## E-mail e colaboração viraram alvos centrais

O e-mail continua no centro dessa disputa. No segundo semestre de 2025, os ataques baseados em e-mail aumentaram **36%** em relação ao primeiro semestre, e o **phishing** respondeu por **83% das ameaças por e-mail**, segundo o relatório da Acronis. Phishing é a tentativa de enganar a vítima com uma mensagem, página ou arquivo que imita uma comunicação legítima, geralmente para obter credenciais ou provocar uma ação. A explicação importa porque o golpe não depende apenas de uma falha de software: ele explora pressa, confiança e familiaridade, elementos presentes em quase toda rotina profissional, desde uma cobrança até um pedido aparentemente urgente do gestor.

Ao lado do correio eletrônico, as aplicações de colaboração ganharam peso. Ataques avançados nesses serviços saltaram de **12% em 2024 para 31% em 2025**, de acordo com a Acronis. Essas plataformas concentram conversas, arquivos e decisões de trabalho, por isso uma conta comprometida pode oferecer ao criminoso uma visão ampla da empresa sem a necessidade de atacar cada dispositivo individualmente. A mudança pede que a organização observe não apenas o computador ou o celular, mas também os vínculos entre identidades, arquivos compartilhados e permissões, porque a porta de entrada pode ser uma conversa legítima que foi ocupada por alguém que não deveria estar ali.

## Ransomware e backups mostram o preço da falsa segurança

A expansão do ransomware confirma que o problema não está diminuindo. O número de vítimas desse tipo de ataque no mundo aumentou **70% no primeiro semestre de 2025**, enquanto ataques de engenharia social e BEC passaram de **20% para 25,6%** entre janeiro e maio de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. A indústria manufatureira foi o setor mais visado, com **15% dos casos de ransomware** no primeiro trimestre. Para o mercado de cibersegurança, a consequência é uma demanda menos concentrada em respostas pontuais e mais ligada à capacidade de acompanhar identidades, correio eletrônico, sistemas de colaboração e continuidade operacional ao mesmo tempo.

Até mesmo a cópia de segurança pode esconder uma surpresa. A Acronis identificou **malware em 1,47% dos backups do Microsoft 365**, o que mostra por que guardar uma cópia não basta para garantir que ela possa ser usada depois de um incidente. Backup é uma duplicação de dados para recuperação, mas essa cópia precisa ser verificada quanto à integridade e ao momento em que foi criada, caso contrário a empresa pode restaurar justamente o conteúdo contaminado. A pergunta deixa de ser apenas se existe um backup e passa a ser se os dados armazenados permitem reconstruir a operação sem devolver o invasor ao ambiente protegido.

Os dados também mudam a conversa entre empresas e fornecedores de segurança. O problema já não se resume a vender uma ferramenta que dispara um alerta, porque o valor está em transformar o alerta em decisão: qual falha deve ser corrigida primeiro, qual conta precisa ser revisada e qual serviço deve ser isolado para conter o impacto. Essa leitura é especialmente relevante para provedores de serviços gerenciados, conhecidos como **MSPs**, que administram tecnologia para outras empresas e, por isso, podem concentrar acessos de vários clientes. A proteção passa a exigir clareza sobre responsabilidades, tempo de resposta e capacidade de recuperação, em vez de depender da sensação confortável de que algum produto está instalado.

## Caixa de ferramentas para o próximo passo

O primeiro passo prático é desenhar um mapa simples das entradas mais prováveis, começando por e-mail, aplicações de colaboração e serviços que dependem de terceiros. Em seguida, a empresa pode transformar a janela de **24 horas** para exploração de vulnerabilidades críticas em uma referência interna de prioridade, sem esperar que todos os problemas tenham o mesmo tratamento. Essa decisão não elimina o risco, mas organiza a resposta a partir do que os números mostram: o atacante trabalha com velocidade, enquanto a defesa não pode continuar presa a ciclos que levam semanas para perceber uma invasão.

O próximo passo é testar a recuperação, não apenas declarar que ela existe. A organização precisa verificar se consegue identificar uma conta comprometida, interromper o acesso, corrigir a falha e restaurar dados confiáveis, inclusive quando o backup está entre os elementos examinados. O sentido mais concreto dos relatórios está aí: com **83% das ameaças por e-mail associadas ao phishing** e com o ransomware crescendo entre vítimas globais, segurança digital deixa de ser uma promessa abstrata e passa a ser uma disciplina cotidiana. A empresa que conhece suas portas, mede seu tempo de reação e testa sua reconstrução não controla o mundo digital, mas deixa de caminhar por ele com os olhos fechados.