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title: "BYD investe 300 milhões de reais para testar direção autônoma no Rio"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-09-05 09:30:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/09/05/byd-investe-300-milhoes-de-reais-para-testar-direcao-autonoma-no-rio/md"
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## Resumo
- A BYD investirá R$ 300 milhões em um Centro de Testes e Avaliação Automotiva no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.
- A estrutura ocupará 183.861 m² e terá foco em pesquisa, desenvolvimento, testes automotivos e demonstração tecnológica.
- A direção autônoma será uma das prioridades, com adaptação às condições brasileiras de infraestrutura e sinalização.
- O projeto prevê testes de performance, resistência e sistemas avançados para veículos e tecnologias automotivas.
- A iniciativa estima a geração de cerca de 1.200 empregos e prevê interação do público com os veículos demonstrados.
- As obras estão programadas para começar no fim de 2026, com inauguração estimada para 2028.
- A construção depende da aprovação do contrato pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

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A **BYD** vai investir **R$ 300 milhões** para transformar o complexo do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, em uma estrutura de pesquisa, testes e demonstração automotiva. O plano tem a direção autônoma como foco inicial, ou seja, sistemas capazes de assumir parte das tarefas de condução que hoje dependem do motorista, e busca adaptar essa tecnologia às condições brasileiras de infraestrutura e sinalização. O projeto combina um Centro de Testes e Avaliação Automotiva com uma plataforma de pesquisa e desenvolvimento, conhecida pela sigla P&D. As obras estão previstas para começar no fim de 2026, com inauguração estimada para 2028, mas o cronograma depende da aprovação do contrato pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O que está em jogo, portanto, é mais amplo que a instalação de uma nova unidade: é a tentativa de fazer do país um laboratório para uma mobilidade que ainda parece saída da ficção científica.

## O Galeão como espaço de testes e demonstração

O projeto ocupará uma área de **183.861 m²** no Aeroporto do Galeão e terá infraestrutura dedicada a testes de performance, resistência e sistemas avançados. Em termos simples, isso significa que os veículos e seus recursos tecnológicos deverão ser avaliados em diferentes condições antes de chegarem a uma operação mais ampla. A BYD oficializou a criação do seu primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva no Brasil, com foco em P&D e demonstração tecnológica. A escolha do Galeão também permite que o espaço seja pensado como uma vitrine: além de testar soluções, a companhia pretende apresentar veículos e tecnologias ao público, aproximando a pesquisa da experiência concreta de quem circula pelas cidades.

Além da estrutura de testes, o investimento inclui uma **plataforma de experiência e P&D** no complexo aeroportuário, ampliando a função do local para além da fabricação industrial. A proposta prevê demonstrações de veículos e interação com o público, enquanto autoridades federais acompanham o desenvolvimento da infraestrutura da marca no Brasil. O projeto também estima a geração de cerca de **1.200 empregos**, número que dá uma dimensão prática à iniciativa para além das discussões sobre carros que dirigem sozinhos. Quando um laboratório tecnológico ocupa uma área desse tamanho e combina pesquisa, avaliação e contato com visitantes, a pergunta deixa de ser apenas como a máquina aprende a circular e passa a incluir quem participará desse processo e em quais condições.

## Por que adaptar a direção autônoma à realidade brasileira

A proposta da BYD parte de uma distinção decisiva: desenvolver soluções locais em vez de simplesmente importar tecnologias criadas na China. Segundo **Alexandre Baldy**, vice-presidente sênior da BYD Brasil, o objetivo é adaptar os sistemas às condições de infraestrutura e sinalização encontradas no país. Essa escolha muda o sentido do centro de pesquisa, porque a direção autônoma deixa de ser tratada como um pacote fechado, pronto para funcionar da mesma maneira em qualquer lugar. Ruas, sinais e padrões de circulação formam a linguagem que o veículo precisa interpretar, e a empresa pretende trabalhar essa tradução diretamente no território brasileiro. O Galeão, nesse desenho, funciona como o ponto de encontro entre uma tecnologia global e as particularidades locais que ela precisa compreender.

Essa adaptação também ajuda a explicar por que a direção autônoma foi colocada no centro da proposta. Um sistema que depende da leitura de sinais e da compreensão das condições de circulação precisa ser avaliado diante das características para as quais foi desenvolvido, e não apenas apresentado como uma solução abstrata. A fala de Baldy indica que a BYD quer usar o Brasil para desenvolver respostas próprias às condições encontradas no país, enquanto o centro reúne testes de performance, resistência e sistemas avançados. O resultado esperado pela empresa é uma tecnologia ajustada ao ambiente em que será utilizada, uma diferença que parece técnica, mas afeta diretamente a confiança das pessoas diante de um veículo ao qual se entrega parte do controle.

## Obras, aprovação e prazo de funcionamento

O cronograma divulgado coloca o início das obras no **fim de 2026** e a inauguração em **2028**. A previsão aparece associada ao Centro de Testes e Avaliação Automotiva e à estrutura de P&D planejada para o Galeão, que deverá reunir avaliações de veículos, demonstrações tecnológicas e atividades de interação com o público. Existe, porém, uma etapa administrativa antes da construção: a concretização do centro depende da aprovação do contrato pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Assim, o calendário não deve ser lido como uma data isolada, mas como uma sequência que começa na aprovação do acordo e avança para a implantação física da unidade.

O prazo informado pela administração do aeroporto acrescenta outra referência à programação: a estimativa é que a construção ocorra em até **três anos após a aprovação** do contrato. Ao mesmo tempo, o cronograma divulgado pela BYD prevê obras no fim de 2026 e inauguração em 2028. Essas duas informações mostram que o próximo passo concreto é a análise do contrato pelo Ministério de Portos e Aeroportos, pois a autorização condiciona a execução do projeto. Até lá, o investimento de R$ 300 milhões permanece como plano anunciado, com área definida, objetivos tecnológicos estabelecidos e uma expectativa de geração de empregos que depende da passagem para a fase de construção.

## O que muda quando o laboratório sai do papel

O centro previsto para o Galeão pode ser entendido como uma ponte entre a tecnologia desenvolvida pela **BYD** e as condições em que os veículos circularão no Brasil. Seu papel envolve testar performance e resistência, avaliar sistemas avançados, adaptar recursos de direção autônoma e demonstrar veículos ao público. Essa combinação dá ao projeto uma dimensão de experiência, porque o visitante não encontrará apenas uma instalação voltada a processos internos, mas também um espaço de interação com as soluções apresentadas pela empresa. A proposta aproxima a engenharia da vida cotidiana e permite que a discussão sobre autonomia seja vista em sua forma concreta: um veículo, uma infraestrutura e pessoas tentando entender até onde a tecnologia pode assumir decisões durante o deslocamento.

O próximo movimento está definido pela própria dependência administrativa do projeto: a aprovação do contrato pelo **Ministério de Portos e Aeroportos**. Se essa etapa avançar, a construção poderá seguir o cronograma anunciado, com início previsto para o fim de 2026, inauguração estimada para 2028 e possibilidade de gerar cerca de 1.200 empregos. O centro também deverá funcionar como uma vitrine tecnológica da BYD, reunindo pesquisa, testes e demonstrações no mesmo complexo. A direção autônoma, que tantas vezes aparece como promessa distante, ganha nesse plano um endereço, uma área e um prazo de implantação; resta acompanhar se o projeto conseguirá transformar a adaptação às ruas brasileiras em uma tecnologia realmente preparada para elas.