---
title: "Reino Unido escolhe a Open Cosmos para estruturar comunicações táticas"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-09-08 08:00:00-03"
category: "Segurança & Privacidade"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/09/08/reino-unido-escolhe-a-open-cosmos-para-estruturar-comunicacoes-taticas/md"
---

## Resumo
- A Open Cosmos foi certificada pela agência comercial do governo britânico para participar do framework TacSys.
- A estrutura de comunicações táticas tem valor estimado de até £8 bilhões e vigência até junho de 2034.
- A solução ConnectedCosmos usa satélites em órbita terrestre baixa para fornecer conectividade soberana.
- Links ópticos entre satélites permitem o roteamento de dados sem depender de gateways terrestres.
- O sistema prevê processamento de borda, fusão de telemetria e imagens e conexão direta com dispositivos.
- A Open Cosmos poderá concorrer a contratos específicos dentro de um framework com múltiplos fornecedores.
- O programa busca reduzir a dependência de mega-constelações transcontinentais e infraestruturas terrestres vulneráveis.

---

O Reino Unido escolheu a **Open Cosmos** como parceira certificada para fornecer conectividade via satélite às comunicações táticas do governo, em uma decisão oficializada em **2 de setembro de 2026**. A estrutura foi desenhada para apoiar futuras contratações do Ministério da Defesa britânico e tem valor estimado de até **£8 bilhões**, com vigência prevista até junho de 2034. O ponto que merece atenção é a arquitetura institucional: a empresa não recebeu, segundo as fontes, um contrato único para entregar toda a rede, mas entrou em um framework que reúne fornecedores e abre espaço para concorrências específicas. É essa diferença que ajuda a entender o tamanho real do anúncio.

## O que a seleção da Open Cosmos significa

Na prática, um **framework** funciona como uma estrutura pré-aprovada de compras, na qual o governo define fornecedores habilitados e condições para contratar soluções futuras. A **Open Cosmos** foi certificada pela British Government Commercial Agency, conhecida pela sigla GCA, para disputar essas oportunidades no campo das comunicações via satélite. O acordo está ligado ao TacSys, abreviação de Tactical Communication System, um programa de comunicações táticas do Ministério da Defesa do Reino Unido. Segundo a [Computer Weekly](https://www.computerweekly.com/news/366650090/UK-gov-selects-Open-Cosmos-as-sovereign-comms-framework-provider), a seleção se conecta a contratações que ainda serão realizadas dentro dessa estrutura, e não encerra o processo de aquisição.

Essa distinção muda a leitura sobre o valor anunciado. O montante de **£8 bilhões** corresponde ao limite estimado do framework, enquanto a participação da empresa permite que ela concorra a contratos específicos de sua solução. O modelo também reúne múltiplos fornecedores e sistemas de comunicação, segundo a Aviation Week, criando uma arquitetura de contratação na qual diferentes capacidades podem ser incorporadas ao longo do tempo. Para o governo britânico, a consequência prática é manter opções abertas para integrar serviços de comunicação e ativos espaciais conforme as necessidades de defesa forem definidas até **junho de 2034**.

## Como a ponte orbital deve funcionar

A solução apresentada pela empresa usa a constelação **ConnectedCosmos** em órbita terrestre baixa, conhecida pela sigla LEO. Satélites nessa faixa são usados pela proposta para fornecer conectividade a partir do espaço, formando uma camada de comunicação voltada à infraestrutura soberana do Reino Unido. O termo soberana, neste caso, descreve a intenção de manter uma capacidade sob controle britânico e reduzir a dependência de grandes constelações transcontinentais. A escolha da órbita baixa, portanto, aparece nas fontes como parte de uma estratégia de conectividade e autonomia, e não como um detalhe isolado da engenharia espacial.

A conexão entre os satélites ocorre por meio de **links ópticos inter-satélites**, identificados pela sigla ISL. Esses enlaces permitem que os dados trafeguem diretamente de um satélite para outro, formando uma rede descrita como **gateway less**, ou sem gateway. Gateway é o ponto terrestre que normalmente encaminharia o tráfego entre a rede espacial e os demais sistemas; ao retirar essa etapa da rota, a arquitetura reduz a quantidade de pontos intermediários usados no transporte das informações. As fontes associam esse desenho a uma proteção maior contra interceptações, porque o encaminhamento pode ocorrer no próprio conjunto de satélites antes de chegar a uma estação em terra.

## Dados tratados perto da origem

O sistema também prevê **processamento de borda**, conceito que descreve a análise dos dados perto do local onde eles são capturados, em vez de enviar tudo para processamento distante. No caso apresentado pela Open Cosmos, a computação de alto desempenho instalada a bordo dos satélites poderá combinar telemetria e imagens. Telemetria é o conjunto de informações que descreve o estado e o funcionamento de um equipamento, enquanto as imagens fornecem dados visuais para análise. A fusão dessas informações permite que o sistema trate os dados durante o percurso orbital, preparando o encaminhamento para redes militares.

Essa capacidade ganha sentido quando observada junto à conectividade direta com dispositivos. A proposta combina canais de **Internet das Coisas**, ou IoT, com transporte de **banda larga**, criando caminhos diferentes para necessidades diferentes de comunicação. O canal de IoT atende à troca de dados entre dispositivos conectados, enquanto a banda larga transporta volumes maiores de informação. As fontes não apresentam esses componentes como produtos separados, mas como partes de uma mesma infraestrutura, na qual dados capturados por dispositivos podem seguir por uma rede espacial capaz de encaminhar informações processadas aos destinos militares.

## Interoperabilidade para a defesa

O framework foi desenhado para integrar **ativos espaciais** e software de voo às arquiteturas de defesa do Reino Unido e de países aliados ao longo de oito anos. Ativos espaciais são os equipamentos colocados em órbita ou associados à operação espacial, enquanto o software de voo controla funções executadas nesses equipamentos. A integração entre essas camadas é o ponto em que a interoperabilidade deixa de ser uma palavra técnica e passa a descrever uma tarefa concreta: fazer sistemas diferentes trocarem dados e operarem dentro da mesma arquitetura. Nesse desenho, a comunicação precisa funcionar como uma ponte entre equipamentos, programas e redes militares.

A seleção da Open Cosmos ganha peso institucional justamente porque a empresa entra nessa estrutura como um fornecedor entre vários. O framework de comunicações táticas permite que sua solução seja considerada ao lado de outros sistemas, mantendo a possibilidade de contratos direcionados para capacidades específicas. A Aviation Week descreve a participação como uma posição no framework de oito anos do Ministério da Defesa, com disputa posterior por contratos individuais. O próximo desafio técnico será, portanto, conectar a solução orbital aos sistemas que o governo definir, respeitando os requisitos de uma arquitetura de defesa que também envolve aliados.

## Soberania e redução de dependências

A iniciativa também responde a uma preocupação descrita nas fontes: diminuir a dependência de **mega-constelações transcontinentais** e de infraestruturas terrestres que podem ficar vulneráveis. Uma mega-constelação é um conjunto muito amplo de satélites operado como uma rede de cobertura, enquanto a infraestrutura terrestre reúne os equipamentos em solo responsáveis por receber, encaminhar ou processar dados. O projeto britânico procura combinar conectividade orbital e controle nacional para criar uma rede considerada mais resiliente. A palavra resiliente, aqui, está ligada à capacidade de manter a comunicação diante de ameaças ou falhas em pontos específicos da infraestrutura.

Essa busca por autonomia não elimina a necessidade de integração. Pelo contrário, o projeto associa a soberania da rede à capacidade de conectar sensores, dispositivos, satélites e redes militares dentro de uma arquitetura comum. A computação a bordo trata parte das informações, enquanto os enlaces ópticos encaminham os dados entre satélites sem depender de todos os pontos terrestres tradicionais. O resultado pretendido pelas fontes é uma infraestrutura que reduza superfícies de exposição e, ao mesmo tempo, permita que diferentes componentes de defesa trabalhem juntos. A pergunta que fica é como os contratos futuros transformarão essa arquitetura em serviços efetivamente disponíveis para as forças britânicas e seus aliados.

## O que acontece agora

O próximo passo será a abertura de contratos específicos dentro do framework, processo no qual a **Open Cosmos** poderá concorrer com sua solução ConnectedCosmos. A estrutura permanecerá associada às futuras aquisições do Ministério da Defesa e terá horizonte de **oito anos**, enquanto o prazo geral informado para o acordo se estende até junho de 2034. Para acompanhar os efeitos do anúncio, será preciso observar quais capacidades serão contratadas, como os ativos espaciais serão integrados ao software de voo e de que modo o encaminhamento sem gateways terrestres será incorporado às redes militares. O anúncio, portanto, inaugura uma etapa de contratação e integração, em vez de apresentar uma rede já concluída.