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title: "Monan coloca a previsão do tempo brasileira em modo supercomputador"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-09-18 08:45:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/09/18/monan-coloca-a-previsao-do-tempo-brasileira-em-modo-supercomputador/md"
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## Resumo
- O INPE iniciou em setembro de 2026 a operação oficial do Monan, modelo brasileiro de previsão meteorológica.
- Executado no supercomputador Jaci, o sistema cobre o globo com resolução de aproximadamente 10 km.
- O Monan atualiza as previsões duas vezes ao dia e alcança até 11 dias de antecedência.
- O modelo usa o núcleo MPAS, adaptado pelo INPE para condições tropicais e subtropicais.
- Os dados podem apoiar o planejamento agrícola, a gestão de bacias hidrográficas e os alertas da Defesa Civil.
- As próximas etapas incluem uma versão regional de 5 km e nowcasting de até seis horas.
- O cronograma até 2031 prevê escalas subsazonais, sazonais e climáticas, além do acoplamento de outros componentes do sistema terrestre.

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Em setembro de 2026, o **Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)** iniciou a operação oficial do Monan, modelo brasileiro para previsões de oceano, terra e atmosfera. Executado no supercomputador **Jaci**, o sistema cobre o globo com resolução espacial de aproximadamente **10 km**, atualiza seus cálculos duas vezes ao dia e produz previsões para até **11 dias**. O avanço responde a uma pergunta prática: como transformar infraestrutura de computação e dados meteorológicos em informação útil para decisões que dependem do tempo? A resposta começa pela nova forma de o instituto produzir e distribuir suas previsões.

## Do projeto de pesquisa ao produto operacional

O primeiro sinal de mudança está no status que o modelo passou a ocupar dentro do instituto. O [anúncio do INPE](https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/inpe-anuncia-inicio-da-operacao-do-monan-para-previsoes-de-tempo-1) informa que o **Monan** foi elevado à categoria de produto operacional, com desempenho superior ao antigo modelo **BAM**. Em termos simples, isso significa que a ferramenta deixou de ser tratada apenas como uma iniciativa em desenvolvimento e passou a integrar a rotina oficial de previsão do tempo. O projeto também adota um modelo comunitário, com participação de instituições brasileiras e latino-americanas, em uma construção que conecta diferentes grupos de pesquisa sob a liderança do INPE e a vinculação ao MCTI.

Por trás dessa mudança existe um ciclo de desenvolvimento de **três anos**, apoiado por uma infraestrutura de processamento capaz de executar cálculos meteorológicos em escala global. O Monan utiliza o núcleo dinâmico **MPAS**, que é a parte responsável por calcular a evolução dos processos atmosféricos, adaptado pelo INPE para condições tropicais e subtropicais. A resolução de 10 km pode ser entendida como o tamanho aproximado da malha usada para representar o território e a atmosfera nos cálculos. Quanto mais detalhada for essa malha, maior é a quantidade de informação que o sistema precisa processar, o que explica a conexão direta entre o modelo e o supercomputador Jaci.

## Como os dados viram uma previsão utilizável

O Monan recebe informações que ajudam a descrever o estado da atmosfera antes de simular seus próximos movimentos. Dados de **satélites** e **radares** entram nesse processo para que o modelo represente o comportamento atmosférico em diferentes áreas. A lógica é semelhante à de uma mesa de diálogo: cada fonte oferece uma parte da informação, enquanto o sistema organiza esses sinais em uma previsão que pode ser consultada com antecedência. O resultado não é apenas uma leitura do tempo atual, mas uma simulação capaz de projetar como as condições podem evoluir ao longo dos dias seguintes.

Essa rede de informações também inclui **estações meteorológicas**, que registram condições observadas em pontos específicos e ajudam a compor a base usada pelo modelo. Na prática, as previsões podem apoiar o planejamento agrícola, incluindo decisões relacionadas a **plantio e colheita**, além de estimativas sobre o volume de chuva em bacias hidrográficas. As mesmas informações podem servir de apoio a alertas da Defesa Civil para eventos extremos, aproximando o processamento de alta capacidade de decisões que afetam áreas rurais, cidades e estruturas de gestão da água. É nessa passagem entre dados técnicos e uso cotidiano que a operação do Monan ganha sentido para além do laboratório.

## Por que a infraestrutura nacional entra na conversa

A operação também tem uma dimensão relacionada ao controle da capacidade de produzir dados meteorológicos. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, **Luciana Santos**, destacou o Monan como uma garantia de soberania sobre dados climáticos. Essa ideia ganha forma porque o modelo é liderado pelo INPE, conta com participação de instituições da região e roda em uma máquina vinculada ao projeto **RISC**, sigla para Renovação da Infraestrutura de Supercomputação. Em vez de depender somente de uma solução externa para interpretar as condições atmosféricas, o país passa a manter uma estrutura própria de modelagem e processamento.

Essa estrutura funciona como uma ponte entre instituições que produzem dados e setores que precisam tomar decisões com base neles. O **Monan** concentra a capacidade de transformar observações meteorológicas em previsões com escala global, enquanto a agricultura e a Defesa Civil podem aplicar essas informações em problemas diferentes. A conexão não elimina a complexidade técnica, mas organiza o caminho entre o dado bruto e a ação possível. Para o leitor, a consequência mais concreta é entender que a previsão publicada no cotidiano depende de uma cadeia de processamento na qual modelo, supercomputador e fontes de observação precisam conversar entre si.

## A próxima etapa é aumentar o zoom

A operação atual é o primeiro estágio de uma expansão já prevista para o projeto. Entre as próximas entregas está uma versão regional com resolução de **5 km** para a América do Sul, capaz de representar detalhes mais finos do território do que a configuração global de 10 km. O plano também inclui o chamado **nowcasting**, termo usado para previsões de curtíssimo prazo, com alcance de até seis horas. A diferença entre as duas frentes é direta: uma aumenta o nível de detalhe regional, enquanto a outra encurta o horizonte para acompanhar mudanças imediatas no tempo.

O cronograma de desenvolvimento se estende até **2031** e prevê novas escalas de previsão. Além dos 11 dias já disponíveis, o planejamento inclui horizontes subsazonais de até **60 dias**, previsões sazonais de até seis meses e projeções climáticas de longo prazo. O programa também prevê o acoplamento de oceanos, criosfera e vegetação dinâmica, ou seja, a inclusão dessas partes do sistema terrestre nos cálculos para que elas sejam consideradas junto da atmosfera. O próximo passo concreto, portanto, é ampliar gradualmente o alcance e o nível de detalhe do Monan, acompanhando a capacidade de processamento do Jaci e as metas definidas para o programa.