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title: "O Vale do Silício desembarca em São Paulo para discutir como a IA entra nas empresas"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-09-19 10:15:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/09/19/o-vale-do-silicio-desembarca-em-sao-paulo-para-discutir-como-a-ia-entra-nas-empresas/md"
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## Resumo
- A primeira edição brasileira do Brazil at Silicon Valley ocorreu em 16 de setembro de 2026, na sede da Fiesp, em São Paulo.
- O evento discutiu a aplicação de inteligência artificial em operações já existentes de empresas.
- Investidores, gestores de capital de risco, acadêmicos e executivos participaram do fórum, que teve acesso restrito a convidados.
- Executivos do Nubank, da Cognition e da Decagon estiveram entre os participantes das discussões.
- David Vélez informou que a adoção de IA entre os funcionários do Nubank chegou a 98%.
- O aumento de produtividade foi usado para ampliar a capacidade de entrega com a mesma equipe.
- Lideranças também debateram custos competitivos e soberania digital no Brasil.

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A primeira edição brasileira do **Brazil at Silicon Valley** aconteceu em 16 de setembro de 2026, na sede da **Fiesp**, na Avenida Paulista, em São Paulo, para discutir como inserir inteligência artificial (IA) em operações já existentes de empresas. O encontro reuniu líderes empresariais, empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas, colocando a aplicação corporativa da tecnologia no centro da conversa. Para quem acompanha a transformação digital, o ponto prático está nesta pergunta: como conectar uma ferramenta nova a processos que já funcionam, sem transformar a IA em uma ilha? A resposta apresentada no evento pode ser lida como uma ponte entre estratégia, sistemas e produtividade, como mostra a [cobertura da Exame](https://exame.com/negocios/brazil-at-silicon-valley-leva-evento-do-vale-do-silicio-para-sao-paulo-pela-primeira-vez).

## Uma ponte entre tecnologia e operação

Esse recorte nasceu da parceria entre o **Brazil at Silicon Valley** e a **Fiesp**, com a proposta de levar para empresas e públicos corporativos brasileiros discussões que a organização desenvolve há oito anos na Califórnia. A escolha de São Paulo colocou a conversa no centro de uma área industrial e empresarial, mas o objetivo não foi apresentar a inteligência artificial como uma promessa distante ou restrita a laboratórios. O tema central foi sua aplicação em operações existentes, o que muda a pergunta de "o que a tecnologia consegue fazer?" para "em qual parte do trabalho ela consegue entregar valor agora?" Essa mudança de foco prepara o terreno para entender por que a integração entre sistemas ganhou tanto espaço no encontro.

A partir dessa ponte institucional, o fórum reuniu **investidores**, gestores de capital de risco, acadêmicos e executivos, além de aproximar fundadores de startups e líderes industriais. Capital de risco é o investimento direcionado a empresas com potencial de crescimento, mas que também carregam incertezas sobre seus resultados, e sua presença ajuda a explicar a dimensão econômica da discussão. A participação ficou restrita a convidados, com confirmação prévia da organização, o que deu ao evento um formato voltado a interlocutores capazes de discutir implementação, financiamento e políticas públicas. Em vez de uma apresentação isolada de produto, a reunião colocou diferentes partes da cadeia de inovação para conversar sobre como transformar pesquisa e investimento em uso corporativo, abrindo espaço para os exemplos práticos apresentados na sequência.

## Quando a IA encontra os sistemas existentes

Com essa ponte institucional montada, executivos do **Nubank** e da **Cognition** participaram das discussões sobre a entrada da IA em operações empresariais. A ideia de integração pode ser traduzida pelo conceito de interoperabilidade, que descreve a capacidade de sistemas, equipes e serviços diferentes trocarem informações e trabalharem juntos. Na prática, isso significa conectar uma nova camada de inteligência aos fluxos que a empresa já utiliza, em vez de criar uma estrutura completamente separada da operação. O desafio deixa de ser apenas escolher uma ferramenta e passa a envolver processos, pessoas e responsabilidades: onde os dados entram, quem valida as respostas e como o resultado chega ao cliente? Essa é a parte menos publicitária e mais operacional da conversa, justamente porque define se a tecnologia será incorporada ao trabalho diário.

A participação da **Decagon** ampliou essa conversa dentro de um encontro que também tratou da integração de sistemas complexos e do papel dos agentes de IA. Nesse contexto, agentes são sistemas capazes de atuar dentro de fluxos de trabalho definidos, recebendo uma tarefa e executando etapas com base em informações disponíveis. O valor dessa abordagem depende da comunicação entre as partes, como em um diálogo diplomático: uma plataforma precisa entender o pedido da outra, respeitar regras de acesso e devolver uma resposta que possa ser usada pelo processo seguinte. A discussão sobre operações existentes ganha peso justamente por esse motivo, já que uma solução isolada pode produzir uma demonstração interessante, mas uma operação conectada exige compatibilidade, governança e clareza sobre o resultado esperado.

## Produtividade, custo e soberania digital

O exemplo mais mensurável apresentado no evento veio do **Nubank**. David Vélez, CEO da empresa, informou que a adoção de IA entre os funcionários atingiu **98%**. Segundo o executivo, o aumento de produtividade proporcionado pela tecnologia foi usado para ampliar a capacidade de entrega com a mesma equipe, em vez de reduzir o número de postos de trabalho. O dado muda a forma de avaliar a automação: a pergunta deixa de ser apenas quantas tarefas uma ferramenta executa e passa a incluir o que uma equipe consegue entregar depois que incorpora essa ferramenta ao cotidiano. A [declaração de Vélez](https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/ceo-da-nubank-humano-que-domina-ia-vai-roubar-seu-emprego) também coloca a qualificação profissional no centro da discussão, pois o ganho depende de pessoas capazes de utilizar a tecnologia dentro dos processos da empresa.

Esse resultado também levou a conversa para uma questão maior: quanto custa manter a infraestrutura necessária para que a IA funcione de forma competitiva? Lideranças presentes no encontro afirmaram que o Brasil precisa superar lacunas estruturais para alcançar a **soberania digital**, conceito que envolve ter capacidade de operar tecnologias estratégicas com condições próprias de custo, infraestrutura e conhecimento. A discussão não ficou limitada à eficiência de uma empresa, porque custo competitivo afeta a possibilidade de indústrias, governos e organizações adotarem soluções digitais em escala. A parceria entre **Brazil at Silicon Valley** e Fiesp colocou esse debate no ambiente empresarial, conectando a produtividade observada nas empresas ao desafio de construir condições para que sistemas de IA possam ser integrados sem tornar sua operação proibitiva.

## O que a discussão deixa para as empresas

A discussão sobre produtividade, custo e soberania digital deixa uma orientação prática para quem pretende adotar IA: começar pela operação e pelos pontos de conexão, não pela ferramenta mais chamativa. O caso apresentado pelo **Nubank** mostra que a adoção alcançou os funcionários e foi associada à ampliação da capacidade de entrega com a mesma equipe. Já o formato do evento, que reuniu investidores, gestores de capital de risco, acadêmicos e executivos, mostra que a implementação depende de mais de uma área. Uma empresa precisa avaliar quais processos serão conectados, quais informações estarão disponíveis e como as pessoas vão validar os resultados. Essa leitura transforma a IA em uma agenda de trabalho compartilhada, na qual tecnologia, gestão e investimento precisam falar uma linguagem compatível.

Por isso, o próximo passo para empresas que não participaram da conferência é fazer um diagnóstico objetivo dos fluxos em que a inteligência artificial pode ser incorporada, medindo capacidade de entrega e custo antes de ampliar a iniciativa. A primeira edição do **Vale do Silício @ Brasil** foi fechada a convidados e teve como público líderes empresariais, empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas, o que reforça o caráter especializado da conversa. O dado de **98% de adoção no Nubank** oferece uma referência concreta, mas não substitui a análise de cada organização: a tecnologia precisa encontrar dados acessíveis, processos compreensíveis e equipes preparadas para usá-la. É nessa conexão entre sistemas e pessoas que a promessa de produtividade deixa de ser discurso e passa a ser uma decisão operacional.