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title: "OMS pede supervisão ética mais forte para pesquisas de saúde com inteligência artificial"
author: "André Iglesias"
date: "2026-09-22 09:00:00-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/09/22/oms-pede-supervisao-etica-mais-forte-para-pesquisas-de-saude-com-inteligencia-artificial/md"
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## Resumo
- A OMS publicou, em 21 de setembro de 2026, um relatório sobre supervisão ética de pesquisas de saúde relacionadas à IA.
- O documento alerta para riscos de transparência, viés, privacidade e responsabilidade.
- As pesquisas são divididas em três categorias conforme o uso de dados, ferramentas ou tecnologias de IA.
- A OMS afirma que os Comitês de Ética em Pesquisa precisam de mais treinamento e recursos.
- A responsabilidade pela supervisão deve ser compartilhada entre pesquisadores, financiadores, periódicos científicos e órgãos reguladores.
- O relatório orienta os envolvidos a considerar a ética durante todo o ciclo de vida da pesquisa.
- A organização apresenta o documento como ponto de partida para futuras normas e orientações de governança global.

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Em 21 de setembro de 2026, a **Organização Mundial da Saúde (OMS)** publicou o relatório "Artificial Intelligence-related Health Research: Ethics Review and Oversight" e pediu uma supervisão ética mais forte para pesquisas de saúde relacionadas à inteligência artificial (IA). O relatório foi desenvolvido por especialistas em ética de pesquisa, ciência, saúde digital e IA da OMS e aponta que os mecanismos de supervisão atuais podem não acompanhar os riscos dessa tecnologia. A proposta interessa a quem produz evidência médica porque conecta transparência, proteção da privacidade, redução de vieses e responsabilidade ao ciclo de vida da pesquisa. O [relatório da OMS](https://www.who.int/news/item/21-09-2026-new-who-report-calls-for-stronger-ethics-oversight-of-ai-related-health-research) é apresentado como uma orientação para pesquisadores, comitês de ética, reguladores e formuladores de políticas.

## Por que a supervisão ética precisa mudar

Esse diagnóstico parte de uma constatação direta: os **mecanismos de supervisão ética atuais** podem não estar preparados para lidar com a velocidade e a complexidade das pesquisas que envolvem IA. A OMS cita falta de transparência, viés, questões de privacidade e responsabilidade entre os riscos que precisam ser avaliados. Transparência, nesse contexto, significa permitir que as pessoas entendam como a tecnologia participa da pesquisa; viés é uma distorção que pode afetar os resultados ou tratar grupos de maneira desigual. A proteção da privacidade e a definição de quem responde por decisões e consequências completam o problema apresentado no documento.

Além dos riscos ligados ao funcionamento da tecnologia, a OMS alerta que a ausência de **salvaguardas éticas** pode comprometer direitos humanos, equidade e confiança pública. Equidade significa considerar se diferentes grupos recebem tratamento justo, enquanto confiança pública depende da percepção de que a pesquisa respeita as pessoas envolvidas. O relatório é descrito pela organização como um ponto de partida para fortalecer a supervisão e apoiar o desenvolvimento de futuras normas e orientações de governança global. Esse vínculo entre proteção individual e confiança coletiva transforma a revisão ética em uma etapa que ultrapassa a análise técnica de uma ferramenta.

## As três formas de pesquisar com inteligência artificial

Para organizar esse problema, o relatório separa as pesquisas em **três categorias**: pesquisas com dados usando IA, pesquisas com ferramentas ou tecnologias de IA e pesquisas sobre ferramentas ou tecnologias de IA. A primeira categoria trata do uso de sistemas de inteligência artificial para trabalhar com dados de pesquisa. A segunda envolve a utilização de uma ferramenta ou tecnologia de IA durante o estudo. A terceira concentra-se na própria investigação sobre como essas ferramentas e tecnologias são desenvolvidas ou utilizadas. A divisão ajuda a identificar que a presença da IA pode ocorrer em pontos diferentes do trabalho científico.

Essa divisão também evita que toda pesquisa relacionada à IA seja avaliada como se tivesse o mesmo tipo de risco. Um estudo que usa dados com auxílio de um sistema está em uma relação diferente de outro que examina a própria ferramenta, e o relatório coloca essas situações dentro de uma estrutura comum de análise. A OMS não apresenta, na pauta divulgada, uma lista de regras específicas para cada categoria. O que aparece é uma recomendação para que a supervisão acompanhe o **ciclo de vida da pesquisa**, expressão que indica o acompanhamento do trabalho desde sua concepção até suas etapas posteriores.

## Responsabilidade compartilhada entre vários atores

A ampliação da supervisão depende também da capacidade dos **Comitês de Ética em Pesquisa**, conhecidos pela sigla REC, de avaliar estudos que envolvem IA. Segundo o relatório, esses comitês precisam de mais treinamento e recursos para lidar com riscos que podem não aparecer em uma revisão convencional. A recomendação não coloca todo o peso da decisão sobre uma única comissão. A OMS defende que a responsabilidade seja compartilhada entre pesquisadores, financiadores, periódicos científicos e órgãos reguladores, cada um participando da proteção ética da pesquisa.

O mesmo alargamento apareceu no lançamento virtual do relatório, realizado em 21 de setembro de 2026. O painel discutiu **consentimento informado**, que é a autorização dada por uma pessoa depois de receber explicações sobre a pesquisa, além de viés em IA, melhoria da capacidade dos comitês de ética e riscos específicos em contextos de baixa renda. Esses pontos mostram que a discussão não termina quando um projeto chega para avaliação. Ela também envolve a qualidade da informação oferecida aos participantes e a capacidade das instituições de reconhecer diferenças entre os ambientes onde a pesquisa será realizada. O [evento de lançamento](https://www.who.int/news-room/events/detail/2026/09/21/default-calendar/virtual-launch-new-report-on-ethics-oversight-of-ai-related-health-research) reforçou essa visão ao abordar o ciclo completo da pesquisa.

## O que muda para quem desenvolve pesquisas

Somada à classificação das pesquisas, a orientação da OMS desloca a pergunta de "a ferramenta foi aprovada?" para "quais proteções acompanham o estudo ao longo de seu desenvolvimento?". O documento foi criado para orientar **pesquisadores, comitês de ética, reguladores e formuladores de políticas** sobre o ciclo de vida da pesquisa relacionada à IA. Na prática, isso significa observar a tecnologia desde o planejamento, considerando transparência, viés, privacidade, responsabilidade e governança de dados. Governança de dados é o conjunto de decisões sobre como as informações são administradas, protegidas e utilizadas.

Na prática, a proposta também distribui tarefas que costumam ser concentradas na equipe que executa o estudo. **Financiadores** e periódicos científicos aparecem, junto aos órgãos reguladores, como partes da responsabilidade compartilhada defendida pela OMS. O relatório não descreve, nas informações divulgadas, uma punição nova ou um procedimento obrigatório para cada instituição. Ele oferece recomendações para que os diferentes participantes reconheçam os riscos da IA e participem da supervisão, em vez de tratar a aprovação inicial como o único momento de controle.

## O próximo passo indicado pela OMS

Esse modelo é apresentado como uma resposta à distância entre a adoção rápida da IA e a preparação das estruturas de revisão ética. A OMS afirma que a falta de salvaguardas pode afetar **direitos humanos, equidade e confiança pública**, enquanto a ausência de transparência, proteção da privacidade e responsabilidade dificulta saber como uma pesquisa deve ser acompanhada. Por isso, o relatório serve como ponto de partida para fortalecer a supervisão e apoiar futuras normas e orientações de governança global. A organização reconhece que a atualização das práticas precisa acompanhar a complexidade das tecnologias utilizadas na saúde.

O próximo passo anunciado é usar o documento como referência para orientar os atores envolvidos na pesquisa e apoiar a construção de futuras orientações. A OMS disponibilizou o relatório para pesquisadores, comitês de ética, reguladores e formuladores de políticas, incluindo a discussão sobre riscos específicos em contextos de baixa renda. Para quem trabalha com pesquisa em saúde, a caixa de ferramentas começa por mapear em qual das **três categorias** o estudo se encaixa, identificar os riscos de transparência, viés e privacidade e definir como a responsabilidade será acompanhada ao longo do ciclo de vida. Esse é o pedido formal da OMS: atualizar a supervisão antes que a velocidade da IA deixe a ética para trás.