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title: "Portugal transforma o REPMUS em laboratório internacional para testar drones"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-09-26 08:15:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/09/26/portugal-transforma-o-repmus-em-laboratorio-internacional-para-testar-drones/md"
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## Resumo
- A 16.ª edição do REPMUS ocorreu em setembro de 2026, em Troia, Portugal.
- Mais de 4.000 participantes e mais de 500 sistemas não tripulados foram mencionados no balanço da Euronews.
- O evento reuniu 26 países participantes e 10 observadores, com testes de drones aéreos, de superfície e subsuperfície.
- A interoperabilidade conectou sistemas tripulados e não tripulados por meio de tecnologias de inteligência artificial e comando e controlo.
- Os testes incluíram guerra de minas, guerra anti-submarina e monitorização ambiental.
- A Marinha Alemã apresentou o Greyshark, unidade subaquática multissensor equipada com inteligência artificial.
- O exercício ocupou mais de 400 milhas náuticas entre o Cabo Espichel e Sines e contou com 14 navios militares de apoio.

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Portugal encerrou, em **25 de setembro de 2026**, a 16.ª edição do exercício REPMUS, uma iniciativa internacional dedicada a testar tecnologias não tripuladas em operações marítimas. Realizado no Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Troia, o encontro reuniu mais de **4.000 participantes** e avaliou mais de **500 sistemas não tripulados**, segundo o balanço divulgado pela Euronews. A Marinha Portuguesa organizou a iniciativa em conjunto com a Organização do Tratado do Atlântico Norte, conhecida pela sigla NATO, e a Agência Europeia de Defesa. A pergunta que o REPMUS ajuda a responder é direta: como fazer drones de origens diferentes trocarem informações e atuarem juntos quando a missão envolve grandes distâncias, vários meios navais e decisões em tempo real?

## Portugal transforma o exercício em laboratório internacional

Essa escala colocou o **REPMUS**, sigla em inglês para Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems, no centro da experimentação internacional de tecnologias navais. O exercício ocorreu no **Centro de Experimentação Operacional da Marinha**, em Troia, e contou com 26 países participantes e 10 observadores. Os testes abrangeram drones aéreos e de superfície, enquanto a dimensão subsuperficial levou equipamentos para debaixo da água. Para entender a dimensão da iniciativa, a [Euronews](https://pt.euronews.com/2026/09/25/repmus-portugal-volta-a-ser-palco-mundial-de-experimentacao-de-tecnologia-de-drones) descreveu o encontro como uma oportunidade para testar protótipos, inteligência artificial e a integração entre sistemas tripulados e não tripulados.

Além da presença militar, a composição do evento mostra que o REPMUS funciona como uma mesa de negociação tecnológica, na qual cada participante leva uma capacidade e precisa demonstrar como ela conversa com as demais. Outra fonte, a Marinha da Bélgica, informou que a edição de 2026 reuniu mais de **1.500 participantes**, 36 marinhas nacionais, 60 empresas, 13 universidades e cinco organizações da NATO. A mesma fonte registrou a avaliação de mais de 300 sistemas não tripulados. Os números publicados são diferentes, mas ambos os levantamentos apontam para uma iniciativa multinacional que combina forças armadas, indústria, universidades e organizações de defesa, criando a base humana para a interoperabilidade.

## Interoperabilidade coloca drones em diálogo

Essa diversidade de participantes só produz valor quando os equipamentos conseguem atuar dentro de uma mesma lógica operacional. No REPMUS, **interoperabilidade** significa fazer sistemas de fabricantes, países e ambientes diferentes trocarem dados e trabalharem de forma coordenada. Um drone que voa, uma plataforma que navega na superfície e um veículo que opera debaixo d'água precisam enviar informações compreensíveis para os sistemas de comando e controlo. O exercício concentrou-se justamente nessa ponte entre tecnologias tripuladas e não tripuladas, com uso de inteligência artificial e avaliação de protótipos em condições próximas da realidade operacional.

Na prática, os sistemas de **comando e controlo** funcionam como o ponto de encontro das informações coletadas pelos drones e das decisões tomadas pelas equipes. O REPMUS incluiu testes de guerra de minas e guerra anti-submarina, atividades nas quais localizar um objeto ou acompanhar uma ameaça exige dados consistentes entre diferentes plataformas. Também foram avaliados recursos de monitorização ambiental e soluções para coordenar os meios empregados. A tecnologia deixa de ser uma peça isolada quando seus dados podem entrar no mesmo fluxo de decisão, e é essa conexão que transforma protótipos separados em uma capacidade operacional combinada.

## Da experimentação técnica à operação marítima

Essa integração foi testada em uma área marítima extensa, o que levou o exercício para além de uma demonstração restrita a um único ponto. O REPMUS 2026 ocupou mais de **400 milhas náuticas** entre o Cabo Espichel e Sines e envolveu 14 navios militares de apoio. A dimensão geográfica ajuda a explicar por que os sistemas não tripulados despertam interesse das marinhas: o comandante **Luís Quaresma dos Santos** destacou a necessidade de multiplicar a força naval para cobrir a grande área de responsabilidade marítima de Portugal. Nesse arranjo, os drones ampliam a capacidade de vigilância e coleta de informações sem exigir que cada tarefa seja executada diretamente por uma embarcação tripulada.

O alcance do exercício também aparece na variedade de missões testadas. A **guerra de minas** exige localizar e avaliar ameaças submersas, enquanto a guerra anti-submarina depende da observação de áreas nas quais uma embarcação tripulada pode ter limitações de alcance ou exposição. Em paralelo, a monitorização ambiental mostra que os mesmos sistemas podem ser empregados para coletar dados sobre o ambiente marítimo. A combinação dessas tarefas com os sistemas de comando e controlo permite verificar se a tecnologia funciona apenas como demonstração ou se consegue participar de uma cadeia operacional mais ampla.

## O que o Greyshark revela sobre a inteligência artificial submarina

Esse esforço de conexão ganhou um exemplo concreto na participação da Marinha Alemã. A Bundeswehr tratou o REPMUS 2026 como um **laboratório experimental** para avaliar tecnologias capazes de proteger águas alemãs e mencionou o interesse em aplicações para o Mar Báltico. Entre os equipamentos apresentados estava o **Greyshark**, uma unidade subaquática multissensor equipada com inteligência artificial para operações em águas profundas. O termo multissensor indica que o equipamento reúne diferentes formas de percepção, enquanto a inteligência artificial permite processar os dados coletados para apoiar a operação.

A presença do Greyshark conecta a experimentação de drones ao problema mais amplo de operar em ambientes nos quais a comunicação, a visibilidade e o acesso humano são limitados. Um veículo subaquático precisa compartilhar informações com os demais participantes da missão para que seus dados tenham utilidade além do próprio equipamento. Por isso, a avaliação de uma unidade como o **Greyshark** não depende somente de sua capacidade de mergulhar ou de seus sensores, mas também da maneira como ela se integra aos sistemas de comando e controlo. O exercício transforma essa integração em uma questão observável, testada em operações e não apenas descrita em especificações técnicas.

## Por que os números aparecem em escalas diferentes

Os dados divulgados sobre a edição de 2026 apresentam mais de **300 sistemas não tripulados** em uma fonte e mais de **500 sistemas** em outra. Em vez de escolher um número e apagar o outro, é mais preciso registrar que os levantamentos publicados adotam contagens diferentes para a mesma edição. A fonte belga informou a avaliação de mais de 300 sistemas, abrangendo drones subaquáticos e helicópteros não tripulados. A Euronews informou mais de 500 sistemas testados em Portugal, ao lado de mais de 4.000 participantes, 26 países e 10 observadores. A diferença não muda o ponto central: o REPMUS trabalhou com centenas de sistemas de origens multinacionais.

Essa escala permite comparar soluções em condições próximas da realidade operacional e observar como elas se comportam quando precisam dividir informações e tarefas. A fonte belga descreveu a participação de **60 empresas**, **13 universidades** e cinco organizações da NATO, enquanto a Marinha Alemã apresentou uma aplicação específica de inteligência artificial em uma unidade submarina. A conexão entre esses elementos dá ao evento uma função que vai além da exposição de equipamentos: protótipos podem ser colocados em contato com operadores militares, pesquisadores e outros sistemas. O resultado buscado é aumentar a maturidade tecnológica das soluções antes de sua adoção em operações reais.

## A caixa de ferramentas para entender o REPMUS

Para o leitor que acompanha tecnologia, o primeiro conceito a guardar é o de **interoperabilidade**: uma plataforma isolada pode cumprir sua tarefa, mas uma força naval precisa que diferentes equipamentos compartilhem dados e recebam comandos compatíveis. O segundo é o de sistemas de comando e controlo, responsáveis por organizar as informações e apoiar as decisões das equipes. O terceiro é a experimentação, que permite colocar protótipos aéreos, de superfície e subsuperfície em atividades como guerra de minas, guerra anti-submarina e monitorização ambiental. O REPMUS reúne esses três elementos em uma mesma iniciativa, aproximando desenvolvimento técnico e uso operacional.

O próximo passo indicado pelo próprio formato do exercício é continuar avaliando a integração entre sistemas tripulados e não tripulados, com inteligência artificial, sensores e redes de comando e controlo trabalhando no mesmo fluxo. A edição de 2026 levou essa avaliação para uma área de mais de **400 milhas náuticas**, apoiada por 14 navios militares e por participantes de dezenas de países e organizações. Para as marinhas envolvidas, o efeito prático é testar como multiplicar a vigilância e a capacidade operacional em grandes áreas marítimas. Para quem observa a evolução dos drones, o REPMUS deixa uma lição clara: o valor de cada máquina depende também das pontes digitais que permitem que ela converse com as outras.