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title: "A SMD apresenta um chip GaN local para turbinar IA energia renovável e baterias"
author: "Gustavo Ramos O. Klein"
date: "2026-10-07 09:45:00-03"
category: "Tecnologia & Desenvolvimento"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/10/07/a-smd-apresenta-um-chip-gan-local-para-turbinar-ia-energia-renovavel-e-baterias/md"
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## Resumo
- Sarawak lançou o keteq.GaN, primeiro chip semicondutor de potência de GaN projetado localmente no estado.
- A tecnologia foi apresentada pela SMD Semiconductor durante a IDECS 2026, na Malásia.
- O chip usa tecnologia de bandgap largo e busca melhorar eficiência, densidade de potência e gestão de energia.
- As aplicações previstas incluem infraestrutura de IA, energia renovável, armazenamento em baterias, redes inteligentes e tecnologia espacial.
- A SMD desenvolveu o projeto em quatro anos, após sua fundação em 2022, com parceiros internacionais.
- Um acordo com a Jiangsu Linyang Energy prevê a integração da tecnologia em produtos a partir do próximo ano.
- Sarawak usa o projeto para avançar da manufatura de semicondutores ao design e à propriedade intelectual própria.

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A **SMD Semiconductor**, estatal de Sarawak, apresentou oficialmente o **keteq.GaN** durante a IDECS 2026, na Malásia, como o primeiro chip semicondutor de potência de nitreto de gálio projetado localmente no estado. O lançamento coloca uma peça própria de design no centro de uma discussão que costuma começar pelos grandes processadores, mas depende igualmente da forma como a eletricidade é convertida, distribuída e armazenada. A proposta mira infraestrutura de inteligência artificial e outras aplicações que exigem controle mais eficiente da energia, enquanto Sarawak tenta avançar da manufatura para o desenvolvimento de tecnologia e propriedade intelectual próprias. Para entender o que está em jogo, é preciso olhar para a ponte entre o chip e os sistemas que consomem eletricidade.

## O que o GaN muda na conversão de energia

A primeira resposta está na própria arquitetura do componente. O **keteq.GaN** foi desenvolvido com tecnologia de bandgap largo, expressão usada pela SMD para descrever uma abordagem voltada ao aumento da eficiência, da densidade de potência e da capacidade de gestão de energia. Em termos práticos, o chip foi pensado para atuar na conversão elétrica, processo que transforma a energia disponível em uma forma adequada para equipamentos e sistemas. Essa camada costuma ficar longe da atenção do usuário, mas define quanto espaço, energia e capacidade de controle uma solução precisa para funcionar. É como uma ponte em uma rede de serviços: o valor aparece quando ela conecta corretamente a fonte ao destino.

A partir dessa base, a empresa mira a **infraestrutura de IA**, área em que a densidade de potência ganha peso porque os equipamentos precisam concentrar muita capacidade computacional em instalações que dependem de fornecimento elétrico contínuo. As fontes não apresentam o keteq.GaN como um processador que executa modelos de inteligência artificial, e sim como um componente de potência capaz de apoiar a conversão e a gestão da eletricidade que alimenta essa infraestrutura. Essa distinção ajuda a separar duas camadas frequentemente misturadas no debate público: uma é o chip que calcula; outra é a rede de energia que permite que esse cálculo aconteça. A SMD está mirando justamente essa segunda camada.

## Do chip local aos sistemas de energia

O alcance planejado para a tecnologia também passa pela **energia renovável**, em que a eletricidade precisa ser convertida e administrada antes de chegar aos equipamentos que a utilizam. A companhia cita ainda os sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla **BESS**, como uma aplicação do GaN. Nesses sistemas, a conversão elétrica organiza a entrada e a saída de energia, conectando a geração ao armazenamento e, depois, ao consumo. O anúncio não informa números de eficiência ou capacidade para o keteq.GaN, mas deixa claro que a empresa está direcionando o design para mercados nos quais o gerenciamento da energia é parte central do produto.

Essa lógica de conexão aparece também nas **redes inteligentes**, que usam equipamentos capazes de monitorar e administrar melhor o fluxo elétrico, e na tecnologia espacial, outro campo citado pela SMD para o chip. Cada aplicação tem exigências próprias, mas todas dependem de componentes de potência que funcionem como pontos de comunicação entre a fonte de energia e o dispositivo final. A estratégia amplia a conversa para além de um único produto: o mesmo conhecimento de design pode ser levado a sistemas diferentes, desde que a integração industrial avance. É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser uma demonstração em evento e passa a ser avaliada pela capacidade de entrar em produtos concretos.

## A rede de parcerias por trás do desenvolvimento

O projeto chegou ao lançamento depois de **quatro anos de desenvolvimento**. A SMD foi fundada em 2022 e apresenta o prazo como parte de sua trajetória para sair da etapa de design e alcançar aplicações industriais práticas. O lema adotado pela empresa, "Designed in Sarawak. Built for the World.", resume essa direção: o conhecimento e a propriedade intelectual devem ser desenvolvidos localmente, enquanto os mercados pretendidos ultrapassam as fronteiras do estado. A ideia é semelhante à construção de uma ponte internacional, na qual a origem do projeto permanece identificada, mas a utilidade depende das conexões criadas com fabricantes, integradores e compradores de outros países.

Essa ponte foi construída com apoio de parceiros internacionais. O desenvolvimento do **keteq.GaN** contou com a colaboração da **XFAB**, da Alemanha, além da Cambridge Microelectronics e do Compound Semiconductor Applications Catapult, do Reino Unido. O produto também havia sido apresentado ao público internacional no Mobile World Congress, em Barcelona, em março de 2026, antes do lançamento oficial na IDECS 2026. A sequência mostra que Sarawak usou uma etapa de exposição internacional antes de formalizar a apresentação local, conectando a pesquisa desenvolvida com parceiros estrangeiros à estratégia tecnológica do estado.

## Da propriedade intelectual ao produto comercial

O próximo elo da cadeia já foi anunciado pela SMD. A empresa assinou um memorando de acordo com a **Jiangsu Linyang Energy**, fornecedora de medidores inteligentes e sistemas de armazenamento, para integrar a tecnologia QTech GaN aos produtos da companhia a partir do próximo ano. O movimento dá ao design uma rota de teste em equipamentos que precisam medir, controlar ou armazenar energia, em vez de deixá-lo restrito a uma apresentação técnica. Também mostra como a interoperabilidade industrial depende de acordos entre empresas: o chip só cria valor quando suas características conseguem conversar com a arquitetura de um produto que chegará ao mercado.

Além dos medidores inteligentes, a SMD posiciona o **QTech GaN** para o mercado de armazenamento de energia e para a demanda de data centers de IA, nos quais a alta densidade de potência é apontada como uma exigência. A conexão entre esses dois mercados ajuda a explicar a estratégia comercial: um produto pode atuar na medição e no controle do consumo, enquanto outro pode usar a mesma plataforma de potência em instalações que concentram processamento. A empresa não divulgou, nas fontes consultadas, resultados comerciais ou volumes de produção, portanto o estágio atual deve ser entendido como uma passagem do design para a integração em produtos, com a próxima etapa prevista para o próximo ano.

## O que muda na estratégia de Sarawak

O lançamento ganha peso porque Sarawak pretende mudar sua posição na cadeia de semicondutores. Segundo as informações divulgadas, o estado busca avançar além da manufatura e criar tecnologia própria antes de expandir para mercados internacionais. O **keteq.GaN** funciona, nesse plano, como uma peça de propriedade intelectual local aplicada a sistemas de energia, e não apenas como um componente fabricado para terceiros. O rastreador do plano PCDS 2030 registra o projeto de desenvolvimento de chips GaN com dois de quatro marcos concluídos e menciona uma estratégia de registro global de propriedade intelectual para a plataforma.

O cronograma também inclui um marco específico: o memorando de integração e comercialização com a Linyang foi registrado em **13 de agosto de 2026**. A participação do Premier de Sarawak, **Tan Sri Abang Zohari Abang Openg**, na apresentação do chip reforça a dimensão pública da iniciativa, que está ligada às ambições do estado para sistemas de energia de próxima geração. Ainda assim, o resultado será medido pela integração efetiva em produtos e pela capacidade de atender clientes fora de Sarawak. A política tecnológica deixa de ser uma declaração quando o design local encontra uma cadeia comercial capaz de colocá-lo em operação.

## O próximo teste é a integração

Para quem acompanha a expansão da inteligência artificial, o caso do **keteq.GaN** oferece uma leitura prática: aumentar a capacidade de processamento exige também soluções para converter e administrar a energia que alimenta os equipamentos. A discussão sobre data centers costuma se concentrar nos chips de computação, mas a SMD está trabalhando em uma camada complementar, ligada à potência e à eficiência elétrica. Essa relação aparece em outras iniciativas do setor, como mostra a análise do [desafio de encontrar energia para supercomputadores de IA](https://desbugados.com.br/post/2026/09/30/supercomputador-de-ia-no-reino-unido-enfrenta-o-desafio-de-encontrar-energia-ate-os-anos-2030). No caso de Sarawak, a aposta é transformar o design de potência em uma ponte entre a infraestrutura elétrica e os serviços digitais.

O passo concreto anunciado agora é a integração da tecnologia em produtos da **Jiangsu Linyang Energy** a partir do próximo ano, enquanto o plano estadual acompanha os marcos de comercialização e de registro de propriedade intelectual. A SMD também pretende atender mercados globais, levando o design criado em Sarawak para aplicações que incluem armazenamento e infraestrutura de IA. O lançamento oficial do chip resolve uma parte do problema: demonstra que o estado desenvolveu sua própria solução de potência. A etapa seguinte será provar que essa solução consegue dialogar com produtos industriais, parceiros internacionais e clientes que precisam de energia administrada com mais eficiência.