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title: "Ex-engenheiros da Ramp levantam 20 milhões de dólares para a plataforma Melius"
author: "Ignácio Afonso"
date: "2026-10-07 10:15:00-03"
category: "Negócios & Inovação"
url: "http://desbugados.scale.press/portal/desbugados/post/2026/10/07/ex-engenheiros-da-ramp-levantam-20-milhoes-de-dolares-para-a-plataforma-melius/md"
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## Resumo
- A Melius levantou US$ 20 milhões em uma rodada Série A liderada pela CRV.
- O total captado chegou a US$ 25 milhões com a rodada seed de US$ 5 milhões liderada pela General Catalyst.
- A startup foi fundada em Nova York por ex-engenheiros da Ramp.
- A empresa abandonou um produto de otimização de gastos com anúncios e mudou sua direção.
- A nova Melius trabalha com agentes de IA para produção de ativos e campanhas criativas.
- A companhia afirmou ter superado US$ 1 milhão em receita anualizada dois meses após sair do modo furtivo.
- Os recursos serão usados para ampliar a equipe, organizar vendas e desenvolver o laboratório de agentes.

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Em 6 de outubro de 2026, a **Melius** anunciou uma rodada Série A de **US$ 20 milhões**, liderada pela CRV, depois de abandonar seu primeiro produto. Fundada em Nova York por ex-engenheiros da Ramp, a startup mudou o eixo da operação: deixou a proposta de otimizar gastos com anúncios e passou a se apresentar como um laboratório de agentes de inteligência artificial para trabalho criativo. O anúncio chama atenção porque a captação não registra apenas a entrada de capital, mas também uma troca completa de direção em pouco tempo. Para entender o que está por trás do número estampado nas manchetes, é preciso separar a rodada de US$ 20 milhões do total de US$ 25 milhões e acompanhar a trajetória que levou a equipe até essa nova tese.

## O aporte de US$ 20 milhões faz parte de uma rodada maior

O valor anunciado como Série A corresponde à maior parte de uma estrutura de financiamento formada por duas rodadas. A **CRV** liderou os US$ 20 milhões da Série A, enquanto a rodada seed de **US$ 5 milhões** foi liderada pela General Catalyst, elevando o total captado pela Melius a US$ 25 milhões. Seed é o nome dado à rodada inicial de investimento de uma startup, enquanto a Série A costuma acompanhar uma fase em que a empresa já apresenta uma direção de produto mais definida. A distinção ajuda a evitar uma leitura equivocada: a Melius não recebeu um único cheque de US$ 25 milhões em uma rodada isolada, mas reuniu dois aportes anunciados no mesmo dia. O [comunicado da Melius](https://www.melius.com/blog/melius-seed-and-series-a) detalha essa composição e os investidores envolvidos.

Além das duas gestoras que lideraram as rodadas, a composição incluiu a **Genius Ventures** e a **Vine Ventures**. O anúncio oficial também cita a participação da Anti Fund e de investidores anjos, entre eles **Guillermo Rauch**, CEO da Vercel, e Kahlil Lalji, CEO da Natural. Investidores anjos são pessoas que aplicam recursos próprios em empresas jovens, geralmente acompanhando fundos profissionais em rodadas de financiamento. A presença desses nomes ajuda a dimensionar o tipo de apoio reunido pela Melius, mas não altera a informação central: a maior parcela do novo capital veio da Série A liderada pela CRV. O desenho financeiro prepara o terreno para a pergunta que realmente diferencia essa história de uma simples notícia de investimento: o que a empresa decidiu fazer depois de deixar o primeiro produto para trás?

## O produto inicial ficou para trás na mudança de tese

A resposta começa na origem da reformulação. A Melius havia iniciado sua operação com um produto voltado à **otimização de gastos com anúncios**, uma tarefa ligada à decisão de como distribuir recursos em campanhas publicitárias. Depois, a equipe abandonou esse produto e passou a trabalhar em uma proposta mais ampla para a produção criativa. A empresa foi fundada pelos ex-engenheiros da Ramp **Joowon Kim, Young Kim e Arnav Ramu**, e a mudança mostra que a experiência técnica dos fundadores foi acompanhada por uma revisão do problema que a startup queria resolver. Em vez de permanecer restrita ao controle do orçamento de mídia, a Melius passou a mirar a criação dos próprios materiais usados pelas campanhas, conectando a mudança de produto à nova rodada de capital. O [relato sobre a captação](https://techcrunch.com/2026/10/06/ex-ramp-engineers-raise-20m-for-platform-melius-after-scrapping-their-first-product) descreve essa virada como parte central da trajetória da empresa.

Na nova formulação, a Melius se descreve como um **laboratório de agentes para trabalho criativo**. A expressão indica uma plataforma que usa agentes de inteligência artificial para participar de etapas da criação de ativos e campanhas publicitárias, levando o trabalho da ideia até o material final. A análise publicada sobre a empresa aponta que a proposta é reduzir a dependência de ferramentas desconectadas e reunir em um mesmo fluxo a produção de uma imagem, de um vídeo ou de um áudio. O ponto prático dessa mudança está na integração: em vez de o usuário alternar entre diferentes aplicações para transformar uma ideia em peça publicitária, a Melius busca concentrar esse percurso em agentes capazes de executar partes do processo. A startup, portanto, saiu de um problema de alocação de verba e passou a atacar a distância entre imaginar uma campanha e produzir seus ativos.

## A receita apareceu pouco depois da saída do modo furtivo

A mudança de direção ganhou um indicador comercial divulgado pela própria empresa. A Melius saiu do **modo furtivo em julho de 2026**, expressão usada para descrever o período em que uma startup desenvolve seu produto sem revelar publicamente todos os detalhes da operação. Dois meses depois, a companhia afirmou ter alcançado mais de **US$ 1 milhão em receita anualizada**. Receita anualizada, ou ARR, é uma projeção que transforma o ritmo de receita recorrente observado em um período em uma estimativa para doze meses; ela não equivale necessariamente ao dinheiro já recebido ao longo de um ano completo. Ainda assim, o número oferece uma referência sobre a velocidade com que a nova proposta começou a ser comercializada após a apresentação pública da empresa, conectando a mudança de produto à decisão dos investidores de financiar a expansão.

Essa sequência organiza a notícia em três momentos: primeiro, a equipe descartou o produto voltado à otimização de anúncios; depois, apresentou uma plataforma de agentes para produção criativa; por fim, divulgou receita anualizada acima de **US$ 1 milhão** dois meses após sair do modo furtivo. O dado não transforma automaticamente a Melius em uma empresa consolidada, mas mostra que a rodada Série A veio acompanhada de um sinal comercial informado pela própria startup. Para quem acompanha negócios de inteligência artificial, a lição prática está na relação entre produto e financiamento: o capital foi anunciado depois de uma troca de tese e de uma primeira indicação de receita, e não como continuação simples da ideia original. A história da Melius passa a ser, portanto, a de uma equipe que aceitou recomeçar para perseguir um problema diferente.

## O próximo passo será ampliar a operação da Melius

Os novos recursos terão três destinos anunciados pela empresa: expandir a equipe, estruturar a organização de vendas e de **go-to-market**, expressão usada para descrever a estratégia de levar o produto ao mercado, e desenvolver o laboratório de agentes. A divisão revela que a próxima fase não depende apenas de aperfeiçoar a tecnologia. A Melius também pretende criar uma estrutura comercial capaz de apresentar, vender e distribuir sua plataforma para clientes que precisam produzir campanhas e outros ativos criativos. O financiamento da Série A, nesse sentido, funciona como uma ponte entre a validação inicial e uma operação mais organizada. A companhia não divulgou, nas informações disponíveis, um detalhamento de valores para cada frente, portanto o dado confirmado é a finalidade geral anunciada: equipe, vendas, entrada no mercado e desenvolvimento do laboratório.

Para a CRV, a visão dos fundadores está ligada a ajudar pessoas a criarem o que imaginam por meio da inteligência artificial, segundo os sócios **Veronica Orellana e Reid Christian**. Essa declaração resume a aposta que a Melius terá de transformar em produto: fazer com que agentes participem do trabalho criativo sem obrigar o usuário a montar manualmente cada etapa em ferramentas separadas. O próximo movimento anunciado é operacional e tecnológico ao mesmo tempo, com contratação, organização comercial e evolução do laboratório. A cifra de US$ 20 milhões ganha sentido nesse percurso: ela financia a expansão da nova direção, enquanto o total de US$ 25 milhões registra a combinação entre a rodada seed e a Série A que sustentam a transformação da Melius.